segunda-feira, abril 25, 2016

Tu, Liberdade

Quando aprendemos a tratar por tu a liberdade. Dizíamos: e podemos cantar juntos, na rua?
Tão belos e grandes os dias!


Os meus cravos, na oliveira de Saramago.


sexta-feira, abril 15, 2016

O alimento da aranha

Não pude deixar de a fotografar. Consegui vê-la enrolando habilmente um outro fio, com o bicho já imóvel:




Apareceu fora da janela da varanda, graciosa e colorida, suspensa por fios quase invisíveis. De vez em quando ia olhá-la, admirando-lhe de perto a estratégia. Era mais pequena que uma unha.
(E como estava off-shore, deixei-a estar uns dias. 
As notícias iam passando de mão em mão. As discussões, as contas deficitárias, a sombra dos medos, os pod(e)res democráticos. A liberdade de imprensa, a oportunidade dela, até a explicação, a evidência quase moral, que lhes davam).
Mas uma aranha:
vendo a velocidade a que se deslocava do centro "de controle", ao prender-se uma mosca ou um mosquito. Não tinha pressa de o comer, diria melhor, sugar, até ao desaparecimento.
De novo, voltava à imobilidade.
E nestas minhas ambivalências de achamentos, pus-me a  pensar quanta gente está próxima da voracidade dos bichos, quantos governos ou governantes, quantos nomes se conhecem e quantos anónimos.
De uma aranha, sendo-o. De uma mosca, apanhada.
(um outro dia, cansei-me do destino e peguei numa vassoura, destruindo a teia e afastando a aranha para "outro quintal").

sábado, março 26, 2016

Pela Páscoa de 2016

Como se asas, instantes, pensamentos, pó.
Memórias dos sítios.
Do alto nos conhecem, estátuas, gerações de pombos e gaivotas. A nós parecem-nos todos idênticos. Muda a fisionomia do lugar, o que penso dele.
Nada é igual.
E é como se uma parte do coração (se)morra.

sábado, março 19, 2016

Dia do pai


 ...como eu gostaria de o recordar.
Assim, com esta ligação à Natureza que (me)foi o seu melhor legado.
(a publicidade e o comércio tomam-nos, não é? Apenas me lembra lembrar que - as pessoas que nos viam passar - julgavam que éramos "ciganos" quando saíamos para o campismo. E não se usavam caminhadas, nem nikes e muito menos "likes". Mas as pessoas das aldeias tão pobres, as montanhas e os campos de milho, eram respeitados e amados)

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Douro e Camélias

Já as via aqui e ali pelas ruas, nuns cantos duns senhores que não conheço nem vejo. Espreitando pelos muros de casas, muitas arruinadas, mas enfeitadas das enormes e luminosas camélias.
Desta vez não fui ter com elas: vieram elas ter comigo.
Olhando, numa improvável ida, ao Douro-de-amigos. A passar pelas terras de Torga. E elas anunciaram-me que nem o frio nem a chuva nem o vento das serras o lugar onde-longe
fica atrás dos montes















as impedem,
de amar, de serem amadas.

sábado, janeiro 16, 2016

Arredores de Lisboa

Descobrir lugares e nomes de que se ouviu falar e se leu: de repente dar com sítios do imaginário, de livros e referências mais antigas. Saber, olhar, sentir que o Tejo é aquele rio que dá luz, reflecte muito céu, quilómetros de céu na água.
Este é um dos meus grandes prazeres a seguir aos livros. "Chegar" a um lugar onde algo me espera e eu sei que gosto.



Ouro puro, reflexão de romance.
Cores do Oriente.


quinta-feira, dezembro 31, 2015

Fim de 2015

Não abandonei o primeiro meu lugar de reflexão.
Mas a clivagem dos dias e pessoas... assim um vértice, um gume, perdem-se rotas, calam-se esperas.

Porque sair e registar o que vejo em imagens tem-me feito "andar à solta" a voar. No lugar das coisas outras.
Sem pensar em futuro
que os anos agora
são breves,
flutuam. Pássaros cujo sentido só eles sabem. E não dizem.


sexta-feira, dezembro 11, 2015

Dezembro molengo

A última quinzena de Dezembro é sentida em sobressalto consumista.
Sair? Não se pode.
Comprar? O mínimo.
Ou vice-versa.

Tenham todos os que passarem ao largo um bom resto de mês.


Se se reparar nesta imagem de santa (Santa Maria do Perpétuo Socorro que bem precisamos dele, socorro, para eleições e tudo) o menino está com a sandalinha a cair do pé.
Esta é a graça da ingenuidade.
E só as crianças me empurrariam o Natal.

domingo, novembro 22, 2015

Apetecer...

muito. O vôo das aves, as suas esperas, a sua atenção.
Para onde e como vão diferentemente.
Que planos têm. Todos os dias.
Ah... e as andorinhas, incessantes.
















quinta-feira, novembro 12, 2015

Vácuo

O silêncio da casa pesa como um isco (enganador).
Nem público, nem aplauso, nem actuação, poucos e breves intervalos.
De repente, toda a tua vida é um teatro de mudos e surdos.


terça-feira, outubro 13, 2015

O campo III

Uma aldeia lindíssima, abandonada.
Disseram-me que os velhos foram morrendo.
Ali ficou, no azul e dourado dos montes ermos.



 





Assim sinto este país tão bonito e em tantos sítios degradado, de gente, de horizontes. A reconstruir, com firmeza e vontade.






O que pensarão os nossos pastores de cabras e ovelhas, das conversações decorrentes no reino de Lisboa?