sábado, setembro 01, 2012
Animais da quinta
Os que grasnam, bem alto para serem ouvidos - que o ataque é a melhor espécie de defesa dos fracos de espírito.
Depois, há as cabras novas que se confundem na pelagem com as velhas.
A manjedoura e os esforços do velho bode para chegar um degrau mais acima.
Enquanto isso, trepam pelos muros os jovens bichos a quem o futuro parece já encarcerado.
Ninguém (devia) andar pela vida sozinho, cuidando unicamente dos seus interesses.
(ou "polítics on the loose").
(ele há fases, esta dura tempo demais).
quarta-feira, agosto 29, 2012
Dia de PPP (encontro de quando em vez)
Ele há dias
em que o melhor de tudo são as flores e amigos do acaso.
Os fios que se entretecem, entretêm.
Ancorar nas histórias da infância, as de final feliz.
Das outras, as da solidariedade humana.
Ele há dias
em que o melhor de tudo é deixarmo-nos reger pelo ar que faz, que irá fazer, pelo sol.
São assim, alguns dias em que temos o sol na cabeça e nos sentimentos.
(foto do relógio de sol, tirada por M. no Museu de Odrinhas)
quarta-feira, agosto 15, 2012
Citação da semana (arrastada)
"I adore simple pleasures.
They are the last refuge of the complex".
Como o sinto; e volto à poética ironia de Oscar Wilde (1854-1900).
Nascido na Irlanda, lugar do postal duma ovelha lilás.
E os prazeres simples são, sim, um refúgio.
segunda-feira, agosto 06, 2012
Do lado de lá do monte
Há um luar que resiste acima do fim da noite. Que me chama em brilho sobre o aveludado escuro.
Fica num sinal transparente mas definido, ao lembrar 5 meses de não-presença.
E lá fui, num instante improvável, atrás dos horizontes mais limpos.
E tendo para ouvir, além de Verdi, a leitura silenciosa das pedras.
domingo, julho 15, 2012
A(massa)
Alguém amassa a massa, com ternura e com azeite.
Ou com palavras, bem tendidas, bem misturadas com o sal, o real.
Assim somos, os fazedores de sonhos.
Lembrança de férias e de gente que tenho o gôsto de conhecer. De trabalhos que produzem belezas, de paladar, bom gosto, de formas, de imaginação. Bem hajam os que trabalham, sem emes bês áás mas com a sinceridade do espírito prático.
Precisamos muito das pequenas coisas diárias, assim feitas riso de mãos carinhosas, velhas e hábeis.
Que lhes seja dada a parte do governo deste lar, em vez dos façanhudos meninos de côro que andamos a ver em manobras sujas.
domingo, julho 08, 2012
Algo interior mas completamente diferente
Os meus "jogos" de pensamentos, numa melancolia subterrânea:
..."Agora, vejo-o, no meio do velho círculo, no velho jardim: todos recomeçamos a viver, com as velhas paixões. Pus o meu vestido lilás. Como se vestisse um dos meus antigos disfarces, o disfarce da vida. Senti que tudo o que caracteriza um ser humano - a sua força e comportamento - evoca nos adversários a memória de certas sensações."...
Do livro "A Herança de Eszter" de Sándor Márai - (excerto da pág. 57,publ. D. Quixote)
Tais as lembranças e heranças.
quarta-feira, junho 27, 2012
O Jogo
Ouço ao longe o "relato". Pelas gentes ululantes que me cercam e gritam.
Escuso de ver o jogo Portugal-Espanha, como na escola as guerras do livro: que pena tinha dos espanhóis que perdiam sempre. Até virem os Filipes.
Ou o final do jogo.
Ganhar moralmente.
Gritam.
Não pelos subsídios retirados nem pelas filas nos postos médicos (chamados agora centros de saúde).
Não pelo desemprego nem incêndios. Não pela (in)cultura. Não pela desfaçatez governante.
Gritam por uma dúzia de bacanos, re-pagos a peso de ouro, e seus acólitos. Pelo futebol, pela selecção nacional, o que quer que isso signifique. Europeus... pifff.
Não votam por uma selecção de pessoas que defenda o bom carácter, as boas práticas da justiça, a terra amável que temos.
Não senhor. Rugem, uivam e ululam: no tempo do salazarento era permitido: fado, futebol, fátima.
Os três efes que nos deram cabo dos miolos durante décadas.
Futebol como desporto, sim; a competição gera o lucro e os juros dele, o dinheiro gera agiotas.
São profissionais? de quê? da bola? da cortiça? do azeite? das letras? das artes?
Como europeus... pifff.
Talvez pô-los a jogar no Parlamento Europeu. Durão à defesa, dos seus interesses, claro Mao-forever.
Capitalizar o livrinho vermelho. Bola escondida na manga. Reformas que saem das percentagens do país: quentinhos, voltam ao ninho. Serão dignos conselheiro dum estado futuro.
Like a puppet on a string.
Sem cabeça, membros decepados pela gula do lucro.
Sinais contrários.
Mares pouco navegados.
Pela arreata. Lá se vai a bolsa, a coisa "indíce" jones qualquer coisita. O lixo por que nos tomam (a menos que seja para férias, eh eh eh...). Tão amáveis e pacatos somos! E baratos.
Não gosto. Pessoalmente, não: admito quem goste e goze com isso.
Como a procissão das velas.
Mas além de o parecer, deve ser: vertical.
sexta-feira, junho 22, 2012
Mar e mar - ir ao fundo e voltar
Ah... mar sempre diverso
tão perto me estás e tão longe me ficas.
Como gente.
Falas, murmuras, suplicas, ficas furioso, escondes-te, és traiçoeiro, és manso, és doce e bravo.
E mentes quando dizes "eternamente"; ou para sempre, é o mesmo: recuas ao menor indício de luas.
Voltar não se volta, ao mesmo mar.
"Sleep not, dream not; this bright day
Will not, cannot last for aye;
Bliss like thine is bought by years
Dark with torment and tears"
(Brontë Poems, "Sleep not", 1846)