PRECISO urgentemente de um lugar
uma casa pousada na terra
onde o caminho para ela fosse uma aproximação às rosas
fortes.
Mas, ao mesmo tempo reparar na fragilidade dos lírios
bravos.
sem fichas nem pilhas nem intenções várias
horários de cumprir
longe de memórias de cidade
sem gentes populosas
Mansa a mente
terça-feira, maio 17, 2011
De Maio as vontades
terça-feira, maio 10, 2011
Acontece
Vamos lá a arejar o mofo das palavras, deixar de nos azucrinar sempre com a mesma conversa da pobreza, da modéstia, da virtude e da poupança. Comecem, meus senhores, façam o favor de nos contarem como quando e onde!
Ou foram passar uns dias à "segunda casinha" e deixaram o papel na porta?
"... que de tantas notícias e agravos,
fico sem pernas nem rabos"
(e num ápice me aparecem as imagens, saltam do tempo, saltam das pedras que falam)
(se não fosse a infeliz e antiga data, pareceria que todos agora se reúnem e debatem de-bates de-bitam bitaites
para "nos melhorar", na avenida, da larga e deformada informação que servem, todos os dias, todos os dias)
Caramba, todos os dias e ainda falta tanto para "a pausa para reflexão"!"
quarta-feira, maio 04, 2011
Vim aqui
... estes anos,
quase 500 vezes.
Com a brandura dos ninhos a esperança das aves
ainda por nascer.
Nem poemas nem dissertações:
apontamentos.
Das redes e dos bichos, das interrogações, das memórias.
Talvez um dia me volte só para o chão e me debruce nas flores
nas ervas;
atentamente
e nada disto tenha importância.
De maior.
Da confusão dos tempos
Vamos ter de aprender a respirar sem guelras.
Em breve passará Maio e as estações correm fora do comboio.
Parece nem haver mais paisagem fora da linha que (nos)traçaram.
Parece que nem se sabe o que se há-de pensar: será que querem (quem?) que a gente não saiba pensar - nem em quê. Será.
Truques: devo dizer que já vi este filme; em longa ou curta metragem, em episódios, em reposição. Os extras, os duplos, a darem cambalhotas pelos actores principais.
Depois destas dias de bocas - digo mesmo: lábios enrugados e oblíquos - e presunções pervertidas
ameaças suposições mentiras e descalabros de linguagem
e caras (re)vertidas
dei por mim a encontrar Bordalo, a mordacidade;
e achei-o escandalosamente actual.
domingo, maio 01, 2011
Os dias da cor


E os cravos de 25 de Abril chegam sempre a Maio.
Há uma infinita saudade da ingenuidade libertadora, desse fluxo de um lado para o outro, da avenida. Da alegria nas cores da gente.
Com a certeza hoje que nos bate coração adentro, sentimos, dizemos:
viva o 1º de Maio!
quarta-feira, abril 27, 2011
De onde?
Uma pata que agarra e fere.
Das ameaças, do país destas gentes e das outras.Sentar-me num lugar que nem sei bem onde
... a ver o branco que no mar se põe entre a luz e a sombra.
Surgem-me fotografias do nada.
Já o escrevi - se não o fiz, pensei dizer - :
nem sei se imagino ao olhá-las
se elas olham para mim e me fazem pensar nas coisas
que me estão a flutuar
inconscientes.
quinta-feira, abril 21, 2011
Dia no quarto ou a cidade onde gosto de estar é diferente da cidade onde estou. Mesmo por dentro.
Nada lhe diz o deserto de cimento, nem a câmara, divorciada está do seu sorriso.
De costas.
Porque eles, sorriso e pose, se dirigiam aos pombos e às flores, aos canteiros que não existem.
As tendas de plástico e as grandes parangonas iguais em todo o mundo, também nada lhe acrescentam à bela imagem.
No princípio (do mandato) havia tulipas de todas as cores, caríssimas as pensei, importadas. (como se a gente se importasse com paixões sazonais destes políticos e dos chupa-chupas que oferecem nos intervalos).
Desde pequena que me cruzo com ela. Ali perto, era (é) o Banco de Portugal onde ia receber o ordenado dos Correios, com o meu pai. Havia tanta coisa imponente que me fascinava: um elevador-caixa que andava para cima e para baixo, na parede, com papéis; tectos altíssimos, bancadas de mármores coloridas, gente antiga à frente dos cofres, rostos de ambos fechados e carrancudos.
Mas e sempre - muito me preocupei com o avesso das coisas... - espreitava de joelhos num banco enorme, as traseiras dos edifícios. Mania que me ficou.
A menina sorri como a vi há muitos anos - também o meu primeiro emprego era ali perto.
Deseja andorinhas e primaveras e 25 mil esperanças de Abril a todos os que me "conhecem".
(diria mais, por causa de nos terem empenhado o futuro: 25 mil milhões de esperanças para dividirmos)
segunda-feira, abril 18, 2011
Noite terceira
Há madrugadas assim
a Lua enevoada tem cara e perfil de pessoa e há realmente um velho com um feixe
ou um mundo outro
eternamente às costas.
ou sou eu que me nublo e encurvo?
quinta-feira, abril 14, 2011
Noite segunda
E eis que na rebelde noite, no remexer a saudade dos livros e lugares,
do pensar nos ilusionistas do poder,
me surge o Homem da Terra, calcorreador de montes e humanidade.
(Adolfo Correia Rocha) Miguel Torga (1907-1995): médico de origem humilde e escrevedor ilustre das nossas décadas sombrias. Teve o gosto o dizer, fazendo: "...a única maneira de ser livre diante do poder, é ter a dignidade de o não servir".
Sentei-me com a meada da sua prosa, da sua poesia que criava um mundo sobrenatural, dos seus bichos, dos seus deuses da montanha, das suas pedras. E no caminhante que foi, reconheci como amava e sofria o mal do país que somos.
"...um povo que pelos séculos dos séculos teria de arrastar um destino próprio, a fazer milagres da pobreza do chão, das vogais da língua, do lirismo da alma".
Tínhamo-nos debruçado no Douro, rio e terras que tanto amava e donde antepassados nos vieram.
Mas foi aqui que o reencontrei, a uma mesa alentejana, numa aldeia de ruas azuis e ocres.
Pelas cinco da manhã, ainda conversávamos sobre o adeus da última estrela da noite.
E também senti a nostalgia da falta
desse lugar pequeno e imenso que é a terra do Sul.
terça-feira, abril 12, 2011
Noite
Nas bolandas minhas, encontrei Fernando Namora (1919-1989). Já não nos víamos há tempos e falamos de metáforas. Assunto que me é grato, ou melhor, prato (do dia-a-dia).
Nos tantos livros, sociedades em girândola e em tempo de médicos iletrados.
E lembrei "Fogo na Noite Escura", de 1943, que o li cedo e compreendi tarde.
Disse-lhe que me ficou um fascínio medroso do fogo de artifício.
a propósito de quê? Vidas e voltas
sítios onde gostaria de estar e de que tenho SAUDADE.
quarta-feira, março 30, 2011
Política de barraca
...ou de como ultrapassar a crise.
(andam a brincar não aos pescadores mas aos cowboys)
Este é o meu comentário.
(a foto surgiu-me inopinada a mente, após leituras várias)
quarta-feira, março 16, 2011
Exposição na Biblioteca Almeida Garrett Porto 12.03.2011
Ora! para o que me deu...uma trabalheira e os olhos piscos pela noitada.
Conseguir carregar-me euzinha, entender-me nas estrelinhas e entrelinhas, escolher (e afinal parece-me que saíram mais do que as escolhidas), endadovidar-me - quer dizer, dar os meus dados de novo ao éter - esperar pelo gestor da coisa, o carregamento, o espaçamento...
um tormento!
Bem sei, a crise... a gravataria em procissão, os espécimes dos camiões que dão a fruta e o leite à gente - sim, que as vacas e as leitarias não têm leiteoducto ou já tinha sido contaminado, boicotado, eu sei lá! - o gasóleo, o nuclear, o enrascanço (e o "des" de alguns), os buracos de golf e outros.
Uma pocilga.
Obrigadinho, já a tenho que chegue, à crise.
Olharei para a minha 1st movie, look at the trailer
com a paciência que para a beleza tenho.
domingo, março 13, 2011
As fadas
...deste Inverno.
Tantas que terei de as soltar algures,
como um cantar
num movimento-momento colorido que me fique para o ano inteiro.
terça-feira, março 08, 2011
8 de Março (1948-58-68)
Debati-me desde a madrugada contra os slogans.
Mas se eu/nós os comemorávamos antes do 25 de Abril, no segredo dos risos e da importância das decisões que então - as jovens - tomavam?
Porque não HOJE
lembrar as minhas mulheres,
as que foram, as que estão, as que hão-de vir?
Feliz dia, antes e futuro, minhas queridas mulheres. Força num mundo solidário.
Não o pacote de arroz, antes o afago. O dia a dia.
Olhar a direito, mesmo com os olhos ainda ou já cerrados.
(a uma, hoje, ouvi o chôro e dei da minha comida - ser solidária é um estado de estar vivo. Sempre fui um ser de partilha e os bocados de mim estão no espalhar de um universo cheio de cometas fulgurantes; se só eu os recordo, que importa?)