sexta-feira, outubro 15, 2010

...de entrar na pressa das chegadas









Atravessar tantas, as pontes...

No lugar das águias da manhã, estremece o véu da Via Láctea à noite. No meio dum céu amplo e profundo, assim voam em círculo as lembranças dos meus amados.
Gostaria de pensar nos espíritos dos meus (e de todos) mortos, brilhando os seus olhos no tempo, vendo-nos com algum modo de amor, ou saudade, ou arrependimento, seguindo-nos nas veredas terrenas.
Mas escavacaram a Lua, sondaram Marte, espreitam os anéis de Júpiter, descobrem todos os satélites de Saturno. E também em nós, fica um buraco negro de não-saber.
Talvez para lá deste sistema, o solar, estejam os olhares que recordamos: reparo nas tantas estrelas, assim esperançada!
Pela noite alta, ficam-me os olhos em choro e pedra, manietados, o gesto preso como nas velhas estátuas.

sexta-feira, setembro 17, 2010

...de sair à pressa das despedidas




Nota para os posts dos dias 15, 16 e 17.9: foram surgindo na mesma ocasião, último dia de praia e, entrementes, saída para o campo. Os três anteriores e últimos deveriam ser ordenados ao contrário e lidos de baixo para cima; mas eu não soube fazê-lo, nesta (a)trapalhada minha de querer que as fotos se pensem e se reflictam nas palavras
, tal como me surgem na minha tipografia-típica interior.

Sem tempo para ler os meus caros habitués, virei talvez nas primeiras chuvas - e quando os dias pingarem sobre a esquecida e ardida terra, serei a "sempre vossa atenta leitora". Certamente com-o-que-penso.com.coração.

Deixo os batentes - de novo - em outras portas.

Praias e (a)deuses (cont.)








A praia sossega respirando ondas pequenas como suspiros.
Descansa de tantas tristezas alegres, segredos cruzados, pasmaceiras ou inteligências distendidas, lixos vários, palavras e liberdades avulso.

Dos mil passos e mil olhos e mil vozes e mil gritos suados.
Finalmente silencia; e os ventos são como um rebanho ordeiro.

A praia simplifica-se nos sons, nas cores, e contam-se miúdos os seixos, aquietam-se as poças de água, brilham as marés vazias, rezam os serenos deuses nas catedrais de pedra.

E re-digo que me re-ligo a tudo - a todos - o que dá paz: "até sempre".

quinta-feira, setembro 16, 2010

Praias adeus(as)








O sol oblíquo de Setembro finda-se em silêncio como um pequeno fósforo.
E enfim, acariciam-se mutuamente ondas e nós
dedos na água
dedos no vidro:
um peixe de aquário
ignorante do espaço do mar que não conhecerá nunca.
Mas ciente do gesto, o peixe; mais que a gente.

quarta-feira, setembro 15, 2010

(a)deuses






***
Onde os pequenos seres dos montes têm a ingenuidade dos dias
(antes da caça e da algazarra; e das botas e tiros e cães e motas e jipes)
eu irei descobrir um rasto de mar
fóssil. E ficar pasmada com a cor quase sangue dos sobreiros tirada a sobre-a-pele da cortiça.
E com a água das fontes. E mulheres de negro sentadas ao entardecer
sobre o murmúrio dos campos.

Ligo-me a tudo isto "até sempre".

quarta-feira, setembro 08, 2010

Do mês que (também) gosto



Fecham-se e abrem-se portas
muito devagar.

Setembro é um fruto
um mês em dourado
quase escondido na mão da memória.

O meu espírito, esse voltará sempre aos lugares felizes
em Setembro
ou Maio.
Quando o sol subir nas rosas ou se inclinar na vinha.

Quem me conheceu sabe dos sinais.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Pastagens ou caminhos

A talhe de foice

e para limar umas arestas

a "caminhos" ando






Pasta um rebanho de pensamentos entre paredes

mas no fundo há um riso ingénuo
trazido pelas lembranças de paisagens outras
ocultas pelos dias dobrados
a dobrar
ainda

domingo, agosto 01, 2010

"Imagine"




Necessidade de coisas simples e de cores suaves quase sem palavras.
Imaginar alguns espíritos muito preferidos: humanos poucos, da terra e dos bichos, muitos.
Descansaria o tempo e suspenderia o modo - com a minha gata entre rosas secas e maçãs do chão.
Sei que nos sentiríamos felizes e distraídos.
(sempre romântica-a-mente)

quinta-feira, julho 22, 2010

Vigiar a natureza




Fica o verão suspenso e os seus passos rápidos.
Deixar os 700 guerreiros a olhar pelos meus fados.

E vigiar eu mesma as árvores, as pedras e os campos mais longe
o nascer das ervas e o desaparecer do orvalho

que o olhar se encontra (en)cerrado e enterrado na cidade
onde os ruídos agridem o fio plano de pensar
e até os olhos estremecem
fechados.

sexta-feira, junho 25, 2010

Noite do Porto






Os balões
a tradição
as efemérides e a

"efemeridade"

(vivi mais de uma década da minha vida tão perto deste lugar,
que era sombrio de gente,
mas
heras e pedras e camélias
e tão verde!)