sexta-feira, fevereiro 24, 2012
segunda-feira, fevereiro 20, 2012
Interlúdio



Minha safra
minha rede recolhida a recolher o dia
meu pequeno sol familiar
ramo feminino,
da avó à mãe à filha
luz que se esconde e esconde a minha mágoa de não me acompanhares
mais tempo
mais vezes
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
Promessa
Só elas me fariam sorrir um pouco
hoje
ao pequeno almoço.
Promessa de melhores dias, entre as árvores e as camélias delas, sempre.
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
"Não há
...bem que sempre dure nem mal que nunca acabe".
Dualidade. Vida. Sentimento.
Resignação. E luta.
Com a maré vaza e cansada, minha e dos meus, procuro uma fresta cristalina, verde e azul.
Pode ter o mar ao fundo
e no fundo dele, a razão que me assiste.
sábado, fevereiro 04, 2012
A talhe

... de foice!
Virar as costas ou esperar que o "rato saia do buraco"?
(O homem foi penalizado há 20 anos por causa do Carnaval; revigorado e bem disposto, economicamente falando, voltou com outra cara: a do sacrifício, "é preciso trabalhar, seus madraços! Têm andado a viver acima das possibilidades... Vai castigo, ficam todos de pé, virados para a parede até à hora do recreio... ólarilas!").
Temos castigo anunciado durante 2 anos. Para os prevaricadores, há chicote psicológico e anseolíticos genéricos.
Não será pedir demais, senhores?
E disto falava a Lizzie, um dia destes:
"Portanto, já dizia Einstein que só haviam duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana
e do Universo ele não tinha bem a certeza...
Quando fizer a mala definitiva, vou escrever este pensamento nas águas do Tejo. Ou do Douro. Pode ser que os atentos a leiam."
Esperando que saibam ler...
Agradecida Lizzie, por (me)lembrar.
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
Os homens pequeninos


...que nos desgovernam.
Aqui e na Europa.
Não estão lembrados de como se chamava e de como era a guerra.
Quem quer a hegemonia sobre quem e à custa de quê.
Porque agora a guerra é de números, de taxas de juro, de dívidas soberanas, de gente sem rosto.
De avanços das forças de direita e ultra-liberais, por mais nomes diferentes com que se encobrem.
Desmantelando a segurança de "viver" em Paz.
Deixando um rasto
de incrédulos, de ignorantes e, mais grave ainda,
de desempregados, de suicídios, de esgotamento de recursos, de fome.
Teremos de plantar "um jardim de esperanças" com a força das certezas de um futuro mais justo.
(fotos da exp. CCB "A Arte da Guerra - Cartazes da II Guerra Mundial" e "As Aventuras de Gulliver")
domingo, janeiro 29, 2012
A Foz fria
Porque me apetece(des)pensar o pensamento.
Se me lembrar que era no "Molhe" onde o banheiro me (a nós, às crianças) apertava o nariz e nos mergulhava de costas nas ondas.
Se me lembrar que "as colónias" eram ali perto e no 2º dia de lá estar, fiquei doente de medo e saudade de casa.
Se me lembrar do mar, da infância esperançosa,
ou me esquecer do dia/noite em que olhei com mágoa,
uma estrela, a Vénus, ao desafio com a barca luminosa da Lua,
mesmo atrás da barreira de prédios,
deixo de pensar no nascimento e na morte
como um rio a nascer e a desaguar
no sempre.
quarta-feira, janeiro 25, 2012
... a limpidez das palavras


Se não serve para chorar, para saber, para aprender, para rir, para partilhar...
de que me serve este painel em branco,
ligado ao mundo tantas vezes irreal?
Hoje a notícia de um elo que se quebra, de um poeta e de um homem tão belo e alegre.
Conhecia-lhe o sorriso, a limpidez do pensamento e "das palavras".
Fica-me, a mim, tão pouco e tanto: o 1º livro. A folha do poema "Nem" onde parei.
Disse-lhe há tempos que precisava de o ler sem paredes, dizer alto os poemas, na praia ou no campo; mas sempre ao AR e livre.
Morreu-nos o teu verbo viver.
Que pena infinita, Mário, que não tivesses ficado MAIS tempo
com a tua família e connosco.
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Lembrar ainda e sempre a limpidez






... e a força dos poemas. Tantos anos após o seu nascimento, uns anos depois da sua morte, um pouco de tempo para (lhe) extinguirem a "FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ANDRADE", precisamente o lugar onde viveu o Poeta, nos seus últimos anos, junto ao rio, junto à Foz.
Qualquer cidade, qualquer "presidente", qualquer país, se sentiria orgulhoso deste filho nosso.
O fim está ditado, leu-se nos jornais, assim no emaranhado de problemas e gastos... como se a Cultura fosse mais uma "acção da bolsa".
Rotina
Passamos pelas coisas sem as ver
gastos, como animais envelhecidos
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo no chão, apodrecidos.
("As mãos e os frutos" 1948 - Eugénio de Andrade 1923-2005)
domingo, janeiro 01, 2012
sábado, dezembro 31, 2011
Ano velho 1
"Ano melhorano
me deixe chegar ao ano"
Crendices e ditos que me chegam de tempos antigos.
Ah...infância de camélias, não me olhes assim,
com esses olhos abertos de susto.
sexta-feira, dezembro 23, 2011
Sinceramente
o Natal chateia-me
o governo chateia-me
as notícias chateiam-me
a falta de dinheiro ainda mais
o despudor desta, a visível - e doutra, a invisível - gente tira-me o sentido estético das coisas.
(evidentemente que não me refiro às meninas da fotografia...)
Desculpem-me não responder um a um aos vossos votos.
Só peço às fadas que nos possam bem fadar
este triste fado que nos cabe.
Até ao ano.
Novo? Parece-me mais do mesmo.
ACORDAI!
