Tal como a palavra-sugestão no PPP da semana passada, exprimo-me com o(s) lugar(es)/horizonte (s) que amo.
Sentada em mesa tosca, sentir granito.
Ver medronhos e caminhos de flores.
Brincando com o chão, folhas, ervas, pedras e com o fio do olhar perdido para lá dos montes. Virar as costas à foz e (re)nascer como um rio.
Um caderno pequeno que unicamente funcione por memorização, alguns símbolos de poucas palavras.
Aguarelas, livros, silêncio.
Assim, o que também disse, poderia ser o meu "escritório" da imaginação.
segunda-feira, abril 06, 2009
Miradouro
domingo, abril 05, 2009
Já que lembrei o Teatro ...
"Ensaio amargo sobre Petra Von Kant".
Adaptação da peça de R.W. Fassbinder "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant".
Conhecia o filme, de tempos alternativos 73/74??? donde me salta a imagem andrógena de Hanna Schygulla, a amiga de Petra.
Levada por gente nova, a reflectir sobre teatro e vida.
Noite de muito vento mas tanto entrelaçar humano entre os presentes: Teatro Bocage.
Encenação de Sophie Pinto, com Filipa Leão, Katrin Kaasa e Vanda Cerejo, música ao vivo de Lousy Guru. Magníficos!
"O destino do mundo não é regido pelo amor. Nesse ponto, a mente da mulher está ligeiramente equivocada", diz Fassbinder.
Mas podia...digo eu, mesmo sabendo que não há nenhum caminho de amores perfeitos!
E mesmo que nem sempre as caudas de pavão dos sentimentos se abram, plenas.
quarta-feira, abril 01, 2009
Opinião I
Foto tirada na Nazaré, anos 70.
Não consigo adicionar a ligação mas este endereço, em procura no Google, vai lá dar:
http://www.teatro-cornucopia.pt/htmls/conteudos/EElVkEEFkVUuvdSyuB.shtml
Para as memórias mais recentes e reavivando a minha, procurei o que deveria ter escrito entre aspas no post anterior: "E não se pode exterminá-lo?".
Algures nos meus anos recuados vi esta peça: evidente que AGORA lhe atribuo mais significado, até porque procurei a informação que me foi triturada pelo passar dos anos (o lugar está no início, para os curiosos).
Trata-se de uma peça de teatro, levada à cena pelo Teatro de Cornucópia, em 1979.
Autor: o alemão que se inclui no movimento Dadaísta de Munique, Karl Valentin (1882-1948), comediante, autor e produtor, que utilizava muito os jogos de palavras nas suas peças e filmes.
Bertold Brecht, que o apreciava, diria dele: "Valentin não diz graças. É uma graça."
Eis, portanto, salva a honra do convento e reposta a veracidade da pergunta.
Diria mesmo: "a pertinência" da pergunta teatral, na actualidade.
terça-feira, março 31, 2009
Opinião

Disse-me um rapaz de Lisboa, por causa dos incêndios e, bem o sabemos nós, outras canalhices:
... para os vorazes e estúpidos o raciocínio é simples: "que interessa isso se nós não perdemos tempo a amar o belo ou a congeminar sobre efeitos devastadores na natureza (e no homem) em futuros que não viveremos? A nós o que interessa é o presente e o mais faustoso possível".
Então eu também cogitei como ele: e não se pode exterminá-los?
terça-feira, março 24, 2009
Gerês e outros fogos
Apenas a estupidez e a voracidade dos homens,
o desplante, o desplaneamento (quero lá saber do acordo e do dicionário),
o desprezo.
Apenas as árvores que estavam de pé.
Apenas as pequenas coisas que se amam há muito, apenas a estupefacção do lume,
apenas os nossos olhos vidrados e impotentes.
Apenas a revolta.
Assistiremos aos plenários, às madeiras exóticas, às tecnologias que dominam os podres nos parlamentos. Assistiremos à falta das palavras úteis, das acções úteis.
Que fazer quando não se é conivente e tanto verde e tanta esperança perdemos?
Porque me lembrei muito dele, do nosso Parque "Nacional", repeti fotos de há anos!
terça-feira, março 17, 2009
Três velhas Graças
Ao contrário das "outras" amigas que me fazem nostálgica, estas três senhoras falando em aldeia, fizeram-me sorrir de ternura.
Andam de preto, com cuidado das pedras soltas nos caminhos soltos.
A apressada Primavera trouxe gente e animais para a rua.
Todos dizem bons-dias e esse plural enche-nos as horas até ao anoitecer. Dias dilatados, dias bons!
Lembrei-me que também tinham chegado as andorinhas às terras quentes de Trás-os-Montes.
Que o tempo proteja e conserve este afã de comunicar por vôos e palavras.
quinta-feira, março 12, 2009
Vento
Da palavra desta semana no PPP, veio-me à ideia uma "pequena coisa" que relevei das minhas deambulações. No propósito de Vento e porque o tinha lido algures: na altura e no lugar, achei a explicação interessante e quase visualizei a curvatura dele na baía de águas azúis.
A Duna de Bolonia é um Monumento Natural (dizem nuestros hermanos) e uma formação geológica viva. Trata-se dum sistema arenoso costeiro que pode alcançar os 30 metros de altura, alimentando-se das areias trazidas pelo vento do Levante (África fica em frente!). A mão humana tenta dominar esta formação com canaviais e pinheiros; contudo a parte mais exposta ao vento permanece mutável.
(as fotos foram tiradas de longe que, entretanto, havia imensas "pedras" e artefactos antigos para ver!)
domingo, março 08, 2009
8 de Março 2009
Dia Internacional da Mulher.
E para que não acabe o DIA delas.
Sem as flores da côr que lhes destinaram.
(e por isso lembrei Maria Helena Vieira da Silva, as Três Graças
e tantas outras meninas-Mulheres que guardo no coração).
Coisas de Mulheres - "As Três Graças"





Conheceram-se adolescentes, rindo e chorando pelos mesmos bens e males do coração.
Partilharam as horas, as mesas, os livros e os caminhos, os medos.
Namoraram em simultâneo, usaram bikinis no tempo em que os pais não podiam saber, escreveram-se de perto e de longe.
Compravam tantas vezes roupas iguais, variavam as preferências das cores.
Sofreram e divertiram-se.
Era impossível não as associar juntas: as três emitiam - e tinham - um círculo de identidade mágica.
Chegaram a casar - ou a juntar-se com os seus homens - em caminhos de evolução e revolução;
e a pegar nos primeiros filhos umas das outras ao colinho.
Souberam-se durante muito tempo.
***
Com as décadas e os interesses, escolheram céus diversos. Não se quiseram guardar das diferenças maduras, enevoaram-se as estrelas que as distinguiam.
A constelação perdeu-se.
***
Junca mais se viram, nunca mais falaram, as três preciosas graças.
sexta-feira, março 06, 2009
A Pintura - A Pintora








Citação de Maria Helena Vieira da Silva:
"Procuro pintar algo dos espaços, dos ritmos, dos movimentos das coisas."
Amplamente reconhecida e premiada em França, Helena seguiu, de longe e sempre, o sentimento da pátria sua. Após o 25 de Abril, fez dois cartazes sobre a Revolução que a Fundação Calouste Gulbenkian editou.
A Fundação Árpád Szénes-Vieira da Silva foi criada em seu nome, em 1990, num edifício da antiga Fábrica das Sedas, no Jardim das Amoreiras.
Um lugar preservado e de acordo com estas figuras míticas, do amor e da arte.
Em quatro dos seus últimos quadros "A luta com o Anjo" (1992), Maria Helena Vieira da Silva encontra a luz que tanto procurou nos seus labirintos.
Uma mulher com uma certeza espiritual.
Morre em Paris, em 6 de Março de 1992.
A Pintora - A Pintura






Mais uma das "nossas" mulheres a quem o país falhou.
Cheia de graça e de talento.
Em qualquer enciclopédia se encontram os trilhos desta pintora portuguesa, a quem o estado novo - que até nem me apetece escrever com letra "grande" - negou a identidade.
Em 1940, um quadro de Lisboa que executou para a Exposição do Mundo Português, foi recusado.
Em plenos tempos de cólera e guerra, ela e o seu amado marido Árpád Szénes que viviam em Paris, mudam-se para o Rio de Janeiro, visto que em Portugal não os deixam permanecer.
Árpád era pintor, húngaro, judeu e o regime de Salazar ainda lhe acrescentou a suspeita de ser comunista.
Desse tempo e sob a influência da guerra, Helena tem um desenho chamado "Tinha a Cabeça Cheia destas Ideias Tristes".