quarta-feira, abril 22, 2009

Temas recorrentes de "escritório"








Barcelona (re)corre na minha imaginação, a propósito de quem fala dela e do que eu lembro em duas épocas diferentes.
(quando, e com quem, espaços de 10 anos começam a ser contados por "muito tempo".)

Uma cidade em trabalho e a ânsia de a sentir, um pouco que fosse.
Um turismo de alguns dias e então, a ânsia do pormenor, o mais que pudesse.

Para a palavra "Escritório", fui buscar uma imagem do escritório de Roger Segimon de Milà, industrial catalão, que mandou construir a sua morada - conhecida por "Casa Milà-La Pedrera" e consagrada Património Mundial da Unesco - pelo arquitecto Antoni Gaudi, entre 1905-1907.
É esta a sequência.
E voltaria a Barcelona, sempre!

terça-feira, abril 14, 2009

Presentes

O Tiago, um "rapaz de Madrid", no ninho de nós.

Foto de L., beijo em pedra, um rio o deu.


Fotos de FM. de Viena. O Danúbio acenou.

E certamente que foi mesmo em mim que pensaram.
Pelas fotografias.
Os presentes dos ausentes.

Tempo de abraçar/ver meninos, amigos e filhos deles, comeres exóticos das misturas da amizade - a lampreia, o sável de escabeche, o anho e o leitão, pão a saber a canela e bôla da aldeia, as cores das novidades, os risos dos reencontros.

Uma pausa no silêncio.

sexta-feira, abril 10, 2009

Confissão




Pela época e viveres antigos judaico-cristãos que nos deixam marcas, confesso-me hoje, que dizem 6ª feira de santos passos.

Depois de crescida e crianças fora, passei a abominar (lembro o "Abominável Homem das Neves"...
que termo forte!!! - melhor diria, a sentir-me "contrariada por circunstâncias exteriores" e esta é uma lápide que serve muitos monumentos meus),
centros de compras, aniversários de qualquer coisa, encontros de empresa, datas de Valentins, páscoas, natais, carnavais e coisas que tais!
Outras circunstâncias intervieram para que passassem a cansar-me reuniões de mais de meia dúzia de pessoas.
Duas e duras realidades: o que esperam de nós, o que é possível darmos.

Portanto, recebo saudações e educadamente, e a mente, deixo as minhas flores de renascimento. Sim, sou sensível à Primavera, ao cheiro do novo, ao colorido das coisas e até das amêndoas.
(de licor e tão raras eram, meia dúzia delas, os bébézinhos, as ervilhas, os feijões, as ânforas desenhadas e com um fiozinho dourado como asa...)

Votos bons para os que mos desejarem, expressos ou em pensamento.

segunda-feira, abril 06, 2009

Igual/Diferente miragem






E apetece-me ir a correr difusa a mente
para "as minhas coisas à solta", imaginando fugir para lugares muito altos.
Inacessíveis e de vertigem, bem sei. Mas a memória é uma (renovada) biblioteca de Alexandria.

Porque tudo é igual, e igualmente diferente, consoante
(sendo que a vogal sou eu)
as horas do dia.
Ou noite.
Ou ano.
Ou década.

Ou lugar.

Miradouro










Tal como a palavra-sugestão no PPP da semana passada, exprimo-me com o(s) lugar(es)/horizonte (s) que amo.
Sentada em mesa tosca, sentir granito.
Ver medronhos e caminhos de flores.
Brincando com o chão, folhas, ervas, pedras e com o fio do olhar perdido para lá dos montes. Virar as costas à foz e (re)nascer como um rio.

Um caderno pequeno que unicamente funcione por memorização, alguns símbolos de poucas palavras.
Aguarelas, livros, silêncio.
Assim, o que também disse, poderia ser o meu "escritório" da imaginação.

domingo, abril 05, 2009

Já que lembrei o Teatro ...







"Ensaio amargo sobre Petra Von Kant".
Adaptação da peça de R.W. Fassbinder "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant".
Conhecia o filme, de tempos alternativos 73/74??? donde me salta a imagem andrógena de Hanna Schygulla, a amiga de Petra.

Levada por gente nova, a reflectir sobre teatro e vida.
Noite de muito vento mas tanto entrelaçar humano entre os presentes: Teatro Bocage.
Encenação de Sophie Pinto, com Filipa Leão, Katrin Kaasa e Vanda Cerejo, música ao vivo de Lousy Guru. Magníficos!

"O destino do mundo não é regido pelo amor. Nesse ponto, a mente da mulher está ligeiramente equivocada", diz Fassbinder.

Mas podia...digo eu, mesmo sabendo que não há nenhum caminho de amores perfeitos!
E mesmo que nem sempre as caudas de pavão dos sentimentos se abram, plenas.

quarta-feira, abril 01, 2009

Opinião I

Foto tirada na Nazaré, anos 70.

Não consigo adicionar a ligação mas este endereço, em procura no Google, vai lá dar:
http://www.teatro-cornucopia.pt/htmls/conteudos/EElVkEEFkVUuvdSyuB.shtml

Para as memórias mais recentes e reavivando a minha, procurei o que deveria ter escrito entre aspas no post anterior: "E não se pode exterminá-lo?".

Algures nos meus anos recuados vi esta peça: evidente que AGORA lhe atribuo mais significado, até porque procurei a informação que me foi triturada pelo passar dos anos (o lugar está no início, para os curiosos).
Trata-se de uma peça de teatro, levada à cena pelo Teatro de Cornucópia, em 1979.
Autor: o alemão que se inclui no movimento Dadaísta de Munique, Karl Valentin (1882-1948), comediante, autor e produtor, que utilizava muito os jogos de palavras nas suas peças e filmes.
Bertold Brecht, que o apreciava, diria dele: "Valentin não diz graças. É uma graça."

Eis, portanto, salva a honra do convento e reposta a veracidade da pergunta.
Diria mesmo: "a pertinência" da pergunta teatral, na actualidade.

terça-feira, março 31, 2009

Opinião




Disse-me um rapaz de Lisboa, por causa dos incêndios e, bem o sabemos nós, outras canalhices:

... para os vorazes e estúpidos o raciocínio é simples: "que interessa isso se nós não perdemos tempo a amar o belo ou a congeminar sobre efeitos devastadores na natureza (e no homem) em futuros que não viveremos? A nós o que interessa é o presente e o mais faustoso possível".

Então eu também cogitei como ele: e não se pode exterminá-los?


terça-feira, março 24, 2009

Gerês e outros fogos









Apenas a estupidez e a voracidade dos homens,
o desplante, o desplaneamento (quero lá saber do acordo e do dicionário),
o desprezo.
Apenas as árvores que estavam de pé.

Apenas as pequenas coisas que se amam há muito, apenas a estupefacção do lume,
apenas os nossos olhos vidrados e impotentes.
Apenas a revolta.

Assistiremos aos plenários, às madeiras exóticas, às tecnologias que dominam os podres nos parlamentos. Assistiremos à falta das palavras úteis, das acções úteis.
Que fazer quando não se é conivente e tanto verde e tanta esperança perdemos?

Porque me lembrei muito dele, do nosso Parque "Nacional", repeti fotos de há anos!

terça-feira, março 17, 2009

Três velhas Graças








Ao contrário das "outras" amigas que me fazem nostálgica, estas três senhoras falando em aldeia, fizeram-me sorrir de ternura.
Andam de preto, com cuidado das pedras soltas nos caminhos soltos.
A apressada Primavera trouxe gente e animais para a rua.
Todos dizem bons-dias e esse plural enche-nos as horas até ao anoitecer. Dias dilatados, dias bons!

Lembrei-me que também tinham chegado as andorinhas às terras quentes de Trás-os-Montes.
Que o tempo proteja e conserve este afã de comunicar por vôos e palavras.

quinta-feira, março 12, 2009

Vento






Da palavra desta semana no PPP, veio-me à ideia uma "pequena coisa" que relevei das minhas deambulações. No propósito de Vento e porque o tinha lido algures: na altura e no lugar, achei a explicação interessante e quase visualizei a curvatura dele na baía de águas azúis.

A Duna de Bolonia é um Monumento Natural (dizem nuestros hermanos) e uma formação geológica viva. Trata-se dum sistema arenoso costeiro que pode alcançar os 30 metros de altura, alimentando-se das areias trazidas pelo vento do Levante (África fica em frente!). A mão humana tenta dominar esta formação com canaviais e pinheiros; contudo a parte mais exposta ao vento permanece mutável.

(as fotos foram tiradas de longe que, entretanto, havia imensas "pedras" e artefactos antigos para ver!)