quarta-feira, agosto 29, 2012

Dia de PPP (encontro de quando em vez)

Ele há dias
em que o melhor de tudo são as flores e amigos do acaso.
Os fios que se entretecem, entretêm.





Ancorar nas histórias da infância, as de final feliz.
Das outras, as da solidariedade humana.

Ele há dias
em que o melhor de tudo é deixarmo-nos reger pelo ar que faz, que irá fazer, pelo sol.





São assim, alguns dias em que temos o sol na cabeça e nos sentimentos.


(foto do relógio de sol, tirada por M. no Museu de Odrinhas)

quarta-feira, agosto 15, 2012

Citação da semana (arrastada)


"I adore simple pleasures. 
They are the last refuge of the complex".

Como o sinto;  e volto à poética ironia de Oscar Wilde (1854-1900).


Nascido na Irlanda, lugar do postal duma ovelha lilás.
E os prazeres simples são, sim, um refúgio.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Do lado de lá do monte










Há um luar que resiste acima do fim da noite. Que me chama em brilho sobre o aveludado escuro.

Fica num sinal transparente mas definido, ao lembrar 5 meses de não-presença.

E lá fui, num instante improvável, atrás dos horizontes mais limpos.
E tendo para ouvir, além de Verdi, a leitura silenciosa das pedras.

domingo, julho 15, 2012

A(massa)









Alguém amassa a massa, com ternura e com azeite.

Ou com palavras, bem tendidas, bem misturadas com o sal, o real.

Assim somos, os fazedores de sonhos.
Lembrança de férias e de gente que tenho o gôsto de conhecer. De trabalhos que produzem belezas, de paladar, bom gosto, de formas, de imaginação. Bem hajam os que trabalham, sem emes bês áás mas com a sinceridade do espírito prático.
Precisamos muito das pequenas coisas diárias, assim feitas riso de mãos carinhosas, velhas e hábeis.
Que lhes seja dada a parte do governo deste lar, em vez dos façanhudos meninos de côro que andamos a ver em manobras sujas.

domingo, julho 08, 2012

Algo interior mas completamente diferente












Os meus "jogos" de pensamentos, numa melancolia subterrânea:


..."Agora, vejo-o, no meio do velho círculo, no velho jardim: todos recomeçamos a viver, com as velhas paixões. Pus o meu vestido lilás. Como se vestisse um dos meus antigos disfarces, o disfarce da vida. Senti que tudo o que caracteriza um ser humano - a sua força e comportamento - evoca nos adversários a memória de certas sensações."...

Do livro "A Herança de Eszter" de Sándor Márai - (excerto da pág. 57,publ. D. Quixote)
Tais as lembranças e heranças.

quarta-feira, junho 27, 2012

O Jogo

Ouço ao longe o "relato". Pelas gentes ululantes que me cercam e gritam.
Escuso de ver o jogo Portugal-Espanha, como na escola as guerras do livro: que pena tinha dos espanhóis que perdiam sempre. Até virem os Filipes.
Ou o final do jogo.
Ganhar moralmente.
Gritam.

Não pelos subsídios retirados nem pelas filas nos postos médicos (chamados agora centros de saúde).
Não pelo desemprego nem incêndios. Não pela (in)cultura. Não pela desfaçatez governante.
Gritam por uma dúzia de bacanos, re-pagos a peso de ouro, e seus acólitos. Pelo futebol, pela selecção nacional, o que quer que isso signifique. Europeus... pifff.
Não votam por uma selecção de pessoas que defenda o bom carácter, as boas práticas da justiça, a terra amável que temos.
Não senhor. Rugem, uivam e ululam: no tempo do salazarento era permitido: fado, futebol, fátima.
Os três efes que nos deram cabo dos miolos durante décadas.

Futebol como desporto, sim; a competição gera o lucro e os juros dele, o dinheiro gera agiotas.
São profissionais? de quê? da bola? da cortiça? do azeite? das letras? das artes?
Como europeus... pifff.
Talvez pô-los a jogar no Parlamento Europeu. Durão à defesa, dos seus interesses, claro Mao-forever.
Capitalizar o livrinho vermelho. Bola escondida na manga. Reformas que saem das percentagens do país: quentinhos, voltam ao ninho. Serão dignos conselheiro dum estado futuro.


Meias finais sem pés.

Like a puppet on a string.


 Sem cabeça, membros decepados pela gula do lucro.

Sinais contrários.
Mares pouco navegados.



Pela arreata. Lá se vai a bolsa, a coisa "indíce" jones qualquer coisita. O lixo por que nos tomam (a menos que seja para férias, eh eh eh...). Tão amáveis e pacatos somos! E baratos.

Não gosto. Pessoalmente, não: admito quem goste e goze com isso.
Como a procissão das velas.

Mas além de o parecer, deve ser: vertical.

sexta-feira, junho 22, 2012

Mar e mar - ir ao fundo e voltar



Ah... mar sempre diverso

tão perto me estás e tão longe me ficas.
Como gente.
Falas, murmuras, suplicas, ficas furioso, escondes-te, és traiçoeiro, és manso, és doce e bravo.
E mentes quando dizes "eternamente"; ou para sempre, é o mesmo: recuas ao menor indício de luas.
Voltar não se volta, ao mesmo mar.

"Sleep not, dream not; this bright day
 Will not, cannot last for aye;
 Bliss like thine is bought by years
 Dark with torment and tears"

(Brontë Poems, "Sleep not", 1846)

quarta-feira, junho 13, 2012

Pais

Estes foram os meus pais: eu estou lá. Hoje, estou eu aqui e eles sorriem ao longe de mim, um para o outro, uma e outra vez, tal como viveram.
Eu... penso, logo
existo.


(numa pressa da net que vou estando fora, ainda)

domingo, maio 20, 2012

De longe de faz (de conta) perto

...este país tão lindo - tão diverso
e tão diferente do que falam em Lisboa, os(es) croques, ou melhor os craques, da economia, da bola e outros!
Esta gente sem fundos, com terra e sem nada,, uma laranja, mil laranjas e ninguém para as colher!
Este lugar de sul.
Esta paisagem imensa, dos bolos artesanais, do arroz de lebre, de xarém de conquilhas.
Os estrangeiros de mil vozes diferentes, espapaçados ao sol, camarões cozidos saídos de pátrias de "forte economia" e fraco sol.
O medronho, o medonho de não amar esta terra. Os homens de fato.
De facto, não são homens mas palhaços.

terça-feira, maio 08, 2012

Viagens para que vos quero!

Acabo por agora as minhas cogitações, ligações. As mais recolhidas num "click"; mais as lembranças das "viagens à solta"; e este "bets" que se cruza e toca em todos os outros. Que sendo eu,  no entanto se afasta cada vez mais do real, pé ante pé ou dia após dia.
Como um desenho em zig-zag do que vou/sou/sinto.






Cadeiras de silêncio. Alguma luz de "clarabóias". Emaranhados.
Pés ou chinelos ao caminho.
E lo co movo-me.

domingo, maio 06, 2012

Mãe




..."Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

 Boa noite. Eu vou com as aves."

Poema à Mãe, de Eugénio de Andrade

(onde te queria, um lugar sem lápides mas com terra e rosas; onde te pudesse pensar, solta a mente, sem o terror de te saber onde)

quinta-feira, maio 03, 2012

Recordações de museu


... onde encontro a oração, a praga dos meus tempos.
Deste mês de perdas.
Nas batalhas dos silêncios - tantos se calaram - e nas guerras de ausências - tantos saíram.
Levo este Maio comigo, 
e murmuro o que me (re)tiraram e o que foi apagado.

Nem uma lápide de bronze ou pedra chegaria.





Nem o resto da vida devolvida.