sexta-feira, fevereiro 08, 2013

A vau










...atravessado o resto de rio, em água pequena antes da barragem.

Desafio de PPP, sílaba "a".

Atravessadas são, as cabras aos saltos pelos pequenos veios da água, a senhora pastora delas pelas pedras do ribeiro, com o seu chapéu e guarda-chuva contra o sol. "Atravessada" me ficou a conversa que tive com quem, com meia dúzia de cabras, se faz à vida.

Este é o país real, sobrevivente à força. Não há nenhum banqueiro ou deputado, nenhum presidente de junta, de câmara ou de país, que o represente.
Serão os que não votam? Os quase 40% que se abstêm de usar a força deste reino?

Assim vi e penso.

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Árvore abatida II






Sobre a morte silenciosa da árvore:

Não estava podre: o cheiro doce e seco da madeira, as marcas do seu crescimento durante estes 40/50 anos, não enganam. Apenas alguns ramos deveriam ser podados.



A um recanto do largo, servia também para esconder a sujidade e abandono do quarteirão de casas emparedadas há décadas. Que a essas ninguém incomoda, sendo propriedade privada, mesmo sob o olhar público...
Em frente e ao lado da rua, cortaram os ciprestes secos: na sanha municipal também foi cortado um carvalho novo, pequeno, humilde nos invernos, glorioso nos outonos.

O "serviço público" precisa duma capa - e como diria uma canção antiga "com essa capa, destapa" a desinformação, o descuido, a prepotência.





A denunciar, pela doença do poder desenfreado que os corrói,
e se pega a muitos,
seriam os lugares criados para amigos, o saque instalado.
Todos os dias os vemos, mais ministério, menos mistério.

A abater só mesmo a desfaçatez e a impunidade: nunca uma árvore sã numa cidade cada vez mais vaga e envelhecida.

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Arvore ao pé I








Isolada a um canto,
desleixada e sempre esquecida por quem passava,
ainda assim existia,
festejada por mim, que com ela vivia também
a chuva e o sol, a noite, as chegadas e partidas,
das estações,
das pessoas.

Árvore ao pé








... de pé.
Por vezes os melros ao fim do dia, os pardais,

nunca as gaivotas vorazes da cidade
nem as pombas sagazes das ruas,
a sabiam.

Uma cortina fértil que nos separava da paisagem,
demasiado urbana.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Janeiros fora...


Apesar das camélias que trago no coração - talvez não tenha tido o devido tempo para elas, este ano!

Ir por aí, pelos muros, de velhas casas e quintas.

Tenho saudades do roxo
do amarelo
do verde
do chão
(de não ter medo que cortem as árvores o mais possível "devido às intempéries")

das cores das pedras.

É tudo tão cinzento, agora e aqui!

segunda-feira, janeiro 21, 2013

A pressa




Espero por elas. Ainda hoje.


Como se contasse os meus invernos e afogasse em recordações
as camélias
da quinta "dos brasileiros" em frente da casa velha, contando - elas - a minha infância.
Nem parece possível, 4, 5, 6 anos. Estes anos, estes danos.

E assim fosse contando...


sábado, janeiro 19, 2013

Poeta Luminoso


Faria 90 anos hoje, Eugénio de Andrade.

Ouvi-lo é voltar ao amor-cristal, à criança-sede, aos medronhos, à suavidade do tacto.




Cemitério Inglês

Aproximas-te da terra. Agora mais.
De olhos fechados contemplas uma pedra.
Pequena. Inabitável. Quase branca.
A perfeição seria se fosse água.
(Uma criança como nos sonhos canta.)

Do livro Antologia Breve, da Moraes Editora, 1980

quarta-feira, janeiro 16, 2013

O cérebro pequeno





ou a inteligência do berbigão.

Apanhado longe, posto de molho com sal comum do dia, julga-se na água habitual.

A Assembleia Democrática a fingir - parece - do berbigão na minha cozinha.

Depois dos "roxinóis" de Lisboa. De "lucho".

(um dia não saberemos todos do que é nosso, o que nos tiram, o que nos vendem. Nem quem escreveu "a ditosa Pátria" ou a vai estuporando em forno lento, nem grandes nem pequenos: antes assim e assado).