quarta-feira, dezembro 07, 2011

Dos bichos

Faltavam-me os "leões com coração de passarinho"!

Encontrei pavões vigilantes,

cabras de face simpática.












Escutando o tempo como os bichos, atentos aos homens.
Imprevisíveis, os homens; e os seus gestos agressivos ou falsos; e nomes esquisitos: standard & poor's será que é o "formato normalizado & dos pobres", assim em tradução livre?
Curiosos sentidos se nos debruçarmos sobre "as letras das palavras".
Bem fazem os animais que desconfiam e só lêem sinais.

Estão prontos a fugir, ou emigrar - ou abrigar-se.
Ou a lutar num fio ténue pelo horizonte que escolheram.

terça-feira, dezembro 06, 2011

Volta a nostalgia








Foto de Viv.

(de tantas coisas)
Mas mais intensa-a-mente quando alguém vem ou fala de Londres.
Muito trabalho pesado, muitas horas dele, muita saudade do nosso mar, há que anos foi isso!

Neste momento, iria descendo Maida Vale, tomava um tardio english breakfast como este - e durava-me até ao lanche, de qualquer coisa ambulante, apressada pelas ruas.

Logo a seguir me vêm vozes, a imagem



dos daffodils e dos parques, onde se anda em paz, atravessando a cidade sem dar por ela.
Nunca senti tal liberdade em outro lugar.

"... In vacant or in pensive mood
they flash upon that inward eye
which is the bliss of solitude,
and then my heart with pleasure fills,
and dances with the daffodils".

excerto do poema "Daffodils" de William Wordsworth (1770-1850)


sábado, dezembro 03, 2011

Nós

Ao crepúsculo, sobra-nos um barco ancorado na maré vaza.

Temos agora uma senhora dos arrozais.
Uma oriental trazida, de terras de que apenas e tanto ouvíamos falar. E cantamos juntos, hoje, ainda e sempre, pela PAZ.



Cá em casa éramos três. Palmeiras ao vento dos dias azuis, de estar juntos.
Tínhamos também uma gata sem raça: já não temos. Partiu com seus passinhos aveludados.

Partem sem ruído, os que amamos, como quem não vai e se fica nas memórias de todo o lado, de Londres, de Viena, de infância, de museus e pedras, de novelo em novelo.
Fica-nos um desgosto, pequeno ou grande: de não termos braços eternos para abraçar sempre.

sábado, novembro 26, 2011

Por onde




...espreita a luz e a liberdade?


Certamente não no pensamento "dos agentes de autoridade" e nos governantes "que dão ordens".

Apenas "o sonho comanda a vida" se a quisermos viver vivos.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Estação



Penso
em um comboio cor de rosa

como uma touca de menina,

pequena e sumida como recém-nasci há tantos anos,

minha mãe sorria tanto...

um caminho rosado e breve,
que me levará
ao morrer.


quarta-feira, novembro 16, 2011

...Distraída

Pousam-me pássaros nos olhos.
Por agora perscruta a mente outros sentidos, descobrir onde voam anjos meus.
Lugares onde o sol nasce. Ang-ing-ong-oi coisas assim.

Há pedras que formam um arco sobre nós: as e os de passagem.

Há as que desejamos saber como.
As que trazemos connosco.
Às que não ligamos importância, os calhaus rolados; e as pedras no sapato sendo para tirar.

Há as que vemos como nasceram, saindo de um núcleo amassado por séculos de passagens - hei-de voltar a estas.

terça-feira, novembro 15, 2011

Na verdade

(sino sem capela ou capela sem sino.)

(sobreiros da cor do sangue seco mas vivos)




...não sei porque é que a atracção
é tal e tão forte.
Digo, das pedras comigo ou eu com pedras.

Não sei se passam por mim ou eu por elas.

(em S. Pedro de Vir-à-Corça, Idanha-a-Nova, onde há uma lenda bonita e eu fico pasmada a olhar)

segunda-feira, novembro 14, 2011

De poesia nos meus olhos

Um sítio em que o mundo fosse de
um verde redondo

com fundo azul

encostar a mão às pedras, descobrir perfis,
sem fazer poemas, só sentir.

Sonho insistente.


Casa de madeira que pereceria comigo,
no pouco tempo de viver.
Lugar longe/lugar perto. Da terra.

sábado, novembro 12, 2011

Poetas nossos



























Voltei a ouvi-los... vendo-os. Aos poetas do exílio, aos poetas do amor, aos poetas do descontentamento, aos da ira, a todos os que empunham a Poesia como uma arma contra o convencionado.

Foram estes, em estátuas; poderiam ser outros, os das revoluções, os dos nossos antigos sonhos. Voa célere o pensamento com eles.
Os Poetas são o nosso laço com o passado mas escrevem sempre no chão do Futuro.

(uns ...tinham sido vandalizados com tintas várias, a outros caíram ou roubaram letras, a outros esqueceram-nos - muitos estavam descalços,
no parque).