sexta-feira, junho 18, 2010

Amigo de nós





Pensar, pensar

Junho 18, 2010 por Fundação José Saramago

"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma."

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

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(permito-me transcrever um texto dele, de tantos que nos ajudam a pensar, a ver o mundo, a acreditar)
Vão ditar loas, encómios, vão os hipócritas dizer que "não apreciam a tua escrita mas..."

Fizeste tanto por nós, pela nossa identidade... coisas que nem se sabem nem vêm escritas "cá".
Deixas um lugar vago no nosso coração de Portugueses.
"E agora, José?"

segunda-feira, junho 14, 2010

Propositada mente


Lendas de trilhos
da devoção
aos nossos sonhos devotados

De dinossauros
ou de fantasmas - "répteis terríveis" -
pela memória agigantados

(Ermida da Memória, séc. XV)

domingo, junho 13, 2010

A propósito





.... de traições e mistificações de sentimentos,
comunicações cruzadas ou que vemos cruzar - cruzeiros na paisagem.
E os espantalhos de papel dançam em cordas bambas. Tropeçam à mesa do meu global conhecimento.

Há caixas antigas, de pedra rugosa e muda
(a quem empresto a minha voz interior, pedra-dura como ela).
Paredes. Apetece meter-se-lhe a memória dentro,
nos alvores de tantos fios, inícios, de anos, de segundos, passados.

Fica-me na mente a melhor forma de religar: o gesto.
(é muito; houve um tempo em que era tudo!)

segunda-feira, junho 07, 2010

Da "traição"









...da vida, mortes e acontecimentos inexplicáveis.
À luz da razão e das razões.
Por mais molhos de papéis que se juntem nos inquéritos: temos exemplos, nós, por cá (e) todos bem!
Foi a palavra "Traição" na semana passada no PPP e escolhi uma foto tirada em 10 de Setembro de 1997, no Kensington Palace, Londres, residência da Princesa Diana (1.7.61-31.8.97). Milhões de flores nos enormes jardins; e silêncio impressionante.
Nos armazéns Harrods, estavam expostos numa montra, retratos de Dodi Al-Fayed e Diana: formava-se uma fila de gente para assinar livros de condolências. Com a contenção, distanciamento e liberalismo - estranhíssimos - dos ingleses.
O enorme perigo da "comunicação", da "notícia" e os seus meios de obtenção tantas vezes pouco escrupulosos: como no caso da perseguição ao carro em que seguia o casal, em Paris, em "traição" à vigente realeza e aparentes costumes.

sexta-feira, maio 28, 2010

às-os do costume


...que também tenho um sinal de proibição à desfaçatez com que nos falam os cara-de-pau. Contra a cinzenta mente.
Contra-podar/contra-poder.

Porque se chega de horizontes largos e se nos cortam os vôos contra paredes. Contra-ideais, contra sossego. Contra salário honesto ano após ano; e muitos anos. Merecida a paz de espírito para trabalhar e ter trabalhado.


Primazias para as opas, para poupas; esgares de vesgos como as janelas cegas, as economias astutas, as gravatas-ricas riscas no viés dos nossos dias anónimos.

Há-de a gente florir-flor no negro.

Chegar ao cume da indignação.
Há-de haver vergonha - em qualquer voluta destes cérebros - em castigar os incautos de hoje e as gerações futuras.


E como azul-e-verde me sossegam a humildade e o humilhante, tomo o caminho da fuga consciente, salto outra vez dos prédios para as árvores do meu país-chão.
Sem asas minhas mas com olhinhos de pássaro.

(volto depois a este vício de, pensando, escrever...)


quinta-feira, maio 27, 2010

Travessias


Passámos hoje para o Porto
de mão dada
há algumas décadas e alguns anos
(com o tempo precisarei que mo lembrem porque a minha vida atravessou tantas,
as margens!)

cabelos longos que mudaram de côr
sonhos longos que mudaram de percurso
e todavia toda-a-vida até aqui

(sinto o que sinto: "obrigada por ser-estar-permanecer-continuar")

domingo, maio 16, 2010

"Navegar, navegar, ó minha cana verde..."




Esperançar
esperançada
que a distância seja um caminho (mais) macio, entre mim e o comum dos dias.
E que o mar se estenda plano, nos olhos.

(440 presenças aqui são um acaso de Maio. Brindo a um mês do meu específico calendário, quando acontecem - e aconteceram - chegadas, encontros e - algumas - partidas.
Escrever sobre nada, escrever sobre pensar, acompanhou-me. Sinto-me grata por ter conhecido, no real e no imaginário, gente que me acrescentou vida, conhecimento, poesia, generosidade e beleza).

quarta-feira, maio 12, 2010

Pessoa




Verdade existência identidade invenção

Nem que a confusão e a tristeza solitária se encontre escrita
nas paredes,
se reconhece
ou é reconhecida.
Apenas anos após
nas lembranças de quem fica
de quem foi
que escreveu, viveu, atravessou as pontes,
assim.

sexta-feira, abril 30, 2010

Cortina





Da terra ansiada
e tão longe.
Como tentação numa roda/rota de colisão
de tantas. Gentes e assim.

Talvez um biombo me esconda a realidade.
Talvez só veja desenhos. Um vidro. Fantasmas do devir.
Talvez.

domingo, abril 25, 2010

Porta ou janela





Tantas noites de memórias:

"...Agora ninguém mais cerra
As portas que Abril abriu!"


Ext. poema de José Carlos Ary dos Santos
em Antologia Poética, Lx 1975

terça-feira, abril 13, 2010

"Coisificar"








Sentemo-nos então meu amigos
à sombra de árvores velhas
frente ao mar, frente a África
(onde correu e corre, cá e lá, o sangue nosso)
Sentemo-nos apenas serenos,
não coisifiquemos todas as coisas,
as relações, os sentimentos

(aos comentários dos meus amigos conhecidos: eu ia lá mas perdi-me por aqui:
hei-de voltar.)

quinta-feira, abril 08, 2010

"Olho de Gato"


"Saber demasiadas coisas sobre os outros põe-nos sob a sua alçada, ficam com pretensões sobre nós, somos obrigados a compreender as suas razões para fazer coisas e ficamos enfraquecidos"

Margaret Atwood, em "Olho de Gato", Publicações Europa-América, Colecção Século XX
(...!!! confiei no tradutor e no revisor: é "SOB a sua alçada" e não SOBRE, obg J.)

segunda-feira, abril 05, 2010

A quinta (pequena) de A.








"Estou mesmo a precisar
de uma injecção
de essência de rosas"
Poema de Jorge de Sousa Braga em "Poeta Nu", um homem do Porto, um homem de época conhecida.

Havia num repente em mim um
"há que tempos"

... que não andava num caminho com camélias de tocar
- serem acessíveis como minhas e sem nome de família -
e sabe-se lá porquê? são coisas que se sentem ao encontrar couves belas como flores, bichos com nome, "chamar os bichos" e eles virem, estar ao lado duma pessoa que pega numa lesma como eu pegaria, ou num pombo recém-nascido. Ah e as ervas...
Todo este silêncio pesado-amaciado por uma "paixão dos sentidos", pelo tagarelar entre os cheiros de terra, olhar de monte, toque de pedra, som de harmonia.