O sol oblíquo de Setembro finda-se em silêncio como um pequeno fósforo.
E enfim, acariciam-se mutuamente ondas e nós
dedos na água
dedos no vidro:
um peixe de aquário
ignorante do espaço do mar que não conhecerá nunca.
Mas ciente do gesto, o peixe; mais que a gente.
quinta-feira, setembro 16, 2010
Praias adeus(as)
quarta-feira, setembro 15, 2010
(a)deuses





***
Onde os pequenos seres dos montes têm a ingenuidade dos dias
(antes da caça e da algazarra; e das botas e tiros e cães e motas e jipes)
eu irei descobrir um rasto de mar
fóssil. E ficar pasmada com a cor quase sangue dos sobreiros tirada a sobre-a-pele da cortiça.
E com a água das fontes. E mulheres de negro sentadas ao entardecer
sobre o murmúrio dos campos.
Ligo-me a tudo isto "até sempre".
quarta-feira, setembro 08, 2010
Do mês que (também) gosto
Fecham-se e abrem-se portas
muito devagar.
Setembro é um fruto
um mês em dourado
quase escondido na mão da memória.
O meu espírito, esse voltará sempre aos lugares felizes
em Setembro
ou Maio.
Quando o sol subir nas rosas ou se inclinar na vinha.
Quem me conheceu sabe dos sinais.
quarta-feira, agosto 25, 2010
Pastagens ou caminhos
A talhe de foice
e para limar umas arestas
a "caminhos" ando





Pasta um rebanho de pensamentos entre paredes
mas no fundo há um riso ingénuo
trazido pelas lembranças de paisagens outras
ocultas pelos dias dobrados
a dobrar
ainda
domingo, agosto 01, 2010
"Imagine"
Necessidade de coisas simples e de cores suaves quase sem palavras.
Imaginar alguns espíritos muito preferidos: humanos poucos, da terra e dos bichos, muitos.
Descansaria o tempo e suspenderia o modo - com a minha gata entre rosas secas e maçãs do chão.
Sei que nos sentiríamos felizes e distraídos.
(sempre romântica-a-mente)
quinta-feira, julho 22, 2010
Vigiar a natureza
Fica o verão suspenso e os seus passos rápidos.
Deixar os 700 guerreiros a olhar pelos meus fados.
E vigiar eu mesma as árvores, as pedras e os campos mais longe
o nascer das ervas e o desaparecer do orvalho
que o olhar se encontra (en)cerrado e enterrado na cidade
onde os ruídos agridem o fio plano de pensar
e até os olhos estremecem
fechados.
sexta-feira, junho 25, 2010
Noite do Porto
Os balões
a tradição
as efemérides e a
"efemeridade"
(vivi mais de uma década da minha vida tão perto deste lugar,
que era sombrio de gente,
mas
heras e pedras e camélias
e tão verde!)
sexta-feira, junho 18, 2010
Amigo de nós
Pensar, pensar
Junho 18, 2010 por Fundação José Saramago"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma."
Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008
(permito-me transcrever um texto dele, de tantos que nos ajudam a pensar, a ver o mundo, a acreditar)
Vão ditar loas, encómios, vão os hipócritas dizer que "não apreciam a tua escrita mas..."
Fizeste tanto por nós, pela nossa identidade... coisas que nem se sabem nem vêm escritas "cá".
Deixas um lugar vago no nosso coração de Portugueses.
"E agora, José?"
segunda-feira, junho 14, 2010
Propositada mente
Lendas de trilhos
da devoção
aos nossos sonhos devotados
De dinossauros
ou de fantasmas - "répteis terríveis" -
pela memória agigantados
(Ermida da Memória, séc. XV)
domingo, junho 13, 2010
A propósito


.... de traições e mistificações de sentimentos,
comunicações cruzadas ou que vemos cruzar - cruzeiros na paisagem.
E os espantalhos de papel dançam em cordas bambas. Tropeçam à mesa do meu global conhecimento.
Há caixas antigas, de pedra rugosa e muda
(a quem empresto a minha voz interior, pedra-dura como ela).
Paredes. Apetece meter-se-lhe a memória dentro,
nos alvores de tantos fios, inícios, de anos, de segundos, passados.
Fica-me na mente a melhor forma de religar: o gesto.
(é muito; houve um tempo em que era tudo!)
segunda-feira, junho 07, 2010
Da "traição"








...da vida, mortes e acontecimentos inexplicáveis.
À luz da razão e das razões.
Por mais molhos de papéis que se juntem nos inquéritos: temos exemplos, nós, por cá (e) todos bem!
Foi a palavra "Traição" na semana passada no PPP e escolhi uma foto tirada em 10 de Setembro de 1997, no Kensington Palace, Londres, residência da Princesa Diana (1.7.61-31.8.97). Milhões de flores nos enormes jardins; e silêncio impressionante.
Nos armazéns Harrods, estavam expostos numa montra, retratos de Dodi Al-Fayed e Diana: formava-se uma fila de gente para assinar livros de condolências. Com a contenção, distanciamento e liberalismo - estranhíssimos - dos ingleses.
O enorme perigo da "comunicação", da "notícia" e os seus meios de obtenção tantas vezes pouco escrupulosos: como no caso da perseguição ao carro em que seguia o casal, em Paris, em "traição" à vigente realeza e aparentes costumes.