quinta-feira, abril 14, 2011

Noite segunda












E eis que na rebelde noite, no remexer a saudade dos livros e lugares,
do pensar nos ilusionistas do poder,
me surge o Homem da Terra, calcorreador de montes e humanidade.
(Adolfo Correia Rocha) Miguel Torga (1907-1995): médico de origem humilde e escrevedor ilustre das nossas décadas sombrias. Teve o gosto o dizer, fazendo: "...a única maneira de ser livre diante do poder, é ter a dignidade de o não servir".

Sentei-me com a meada da sua prosa, da sua poesia que criava um mundo sobrenatural, dos seus bichos, dos seus deuses da montanha, das suas pedras. E no caminhante que foi, reconheci como amava e sofria o mal do país que somos.

"...um povo que pelos séculos dos séculos teria de arrastar um destino próprio, a fazer milagres da pobreza do chão, das vogais da língua, do lirismo da alma".

Tínhamo-nos debruçado no Douro, rio e terras que tanto amava e donde antepassados nos vieram.
Mas foi aqui que o reencontrei, a uma mesa alentejana, numa aldeia de ruas azuis e ocres.
Pelas cinco da manhã, ainda conversávamos sobre o adeus da última estrela da noite.

E também senti a nostalgia da falta
desse lugar pequeno e imenso que é a terra do Sul.


terça-feira, abril 12, 2011

Noite




Nas bolandas minhas, encontrei Fernando Namora (1919-1989). Já não nos víamos há tempos e falamos de metáforas. Assunto que me é grato, ou melhor, prato (do dia-a-dia).
Nos tantos livros, sociedades em girândola e em tempo de médicos iletrados.
E lembrei "Fogo na Noite Escura", de 1943, que o li cedo e compreendi tarde.
Disse-lhe que me ficou um fascínio medroso do fogo de artifício.

a propósito de quê? Vidas e voltas

sítios onde gostaria de estar e de que tenho SAUDADE.

quarta-feira, março 30, 2011

Política de barraca


...ou de como ultrapassar a crise.

(andam a brincar não aos pescadores mas aos cowboys)

Este é o meu comentário.
(a foto surgiu-me inopinada a mente, após leituras várias)

quarta-feira, março 16, 2011

Exposição na Biblioteca Almeida Garrett Porto 12.03.2011



Ora! para o que me deu...uma trabalheira e os olhos piscos pela noitada.
Conseguir carregar-me euzinha, entender-me nas estrelinhas e entrelinhas, escolher (e afinal parece-me que saíram mais do que as escolhidas), endadovidar-me - quer dizer, dar os meus dados de novo ao éter - esperar pelo gestor da coisa, o carregamento, o espaçamento...
um tormento!
Bem sei, a crise... a gravataria em procissão, os espécimes dos camiões que dão a fruta e o leite à gente - sim, que as vacas e as leitarias não têm leiteoducto ou já tinha sido contaminado, boicotado, eu sei lá! - o gasóleo, o nuclear, o enrascanço (e o "des" de alguns), os buracos de golf e outros.
Uma pocilga.

Obrigadinho, já a tenho que chegue, à crise.

Olharei para a minha 1st movie, look at the trailer
com a paciência que para a beleza tenho.

domingo, março 13, 2011

As fadas





...deste Inverno.

Tantas que terei de as soltar algures,
como um cantar
num movimento-momento colorido que me fique para o ano inteiro.

terça-feira, março 08, 2011

8 de Março (1948-58-68)



Debati-me desde a madrugada contra os slogans.
Mas se eu/nós os comemorávamos antes do 25 de Abril, no segredo dos risos e da importância das decisões que então - as jovens - tomavam?
Porque não HOJE
lembrar as minhas mulheres,
as que foram, as que estão, as que hão-de vir?
Feliz dia, antes e futuro, minhas queridas mulheres. Força num mundo solidário.
Não o pacote de arroz, antes o afago. O dia a dia.
Olhar a direito, mesmo com os olhos ainda ou já cerrados.

(a uma, hoje, ouvi o chôro e dei da minha comida - ser solidária é um estado de estar vivo. Sempre fui um ser de partilha e os bocados de mim estão no espalhar de um universo cheio de cometas fulgurantes; se só eu os recordo, que importa?)

segunda-feira, março 07, 2011

Por estas alturas do fim do Inverno





... as camélias salvam-me da cinza.

E dizem, segredam um piscar de pétalas:

"forget me not"

quinta-feira, março 03, 2011

Clausuras








Sempre de clausuras várias somos feitos.
Das casas, das emoções, dos sentidos presos.
Pelo desencanto, do cansaço.
De grades ou pelas conveniências.

Tempo verbal que nunca chegou a expressar-se claramente mas foi/é usado: enclausurar, conservar dentro; pode ser uma mão nos olhos, uma ferrugem do tempo.

Quando se corta o caminho, quando se evita a palavra, quando se prefere o ruído ao silêncio.
E a parede é somente uma parede áspera, sem espera.

As flores do meu (des)contentamento



Ofereci uma japoneira - cameleira -, esta, há muitos anos.
Julgo que as camélias podem crescer selvagens em lugares onde ninguém vai,
como pessoas,
mas alguma vez plantadas e olhadas com amor -
com desvelo de as ver crescer.

Tenho saudades dos tons.
Dos sons.
E olho esta árvore sobressaltada com a sua solidão.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

25 dum Fevereiro





Além de aniversários, parabéns e isso tudo que se diz, e se supõe verdadeiro e feliz,

há as datas que nos ocorrem, sempre - e nem no serem sempre são boas.

Hoje é dia de Londres e de pensar na minha Amiga, recordar-lhe o riso e a lágrima, pensar no lapso, na ausência de pensar.
Toma lá uma flor que não vês, tu que uma vez disseste "nunca ninguém me deu flores" e te rias com e para elas, às portas do metro.

Fazes-me falta há que tempos.
Nunca mais houve uma pureza, de intenções e outras, nem uma compreensão como as tuas.
Bem sei que me repito; mas nas outras fotografias a tua, a nossa, alegria enche por demais a identidade que fomos.

Inverno




Chego-me,
chega-se-me a esta altura
e só me apetece ver como resistem ainda as rainhas do inverno,
uma saudade de camélias

Que dos troncos secos surgem as primeiras folhas da estação
já breve.
Se umas se despedem de ontem, as outras nos acenam o amanhã.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Dança













Como a pensei esta semana no PPP.
Pas de deux

e os minutos que andei à volta do "Lago dos Cisnes"
para lhes sentir a frescura, a elegância, a música dos seus gestos.

Para certas harmonias têm os meus olhos uma paciência santificada.
Mesmo com olhos desfocados pela impaciência de os reter.