domingo, julho 08, 2012
Algo interior mas completamente diferente
Os meus "jogos" de pensamentos, numa melancolia subterrânea:
..."Agora, vejo-o, no meio do velho círculo, no velho jardim: todos recomeçamos a viver, com as velhas paixões. Pus o meu vestido lilás. Como se vestisse um dos meus antigos disfarces, o disfarce da vida. Senti que tudo o que caracteriza um ser humano - a sua força e comportamento - evoca nos adversários a memória de certas sensações."...
Do livro "A Herança de Eszter" de Sándor Márai - (excerto da pág. 57,publ. D. Quixote)
Tais as lembranças e heranças.
quarta-feira, junho 27, 2012
O Jogo
Ouço ao longe o "relato". Pelas gentes ululantes que me cercam e gritam.
Escuso de ver o jogo Portugal-Espanha, como na escola as guerras do livro: que pena tinha dos espanhóis que perdiam sempre. Até virem os Filipes.
Ou o final do jogo.
Ganhar moralmente.
Gritam.
Não pelos subsídios retirados nem pelas filas nos postos médicos (chamados agora centros de saúde).
Não pelo desemprego nem incêndios. Não pela (in)cultura. Não pela desfaçatez governante.
Gritam por uma dúzia de bacanos, re-pagos a peso de ouro, e seus acólitos. Pelo futebol, pela selecção nacional, o que quer que isso signifique. Europeus... pifff.
Não votam por uma selecção de pessoas que defenda o bom carácter, as boas práticas da justiça, a terra amável que temos.
Não senhor. Rugem, uivam e ululam: no tempo do salazarento era permitido: fado, futebol, fátima.
Os três efes que nos deram cabo dos miolos durante décadas.
Futebol como desporto, sim; a competição gera o lucro e os juros dele, o dinheiro gera agiotas.
São profissionais? de quê? da bola? da cortiça? do azeite? das letras? das artes?
Como europeus... pifff.
Talvez pô-los a jogar no Parlamento Europeu. Durão à defesa, dos seus interesses, claro Mao-forever.
Capitalizar o livrinho vermelho. Bola escondida na manga. Reformas que saem das percentagens do país: quentinhos, voltam ao ninho. Serão dignos conselheiro dum estado futuro.
Like a puppet on a string.
Sem cabeça, membros decepados pela gula do lucro.
Sinais contrários.
Mares pouco navegados.
Pela arreata. Lá se vai a bolsa, a coisa "indíce" jones qualquer coisita. O lixo por que nos tomam (a menos que seja para férias, eh eh eh...). Tão amáveis e pacatos somos! E baratos.
Não gosto. Pessoalmente, não: admito quem goste e goze com isso.
Como a procissão das velas.
Mas além de o parecer, deve ser: vertical.
sexta-feira, junho 22, 2012
Mar e mar - ir ao fundo e voltar
Ah... mar sempre diverso
tão perto me estás e tão longe me ficas.
Como gente.
Falas, murmuras, suplicas, ficas furioso, escondes-te, és traiçoeiro, és manso, és doce e bravo.
E mentes quando dizes "eternamente"; ou para sempre, é o mesmo: recuas ao menor indício de luas.
Voltar não se volta, ao mesmo mar.
"Sleep not, dream not; this bright day
Will not, cannot last for aye;
Bliss like thine is bought by years
Dark with torment and tears"
(Brontë Poems, "Sleep not", 1846)
quarta-feira, junho 13, 2012
Pais
Estes foram os meus pais: eu estou lá. Hoje, estou eu aqui e eles sorriem ao longe de mim, um para o outro, uma e outra vez, tal como viveram.
Eu... penso, logo
existo.
(numa pressa da net que vou estando fora, ainda)
domingo, maio 20, 2012
De longe de faz (de conta) perto
...este país tão lindo - tão diverso
e tão diferente do que falam em Lisboa, os(es) croques, ou melhor os craques, da economia, da bola e outros!
Esta gente sem fundos, com terra e sem nada,, uma laranja, mil laranjas e ninguém para as colher!
Este lugar de sul.
Esta paisagem imensa, dos bolos artesanais, do arroz de lebre, de xarém de conquilhas.
Os estrangeiros de mil vozes diferentes, espapaçados ao sol, camarões cozidos saídos de pátrias de "forte economia" e fraco sol.
O medronho, o medonho de não amar esta terra. Os homens de fato.
De facto, não são homens mas palhaços.
terça-feira, maio 08, 2012
Viagens para que vos quero!
Acabo por agora as minhas cogitações, ligações. As mais recolhidas num "click"; mais as lembranças das "viagens à solta"; e este "bets" que se cruza e toca em todos os outros. Que sendo eu, no entanto se afasta cada vez mais do real, pé ante pé ou dia após dia.
Como um desenho em zig-zag do que vou/sou/sinto.
Cadeiras de silêncio. Alguma luz de "clarabóias". Emaranhados.
Pés ou chinelos ao caminho.
E lo co movo-me.
domingo, maio 06, 2012
Mãe
..."Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves."
Poema à Mãe, de Eugénio de Andrade
(onde te queria, um lugar sem lápides mas com terra e rosas; onde te pudesse pensar, solta a mente, sem o terror de te saber onde)
quinta-feira, maio 03, 2012
Recordações de museu
... onde encontro a oração, a praga dos meus tempos.
Deste mês de perdas.
Nas batalhas dos silêncios - tantos se calaram - e nas guerras de ausências - tantos saíram.
Levo este Maio comigo,
e murmuro o que me (re)tiraram e o que foi apagado.
Nem uma lápide de bronze ou pedra chegaria.
Nem o resto da vida devolvida.
segunda-feira, abril 23, 2012
Com as palavras
Das escadas que não sei donde vêm, abre-se uma porta que não sei para onde vai.
Um bailado parado, uma fila de gente que espera.
Assim me são as palavras, breves e leves, sem nenhum sentido aparente, só um pó de passos-gestos passados.
Elegia de um ser que parece e não é."
Fantasmas
Tantas as vezes que me faltam as palavras simétricas da realidade e recorro aos livros!
Aos que me passam agora, os por que passei. Como se o emparedamento se partisse.
Num repente e como as formas de criança onde na praia se faziam figurinhas de areia, aparece uma luz que me ilumina o dia. Aparece um sinal ou um aviso: este surgiu-me pela proximidade dos 38 anos de Abril.
"Mergulhados no medo e na suspeita,
a mente agitada, os olhos aterrados,
tentamos desesperadamente inventar saídas,
planeamos formas de evitar
o perigo evidente que tão terrivelmente nos ameaça.
Porém estamos enganados, não é esse o perigo que está para vir:
a notícia estava errada
(ou fomos nós que não ouvimos, ou não a percebemos bem).
Outro desastre, que nunca imaginámos,
de repente, com violência, abate-se sobre nós,
e, apanhando-nos desprevenidos - agora é tarde -,
atira-nos por terra."
Constantino Kavafis (citado no livro de Panos Karnezis "Pequenas grandes infâmias" edição Cavalo de Ferro.
Fotos da exposição Festival Internacional de Cultura Urbana, Palácio Santa Catarina, Nov. 2010
quinta-feira, abril 12, 2012
Assim somos
... e pousamos...
nas águas das nossas palavras ditas e nas guerras dos nossos silêncios.
A vida é apenas um reflexo atrás de nós.
Belo se assim o quisermos fazer.
Ou soubermos ver.
(no PPP em 12.4.12)
O que me lembrou recuados anos 90, "O Pêndulo de Foucault" de Umberto Eco, pág. 553, onde li
"...que no momento final, quando a vida, superfície sobre superfície, se incrustou de experiência, saberás tudo, o segredo, o poder e a glória, porque nasceste, porque estás a morrer, e como tudo poderia ter sido de outra maneira.
És um sábio. Mas a sabedoria maior, nesse momento, é saber que só o soubeste demasiado tarde. Compreende-se tudo quando não há mais nada a compreender."
