sábado, dezembro 15, 2012

Na solidão escura, valem-nos




... os poetas!

"Às vezes, a noite, lava o silêncio,
enxuga, de água, o rosto do dia.

Com linho de sudário os anjos aram fino
a estrela de tília que cresce no céu.

Às vezes, à noite, os anjos adormecem,
no voo da luz, na lisura do vento."

Poema: Emanuel Jorge Botelho - Poeta açoreano, nascido em Ponta Delgada, 1950.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Passados





... anos há uma bóia de outra cor

que tento agarrar.
Vem do fim do tempo e na bordadura de outros anos.
Pode ser um medronho, um sorriso, uma pedra, um verde diferente, um clamor de sol, um rasto de luar.
Onde melhor me movo agora, na sombra e nos verdes.
Onde encontro os falares passados.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Arrepio

que me dá recordar os últimos dias na praia, tarde do mês, já com as gaivotas soltas e à vontade.

Como se o mundo se resumisse a elas, água, areia, céu.







Eu, uma sombra na paisagem, de passagem.

segunda-feira, outubro 15, 2012

Apontamento no Outubro cálido

... um prédio de risca amarela,
frente ao mar.







Muros calados e terras abandonadas, e sempre os meus lugares-comuns.
Recorrentes e presentes. Tempo de bagos vermelhos e romãs.

Há muito,
muito tempo,
colhia flores e ervas no pinhal, as selvagens.


Via e estimava os sinais da Natureza.
Conservei o gosto e é um dos prazeres de férias.
Ainda.

domingo, setembro 23, 2012

Doce equinócio a Sul




No estar
é que está o "meu ganho"
meu acrescento
meu pensamento
quando paciente.

Olho com curiosidade, estrelas e ondas, e ruas de azul.
Faço sopa em casa, como sardinhas fora: não aos churrascos, grupos aos berros e ruídos de festas, improvisos fúteis, entretimentos e arcos de jornais do dia.
Mantenho-me na crise e falo/ouço sobre ela.
Aproveito para falar mal dos bancos e dos juros. E do país lindo que somos, das pessoas corajosas que temos.

Estou.

terça-feira, setembro 11, 2012

No IR

No VOAR a pé

Ou PENSAR na água

Escolhendo VER luz,
surda da berraria de gente tão impúdica (o rei vai nu...),

...pois, ignorando a crise imposta... e criando comigo e outros, diferentes valores, os da partilha, os do conhecimento.

Que nunca vivi acima das minhas possibilidades, ó indecorosos!
Mais me parece que nem merecem a albarda, políticos da treta.

sábado, setembro 01, 2012

Animais da quinta








Os que grasnam, bem alto para serem ouvidos - que o ataque é a melhor espécie de defesa dos fracos de espírito.

Depois, há as cabras novas que se confundem na pelagem com as velhas.
A manjedoura e os esforços do velho bode para chegar um degrau mais acima.
Enquanto isso, trepam pelos muros os jovens bichos a quem o futuro parece já encarcerado.

Ninguém (devia) andar pela vida sozinho, cuidando unicamente dos seus interesses.
(ou "polítics on the loose").

(ele há fases, esta dura tempo demais).

quarta-feira, agosto 29, 2012

Dia de PPP (encontro de quando em vez)

Ele há dias
em que o melhor de tudo são as flores e amigos do acaso.
Os fios que se entretecem, entretêm.





Ancorar nas histórias da infância, as de final feliz.
Das outras, as da solidariedade humana.

Ele há dias
em que o melhor de tudo é deixarmo-nos reger pelo ar que faz, que irá fazer, pelo sol.





São assim, alguns dias em que temos o sol na cabeça e nos sentimentos.


(foto do relógio de sol, tirada por M. no Museu de Odrinhas)

quarta-feira, agosto 15, 2012

Citação da semana (arrastada)


"I adore simple pleasures. 
They are the last refuge of the complex".

Como o sinto;  e volto à poética ironia de Oscar Wilde (1854-1900).


Nascido na Irlanda, lugar do postal duma ovelha lilás.
E os prazeres simples são, sim, um refúgio.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Do lado de lá do monte










Há um luar que resiste acima do fim da noite. Que me chama em brilho sobre o aveludado escuro.

Fica num sinal transparente mas definido, ao lembrar 5 meses de não-presença.

E lá fui, num instante improvável, atrás dos horizontes mais limpos.
E tendo para ouvir, além de Verdi, a leitura silenciosa das pedras.

domingo, julho 15, 2012

A(massa)









Alguém amassa a massa, com ternura e com azeite.

Ou com palavras, bem tendidas, bem misturadas com o sal, o real.

Assim somos, os fazedores de sonhos.
Lembrança de férias e de gente que tenho o gôsto de conhecer. De trabalhos que produzem belezas, de paladar, bom gosto, de formas, de imaginação. Bem hajam os que trabalham, sem emes bês áás mas com a sinceridade do espírito prático.
Precisamos muito das pequenas coisas diárias, assim feitas riso de mãos carinhosas, velhas e hábeis.
Que lhes seja dada a parte do governo deste lar, em vez dos façanhudos meninos de côro que andamos a ver em manobras sujas.