sábado, fevereiro 05, 2011

Uma semana adiante




(2 fotos de "J."- M.J.)

Tinha pedido à Amiga
que surpreendesse os "pedantes" quando eles se abrissem.
Esqueci-me de lhe dizer que lhes pusesse um espelho à frente!

Chama-se florir, florescer, partilhar.
Ainda com as gotas do seu banho nocturno, ei-los que nos saúdam.
Teimosos na alegria.

sábado, janeiro 29, 2011

Mudanças ao minuto






como pessoas ao vento
como sentimentos
como idiomáticas
enigmáticas
interpretações de nós

O céu em 3 minutos, tão próximo do meu estar.
A propósito deste tão belo haiku, no desafio de M. no PPP, em que dezasseis pensares desafiaram os céus da poesia:

a aurora dentro de uma asa
a manhã descendo pelo vento


Emanuel Jorge Botelho
21 Haiku com Asas
(Terceiro Livro Emanuel Jorge Botelho - Urbano) in
21 Haiku com Asas, Urbano e Cabras, Galeria 111

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Depois de eleicoes

Santos milagreiros e outros


Por mais gritos
ou protestos nas vias conhecidas




de trancas e portas que ninguém abriu



há coisas das casas desfasadas.



há casas desfasadas das pessoas
há pessoas desfasadas das intenções (as nossas, as deles)

- e o tempo navega (in)temporalmente, a favor ou contra-corrente

Apesar de, e desfasado, da nossa realidade
interior.

sábado, janeiro 08, 2011

Parabéns para 11 em 01.2011




Pensando em caminhos percorridos
no Pequeno Príncipe
já quase rei

"...
- Os reis não possuem. Eles reinam sobre. É muito diferente.
- E de que te serve possuir as estrelas?
- Serve-me para ser rico.
- E para que te serve ser rico?
- Para comprar outras estrelas, se alguém achar.
...
- Mas tu não podes colher as estrelas.
- Não. Mas eu posso colocá-las no banco.
- Que quer dizer isto?
- Isto quer dizer que eu escrevo num papelzinho o número das minhas estrelas. Depois tranco o papel à chave numa gaveta.
..."
Do livro "O Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry - edição 1964

E por isso para a cidade que me vê, a mim e as estrelas, nestes dias.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Um ano a mais





quereria assim o meu ano seguinte
uma mó que deixasse de moer
encostada a uma parede branca
com sol.
E vestígios de sal.

varrer cinzas
varrer sortes

Um ano a menos

Na velocidade dos dias concêntricos vai-se o tempo

Ficam cadeiras vazias e a elegância postiça não é mais que
plástico de montra


...uma folha apanhada a esmo
no espírito amarrotado.

Sirvam pelo menos como húmus da terra
ao aprender, ao apreender
os desastres passados.

terça-feira, dezembro 28, 2010

Todos os dezembros nos retorna o verde-esperança


Igrejas em Kiev, Ucrânia (fotos de Lígia E., Polónia)

Igreja em Skansen - Suécia (foto de Lígia E., Polónia)





Como educados todos fomos
no temor dos deuses, todos os santos e parentelas,
dos pecados e das boas acções,

seria previsível que na Terra, pelo menos a dos "crentes", houvesse a crença de um mundo melhor,
esforços para uma humanidade mais justa,
a procura duma forma de viver mais harmoniosa.

Ou, o que serve para quem acredita no divino tanto como para quem acredita no humano:
não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti

Já hoje dizia no improviso de falar a uma amiga:

"só espero que o ano a seguir seja mais,
sei lá,
pacato e concreto"


...pouca coisa... mais PAZ que matéria.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Do arco do tempo a que se segue um outro ano

Fora ou dentro do castelo estarão as sombras
com o olhar ponto-de-fuga mais longe.

Alguma figura de renda antiga esvoaça na madeira decadente.
Quem a sonhou, quem a abandonou?




Reflexo ou realidade, as aves e as árvores - mesmo as amputadas - fazem o seu caminho, na liberdade das suas asas e folhas como elas.



Aos meus amigos, os conhecidos, os nem tanto ambos,
e mesmo aos que passam calados e assim despercebidos,
que a época lhes seja Feliz e continuada
com as esperanças as coragens e os afectos

precisaremos de dobrar os dias com o dobro das forças.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Palavras de terceiros



Bagatelas.
São... "coisas que se dizem"! As conversas são um jogo de funda e pedra atirada: David-Golias e os pequenos ajudantes.

Nestes momentos, o que me apetece é colocar malaguetas contra
- a in verdade
- o mau gosto
- a má criação
- os olhos enviesados
- as palavras grosseiras

E sentar-me, sem desejar, estátua calada, na nudez das paredes.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

"José e Pilar" documentário de Miguel Gonçalves Mendes

Começou por se questionar escrevendo. Em algum canto modesto como este.

Recomeçou a vida, par a par com outra árvore. E duas árvores sempre se dão mais força.

(a palavra escrita na estátua é HONESTIDADE.
Poderia ser "Coerência", "Rectidão", "Integridade"... poderia ser uma palavra qualquer que resumisse um Homem Novo).

Seguiu construindo pedra a pedra, como os seus livros, a sua Montanha Mágica. Uma fragilidade aparente, as pedras dum vulcão de ideias.
Um melhor futuro para a Humanidade.

Irradiante como era o sol da sua Palavra.
***
E tirei-me das minhas tamanquinhas, a muito custo ...
depois de ter feito umas tantas perguntas e posto questões. Lá teve de ser: uma ida a um CC impessoal e igual a todos, uma coisa em recantos de secretismo, anúncios da moda global, no fundo de corredores e escadas enrolantes, cheiro de pipocas e cartazes de fancaria. Na penumbra, meia dúzia de pessoas, uma chorava.

Gostaria de ter visto este documentário entre amigos, muitos.
Saber assim, desacompanhada de calor humano, do dia a dia de um homem comum, tão nosso, fez-me ficar no silêncio, perto da emoção abafada.
(homem de quem as notícias foram/são poucas, neste país de gente miúda, documentário feito por um jovem teimoso, acompanhamento duma mulher persistente e lutadora)
Um documento indispensável e comovente. Não fiquei a saber mais sobre Saramago e Pilar: fiquei a conhecer a sua família alargada, a sua casa, os seus livros, a luz da janela, a sua humildade, a sua discreta alegria, as ondas de calor humano que o envolveram.
Duma imensa grandeza.