segunda-feira, janeiro 21, 2013
A pressa
Espero por elas. Ainda hoje.
Como se contasse os meus invernos e afogasse em recordações
as camélias
da quinta "dos brasileiros" em frente da casa velha, contando - elas - a minha infância.
Nem parece possível, 4, 5, 6 anos. Estes anos, estes danos.
E assim fosse contando...
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Camélias (re)visitadas Jan 2013
sábado, janeiro 19, 2013
Poeta Luminoso
Faria 90 anos hoje, Eugénio de Andrade.
Ouvi-lo é voltar ao amor-cristal, à criança-sede, aos medronhos, à suavidade do tacto.
Cemitério Inglês
Aproximas-te da terra. Agora mais.
De olhos fechados contemplas uma pedra.
Pequena. Inabitável. Quase branca.
A perfeição seria se fosse água.
(Uma criança como nos sonhos canta.)
Do livro Antologia Breve, da Moraes Editora, 1980
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E.A. Aniversário nasc.
quarta-feira, janeiro 16, 2013
O cérebro pequeno
ou a inteligência do berbigão.
Apanhado longe, posto de molho com sal comum do dia, julga-se na água habitual.
A Assembleia Democrática a fingir - parece - do berbigão na minha cozinha.
Depois dos "roxinóis" de Lisboa. De "lucho".
(um dia não saberemos todos do que é nosso, o que nos tiram, o que nos vendem. Nem quem escreveu "a ditosa Pátria" ou a vai estuporando em forno lento, nem grandes nem pequenos: antes assim e assado).
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dia de berbigão 16.1.13
Os muros...
...e sempre para além deles.
Incessante procura da luz.
Tudo o que nos detém, tudo o que nos impede, tudo o que ultrapassamos.
Ou ladeamos, ou fingimos. E lemos sinais.
As razões dos muros e, tantas vezes, os muros da razão.
Onde moram?
Obstáculos que podem ser gente-indivíduo, doenças, dinheiros. E nós mesmos.
Pontos de passagem, de cruzamento, pontos de viragem.
Apenas podemos destruir muros entre algumas, as pessoas, no presente, no futuro, eu hoje, tu amanhã: só isso está nas nossas mãos.
Mesmo assim, há - inexpugnáveis -
os muros afogados/aflorados na água do esquecimento.
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Retic. PPP 10Jan.13
quinta-feira, janeiro 03, 2013
Brincadeiras de PPP
Foi a proposta do Palavra Puxa Palavra, com a sílaba "tri".
Tantas vezes o pensamento no olhar extravasa a palavra, a fotografia.
Os olhos nem tempo têm para pensar muito: absorvem uma primeira informação para depois digerir; se penso nem tempo tenho de escrever!
A minha resposta ao desafio foi "Trilobites" (sempre as pedras que falam!).
Estas trilobites (500 milhões de anos atrás do 2013???) são fósseis de artrópodes que viveram nos oceanos do período Paleozóico.
Coisas que respigo aqui e ali, sem ter nenhuma especialização.
Não só por serem pedras que se podem ler mas muito especialmente pelas fotos terem sido tiradas "em terras" bem longe do nosso mar e em passeios/anos diferentes: Penha Garcia e Arouca.
Umas ternuras, estas pedras de bichos tão velhinhos...
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Trilobites PPP 3.1.13
terça-feira, janeiro 01, 2013
Contra a coacção dos dias
"Depois do Natal, saltinho de pardal"
(para estes meses até à Primavera que, direi,
também serão estreitos e penosos)
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1º dia 2013
sábado, dezembro 29, 2012
Da luz
Cedam-se as luzes.
Acendam-se luzes
No Mar no Ar na Terra
Nas gentes de boa vontade
Nas mentes de vontade boa
para um ano 2013 mais ... formoso.
(desejo a todos que me conhecem, os que não, acompanharam, acompanham, nada dizem, dizem tudo e vão
estando)
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Votos para 2013
sexta-feira, dezembro 21, 2012
Do natal e arredores
Faz-se um sinal verde, com muita, ou mesmo só alguma, esperança.
Evitam-se os picos do mal dizer, do mau gosto e do desinteresse.
Coloca-se pontos vermelhos, vivos, bagas de alerta.
Serve-se a amigos, aconchegada (na) mente que não os esquece.
(em vez de falar, responder, escrever... que as palavras andam fugidas, em chegando o solstício de Inverno)
O Azevinho, espécie protegida em Portugal, é um sinal de FIRMEZA.
Diria mesmo e sem vírgulas:
Em Portugal resistir/existir é um sinal de Firmeza.
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Natal 2012
sábado, dezembro 15, 2012
Pendurar
... a lua numa janela
abaná-la com o vento de Inverno.
E uivar a ela neste deserto de lobos.
O que falta, o que sobra,
o que se diz, o que se desdiz.
(Eu que nunca pedi a lua nem para ser
- feliz)
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Lua de Inverno Nov 12
Na solidão escura, valem-nos
"Às vezes, a noite, lava o silêncio,
enxuga, de água, o rosto do dia.
Com linho de sudário os anjos aram fino
a estrela de tília que cresce no céu.
Às vezes, à noite, os anjos adormecem,
no voo da luz, na lisura do vento."
Poema: Emanuel Jorge Botelho - Poeta açoreano, nascido em Ponta Delgada, 1950.
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Poema da noite com lua
quinta-feira, novembro 15, 2012
Passados
... anos há uma bóia de outra cor
que tento agarrar.
Vem do fim do tempo e na bordadura de outros anos.
Pode ser um medronho, um sorriso, uma pedra, um verde diferente, um clamor de sol, um rasto de luar.
Onde melhor me movo agora, na sombra e nos verdes.
Onde encontro os falares passados.
segunda-feira, novembro 05, 2012
Arrepio
que me dá recordar os últimos dias na praia, tarde do mês, já com as gaivotas soltas e à vontade.
Como se o mundo se resumisse a elas, água, areia, céu.
Eu, uma sombra na paisagem, de passagem.
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Praia de Outubro 12
segunda-feira, outubro 15, 2012
Apontamento no Outubro cálido
... um prédio de risca amarela,
frente ao mar.
Muros calados e terras abandonadas, e sempre os meus lugares-comuns.
Recorrentes e presentes. Tempo de bagos vermelhos e romãs.
Há muito,
muito tempo,
colhia flores e ervas no pinhal, as selvagens.
Via e estimava os sinais da Natureza.
Conservei o gosto e é um dos prazeres de férias.
Ainda.
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Out. Alg. 2012
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