domingo, março 13, 2011

As fadas





...deste Inverno.

Tantas que terei de as soltar algures,
como um cantar
num movimento-momento colorido que me fique para o ano inteiro.

terça-feira, março 08, 2011

8 de Março (1948-58-68)



Debati-me desde a madrugada contra os slogans.
Mas se eu/nós os comemorávamos antes do 25 de Abril, no segredo dos risos e da importância das decisões que então - as jovens - tomavam?
Porque não HOJE
lembrar as minhas mulheres,
as que foram, as que estão, as que hão-de vir?
Feliz dia, antes e futuro, minhas queridas mulheres. Força num mundo solidário.
Não o pacote de arroz, antes o afago. O dia a dia.
Olhar a direito, mesmo com os olhos ainda ou já cerrados.

(a uma, hoje, ouvi o chôro e dei da minha comida - ser solidária é um estado de estar vivo. Sempre fui um ser de partilha e os bocados de mim estão no espalhar de um universo cheio de cometas fulgurantes; se só eu os recordo, que importa?)

segunda-feira, março 07, 2011

Por estas alturas do fim do Inverno





... as camélias salvam-me da cinza.

E dizem, segredam um piscar de pétalas:

"forget me not"

quinta-feira, março 03, 2011

Clausuras








Sempre de clausuras várias somos feitos.
Das casas, das emoções, dos sentidos presos.
Pelo desencanto, do cansaço.
De grades ou pelas conveniências.

Tempo verbal que nunca chegou a expressar-se claramente mas foi/é usado: enclausurar, conservar dentro; pode ser uma mão nos olhos, uma ferrugem do tempo.

Quando se corta o caminho, quando se evita a palavra, quando se prefere o ruído ao silêncio.
E a parede é somente uma parede áspera, sem espera.

As flores do meu (des)contentamento



Ofereci uma japoneira - cameleira -, esta, há muitos anos.
Julgo que as camélias podem crescer selvagens em lugares onde ninguém vai,
como pessoas,
mas alguma vez plantadas e olhadas com amor -
com desvelo de as ver crescer.

Tenho saudades dos tons.
Dos sons.
E olho esta árvore sobressaltada com a sua solidão.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

25 dum Fevereiro





Além de aniversários, parabéns e isso tudo que se diz, e se supõe verdadeiro e feliz,

há as datas que nos ocorrem, sempre - e nem no serem sempre são boas.

Hoje é dia de Londres e de pensar na minha Amiga, recordar-lhe o riso e a lágrima, pensar no lapso, na ausência de pensar.
Toma lá uma flor que não vês, tu que uma vez disseste "nunca ninguém me deu flores" e te rias com e para elas, às portas do metro.

Fazes-me falta há que tempos.
Nunca mais houve uma pureza, de intenções e outras, nem uma compreensão como as tuas.
Bem sei que me repito; mas nas outras fotografias a tua, a nossa, alegria enche por demais a identidade que fomos.

Inverno




Chego-me,
chega-se-me a esta altura
e só me apetece ver como resistem ainda as rainhas do inverno,
uma saudade de camélias

Que dos troncos secos surgem as primeiras folhas da estação
já breve.
Se umas se despedem de ontem, as outras nos acenam o amanhã.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Dança













Como a pensei esta semana no PPP.
Pas de deux

e os minutos que andei à volta do "Lago dos Cisnes"
para lhes sentir a frescura, a elegância, a música dos seus gestos.

Para certas harmonias têm os meus olhos uma paciência santificada.
Mesmo com olhos desfocados pela impaciência de os reter.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

10 Minutos de Céu









... esperando a Primavera, promessas
nos troncos
nas pessoas

harpas nos ramos já tocadas pelo futuro de folhas
troncos lúcidos

ignorantes gentes
da seiva
e de tantas mudanças de que o universo se compõe

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Um quadro da tarde

(o lugar existe
o sol põe-se lá ao fim da rua)



assim
estaria bem, eu dentro da paisagem.

Longe de lugares e mais perto da terra.

(volto sempre, em pensamento, onde gosto, a quem)

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

11 anos

Vi hoje os espinhos de tantas rosas, de tantos maios.






As luzes são ao longe.
De um lado os canhões, do outro, poentes sem escolha.

(um preso sem culpa que é solto, poderá sentir-se alegre, sim, poderá!
mas nunca esquecerá uma hora, uma noite, de prisão. Nunca.)

Eu estou noutro lugar, só.

Lugar iluminado a meu gosto - entre oliveiras
e brisas de (muito)pensar
e pedras de andar (gastas)
e (inúteis) papéis de rasgar

- coisas, enfim, tão (re)conhecidamente minhas.