quarta-feira, janeiro 30, 2013

Janeiros fora...


Apesar das camélias que trago no coração - talvez não tenha tido o devido tempo para elas, este ano!

Ir por aí, pelos muros, de velhas casas e quintas.

Tenho saudades do roxo
do amarelo
do verde
do chão
(de não ter medo que cortem as árvores o mais possível "devido às intempéries")

das cores das pedras.

É tudo tão cinzento, agora e aqui!

segunda-feira, janeiro 21, 2013

A pressa




Espero por elas. Ainda hoje.


Como se contasse os meus invernos e afogasse em recordações
as camélias
da quinta "dos brasileiros" em frente da casa velha, contando - elas - a minha infância.
Nem parece possível, 4, 5, 6 anos. Estes anos, estes danos.

E assim fosse contando...


sábado, janeiro 19, 2013

Poeta Luminoso


Faria 90 anos hoje, Eugénio de Andrade.

Ouvi-lo é voltar ao amor-cristal, à criança-sede, aos medronhos, à suavidade do tacto.




Cemitério Inglês

Aproximas-te da terra. Agora mais.
De olhos fechados contemplas uma pedra.
Pequena. Inabitável. Quase branca.
A perfeição seria se fosse água.
(Uma criança como nos sonhos canta.)

Do livro Antologia Breve, da Moraes Editora, 1980

quarta-feira, janeiro 16, 2013

O cérebro pequeno





ou a inteligência do berbigão.

Apanhado longe, posto de molho com sal comum do dia, julga-se na água habitual.

A Assembleia Democrática a fingir - parece - do berbigão na minha cozinha.

Depois dos "roxinóis" de Lisboa. De "lucho".

(um dia não saberemos todos do que é nosso, o que nos tiram, o que nos vendem. Nem quem escreveu "a ditosa Pátria" ou a vai estuporando em forno lento, nem grandes nem pequenos: antes assim e assado).

Os muros...


...e sempre para além deles.



Incessante procura da luz.






Tudo o que nos detém, tudo o que nos impede, tudo o que ultrapassamos.
Ou ladeamos, ou fingimos. E lemos sinais.
As razões dos muros e, tantas vezes, os muros da razão.
Onde moram?

Obstáculos que podem ser gente-indivíduo, doenças, dinheiros. E nós mesmos.
Pontos de passagem, de cruzamento, pontos de viragem.
Apenas podemos destruir muros entre algumas, as pessoas, no presente, no futuro, eu hoje, tu amanhã: só isso está nas nossas mãos.


Mesmo assim, há - inexpugnáveis -
os muros afogados/aflorados na água do esquecimento.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Brincadeiras de PPP







Foi a proposta do Palavra Puxa Palavra, com a sílaba "tri".

Tantas vezes o pensamento no olhar extravasa a palavra, a fotografia.
Os olhos nem tempo têm para pensar muito: absorvem uma primeira informação para depois digerir; se penso nem tempo tenho de escrever!

A minha resposta ao desafio foi "Trilobites" (sempre as pedras que falam!).
Estas trilobites (500 milhões de anos atrás do 2013???) são fósseis de artrópodes que viveram nos oceanos do período Paleozóico.
Coisas que respigo aqui e ali, sem ter nenhuma especialização.
Não só por serem pedras que se podem ler mas muito especialmente pelas fotos terem sido tiradas "em terras" bem longe do nosso mar e em passeios/anos diferentes: Penha Garcia e Arouca.
Umas ternuras, estas pedras de bichos tão velhinhos...

terça-feira, janeiro 01, 2013

Contra a coacção dos dias


"Depois do Natal, saltinho de pardal"

(para estes meses até à Primavera que, direi,
também serão estreitos e penosos)

sábado, dezembro 29, 2012

Da luz





Cedam-se as luzes.


Acendam-se luzes
No Mar no Ar na Terra
Nas gentes de boa vontade
Nas mentes de vontade boa

para um ano 2013 mais ... formoso.

(desejo a todos que me conhecem, os que não, acompanharam, acompanham, nada dizem, dizem tudo e vão
estando)

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Do natal e arredores





Faz-se um sinal verde, com muita, ou mesmo só alguma, esperança.

Evitam-se os picos do mal dizer, do mau gosto e do desinteresse.
Coloca-se pontos vermelhos, vivos, bagas de alerta.
Serve-se a amigos, aconchegada (na) mente que não os esquece.

(em vez de falar, responder, escrever... que as palavras andam fugidas, em chegando o solstício de Inverno)

O Azevinho, espécie protegida em Portugal, é um sinal de FIRMEZA.

Diria mesmo e sem vírgulas: 
Em Portugal resistir/existir é um sinal de Firmeza.

sábado, dezembro 15, 2012

Pendurar



... a lua numa janela
abaná-la com o vento de Inverno.

E uivar a ela neste deserto de lobos.

O que falta, o que sobra,
o que se diz, o que se desdiz.

(Eu que nunca pedi a lua nem para ser
- feliz)

Na solidão escura, valem-nos




... os poetas!

"Às vezes, a noite, lava o silêncio,
enxuga, de água, o rosto do dia.

Com linho de sudário os anjos aram fino
a estrela de tília que cresce no céu.

Às vezes, à noite, os anjos adormecem,
no voo da luz, na lisura do vento."

Poema: Emanuel Jorge Botelho - Poeta açoreano, nascido em Ponta Delgada, 1950.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Passados





... anos há uma bóia de outra cor

que tento agarrar.
Vem do fim do tempo e na bordadura de outros anos.
Pode ser um medronho, um sorriso, uma pedra, um verde diferente, um clamor de sol, um rasto de luar.
Onde melhor me movo agora, na sombra e nos verdes.
Onde encontro os falares passados.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Arrepio

que me dá recordar os últimos dias na praia, tarde do mês, já com as gaivotas soltas e à vontade.

Como se o mundo se resumisse a elas, água, areia, céu.







Eu, uma sombra na paisagem, de passagem.