quarta-feira, março 10, 2010

Vermelho agitado


da ira.
Por tantas promessas de novo sonegadas e distorcidas.

Como uma gravidez-vida
de felicidade-esperança

e de fala mansa
interrompida.

Vermelho avulso



dos apontamentos entre casas

num mar de qualquer ocidente



na candura dos campos

e das faces dos anjos escutando os séculos



vermelhos perdidos quase

na praça "da rotunda do leão" ao fim de um dia e tantos anos


em improváveis plantas


gadanhas vermelhas do pensamento censurado



portas fechadas em silêncio

ou pontes vislumbradas



da inocência dos campos



ou os vermelhos eventuais.
Alegram ou entristecem, tal a diversidade-perversidade-verdade da cor.

segunda-feira, março 08, 2010

Branco MULHER




Homenagem que vem de tão longe...tantas mulheres na minha vida!

Homens que as veneraram, enganaram, iludiram, deixaram sós.

Mulher no seu segredo, de sensualidade, de recato, de impaciência pelo lugar que lhe distribuíram. Pronta a mudar.
Colunas que sustentam mundos.

quinta-feira, março 04, 2010

Vermelho tecido












Nunca tive um vestido vermelho.
Vesti todos os tons de roxo, tive preto, tive branco-alvo, branco-crú, tive azuis, tive tons de mel e pimenta, rosa-velho, ferrugem, antracite, cor de sol, cor de nuvem, cor de campo. Vesti bordado, lã, seda, caxemira, veludo, fazenda, crepon, vayela, sarja, linho, popeline, ganga, tafetá, malha.
Mas nunca tive um vestido vermelho.

...hoje, olhando a elegância e a alegria do passado, lamento não o ter tido!

Vermelho(s) da Terra








Mãos que se estendem da terra do vinho fino. Palmas viradas para nós, rindo nos veios iluminados pelo sol:

"Vêde as cores vermelhas de que somos feitas, nós que estávamos adormecidas num tronco preto... era Fevereiro, era lavado da chuva, era macerado pelo vento ... parecia um pau torcido e morto, sem promessas.
Eis-nos, as folhas, as aias das suas uvas! Vestidas de vermelho, como princesas."

Vermelho Interior











De dentro para fora.
Do coração para a casa.
De fora para dentro, vermelhos surgem como apontamentos nas paisagens em que os olhos surpreendem o grito liberto.

No interior dos nossos pensamentos, ligados ao sangue e à vida.
Ao prazer, à juventude.