Estes foram os meus pais: eu estou lá. Hoje, estou eu aqui e eles sorriem ao longe de mim, um para o outro, uma e outra vez, tal como viveram.
Eu... penso, logo
existo.
(numa pressa da net que vou estando fora, ainda)
"To be or not to be" this is still my question
Estes foram os meus pais: eu estou lá. Hoje, estou eu aqui e eles sorriem ao longe de mim, um para o outro, uma e outra vez, tal como viveram.
Eu... penso, logo
existo.
...este país tão lindo - tão diverso
e tão diferente do que falam em Lisboa, os(es) croques, ou melhor os craques, da economia, da bola e outros!
Esta gente sem fundos, com terra e sem nada,, uma laranja, mil laranjas e ninguém para as colher!
Este lugar de sul.
Esta paisagem imensa, dos bolos artesanais, do arroz de lebre, de xarém de conquilhas.
Os estrangeiros de mil vozes diferentes, espapaçados ao sol, camarões cozidos saídos de pátrias de "forte economia" e fraco sol.
O medronho, o medonho de não amar esta terra. Os homens de fato.
De facto, não são homens mas palhaços.
Acabo por agora as minhas cogitações, ligações. As mais recolhidas num "click"; mais as lembranças das "viagens à solta"; e este "bets" que se cruza e toca em todos os outros. Que sendo eu, no entanto se afasta cada vez mais do real, pé ante pé ou dia após dia.
Como um desenho em zig-zag do que vou/sou/sinto.
... onde encontro a oração, a praga dos meus tempos.
Deste mês de perdas.
Nas batalhas dos silêncios - tantos se calaram - e nas guerras de ausências - tantos saíram.
Levo este Maio comigo,
e murmuro o que me (re)tiraram e o que foi apagado.
Nem uma lápide de bronze ou pedra chegaria.
Tantas as vezes que me faltam as palavras simétricas da realidade e recorro aos livros!
Aos que me passam agora, os por que passei. Como se o emparedamento se partisse.
... e pousamos...
nas águas das nossas palavras ditas e nas guerras dos nossos silêncios.
A vida é apenas um reflexo atrás de nós.
Belo se assim o quisermos fazer.
Ou soubermos ver.
(no PPP em 12.4.12)
O que me lembrou recuados anos 90, "O Pêndulo de Foucault" de Umberto Eco, pág. 553, onde li
"...que no momento final, quando a vida, superfície sobre superfície, se incrustou de experiência, saberás tudo, o segredo, o poder e a glória, porque nasceste, porque estás a morrer, e como tudo poderia ter sido de outra maneira.
És um sábio. Mas a sabedoria maior, nesse momento, é saber que só o soubeste demasiado tarde. Compreende-se tudo quando não há mais nada a compreender."
Mesmo que eu fosse de bronze mármore ou de pau mas tivesse sangue nervos e ossos,
ainda assim sentiria as dores,
debruçada nos desenhos (meus) mentais, reconstruindo as histórias em contornos imprecisos,
usando a areia do tempo antigo,
do Molhe, do Castelo do Queijo, de Salgueiros, da Aguda, de S. Pedro de Moel.
E tantas outras que ficam a sul de mim.
(de não haver interlocutor desses recuados anos mas e apenas camélias
- e um monte difuso de roupa que não usamos mais)
Era uma vez uma ave comum.
Era uma vez uma presença habitual.
Era uma vez uma ave e um corpo que se afastaram
pelo céu-praia-terra adiante.
(chamava-se mãe e era o nome/chamava-se ave e era o vôo)
Se mais uma estrela brilha? Não sei mas gostava de acreditar.
Falta-me tempo, falta-me ar.
Vou para eles.
Ah... o tempo, dizem, o tempo.
Palavras de uma mulher para o homem que a cortejava, do conto "Sedução" pág. 123, Edição Cavalo de Ferro, livro "Amores Feiticeiros" de Tahar Ben Jelloun, escritor marroquino de língua francesa:
"- Então pior para ti. Eu não preciso de dinheiro. Preciso de sentimentos, de palavras, de palavras que é necessário escolher, de flores a que se chamam cuidados, de rosas a que se chama presença, de sonhos que habitam as árvores, de canções que fazem dançar estátuas, de estrelas que segredam ao ouvido dos amantes... Preciso de poesia, dessa magia que incendeia o peso das palavras, que desperta as emoções e lhes dá novas cores. As palavras escolhem combinações inesperadas e proporcionam-nos embriaguez e alegria, transportando-nos a lugares que os homens esqueceram. É disso, meu caro, que eu preciso.".
Preciso da humildade e do orgulho de escolher as minhas flores.
De palavras que aquietem.
Hoje.