domingo, abril 21, 2013

Douro, em outro lugar formoso























Voltei, um acaso de juntar gente que se conhece, num lugar que foi da vida de alguns.

Há 20 e tal anos que não ia ali, torneando os montes, até chegar ao lado de lá que se avista:
5 ou que importa? 9 km de curvas e uma grande vontade de ir ou chegar eu que detesto curvas e me enjoo
eu assim eu assado eu estonteada de sol eu corria os olhos um tanto vesga de tonturas e contudo
eu tão feliz de vinhas.
Estas já quentes, as terras, videiras algemadas que se libertam em folhas alegres.

Tomara que um sonho me sonhasse
e eu pudesse ajudar a (re)construir um desejo. Resguardar um sítio.

Ouço o riso do rio e todos os seus pequenos afluentes, veios de continuidade dessa terra tão particular: nessas encostas, desde os Romanos que se faz vinho, havemos de resistir!!!

Nota importante por este ilustre POVO e contra estes governos agachados às cordas e às "tranches":
Portugal é um dos países no mundo com maior número de monumentos classificados como Património Mundial: 14 locais e regiões.

quarta-feira, abril 10, 2013

Chuva que (aqui) não pára


Sendo o xadrez da vida, um sopro, um engano,

com algumas luminosas abertas.

De um soneto de Correia Garção (1724-1772)

"Parou a chuva, correm sussurrando
Os torcidos regatos vagarosos;
Não me atrevo a sair, fico jogando."


terça-feira, março 26, 2013

Douro, para sempre tua











Porque me estão muitos no pensar,
de quem gosto, sei lá porquê, por isto ou aquilo, por identidades, por empatias,
porque me lembro de infinitudes, tanto céu ou tanta terra, tanta água ou pedra,
aceno para o Douro, num lugar onde, dizem, nasceu o meu avô materno. Pombal de Ansiães, Tua. Seguindo depois através de uma terra nossa, estreita e bela, tão perto as águas e as águias do Douro Internacional.

(sem saída de andar há mais de 2 meses)

Fotos do país de quem me divorcio litigiosa a mente, sempre e para sempre, à hora de notícias.
Para que se comovam como eu com as vinhas secas, mal despontam os olhos das folhas. Todo o trabalho de séculos: e HOJE.
As termas abandonadas, o Tua que vai inchar, o comboio velho, as linhas,
o cabaz que vinha da aldeia com cheiro de chão e ervas,
as laranjas, o folar, as alheiras do fumeiro.
E tanta gente triste por aí fora, ninguém compra, ninguém vai (eu falo com todos...), ausculto os sentimentos dos lugares e pessoas com quem me cruzo. 
País outra vez esvaziado, adiado.

Ah... mas andorinhas pelas aldeias, vieram as andorinhas! Avaliam estragos, a reconstrução começa. Os nosso vvvs de vitória sobre a obra negra que nos querem. 
E três cegonhas, e duas águias. Do voar.

domingo, março 17, 2013

Era apenas...




Guerra Junqueiro e o seu livro mais que proibido:  "A Velhice do Padre Eterno"

Este, uma preciosidade... impensável falar dele a alguém!

Novamente "A Velhice..." e o humor truculento e satírico mas tantas vezes pleno de ternura, como no "O Melro"..



Era apenas... um livro, entre uma dúzia deles que havia lá em casa. “Esteiros” de Soeiro Pereira Gomes, edição de 1942, com desenhos de Álvaro Cunhal. As imagens da miséria naquelas crianças que eu nem sonhava existirem.
Abria com a dedicatória “Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi êste livro”.
Eu própria era uma criança (6/7/8 anos?) e esta frase perseguiu-me e marcou-me durante muito tempo. Até a entender duma forma tão abrangente que nunca a esqueço.

Estes são os velhinhos e amarelados que agora encontrei.
Todos os livros eram preciosos: primorosamente encapados em papel costaneira para os proteger e porque "não podiam ser vistos", nem pelos piedosos, nem pela Pide nem pelos bufos dela. Um deles tem escrito à mão numa caligrafia antiga e familiar: "Se és amigo, estima o livro".
Muitos dos que li, rodavam emprestados entre os conhecimentos de meu pai.

Aquilino, Régio, Namora, Ferreira de Castro, Eça, Junqueiro, Torga, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Joracy Camargo – tantos os nomes a não esquecer!
Adquiri a maior parte deles mais tarde.
Estão na estante, relidos e falados.
Sendo fotografias entre as fotografias, de quem sou.

quinta-feira, março 14, 2013

Hoje é o primeiro dia...





("...do resto da tua vida": foi a canção que ouvi há 20 anos - não dei atenção aos sinais. Era Lisboa e um sítio sem sons.)

Às 6 da manhã a claridade esforçava-se por nascer sem sombras e assim, hoje é o primeiro dia de sol pleno deste Inverno excessivo.
Confio em que as águias voem livres lá no sítio onde moram as águias.

Cortaram-se árvores; mas ainda um dedo de planta encontra um caminho, passando por uma minúscula ranhura da janela.
A perseverança da terra, a que desfaz os corpos e enfeita os baldios.

Com umas dúzias de palavras encontra-se um sentido que nos solta do medo e penduram-se os poemas, roupagem do espírito ensolarado.
Na eternidade da poesia.

sexta-feira, março 08, 2013

8 de Março


Nenhuma destas mulheres foi revolucionária.

Fizeram pequenas coisas, submeteram-se a algumas outras, arranjaram emprego numa época (anos 40/50) em que a maior parte ficava em casa, sendo os homens "os senhores de tal".
As fadas do lar desmultiplicaram-se. 
A Lurdes, a Olímpia, a Mariete, a Quinhinha...
Eu lembro-as todas, uma a uma, porque todas tinham o que as mulheres "sabem no fundo de si": AMOR.

domingo, fevereiro 17, 2013

Camélias deste ano

 


Só que acenem, estas,

de branco como a intenção, de vermelho como a ira.
Não me revejo no que vejo, não me sinto nas pessoas que falam por mim. Nem para mim.
Um longo Inverno descontente.

(ando a soltá-las, acarinhadas, personalizadas cada uma-uma, nas torrentes "das minhas coisas" do outro lado: sempre diferentes: eu sempre igual)

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

A vau










...atravessado o resto de rio, em água pequena antes da barragem.

Desafio de PPP, sílaba "a".

Atravessadas são, as cabras aos saltos pelos pequenos veios da água, a senhora pastora delas pelas pedras do ribeiro, com o seu chapéu e guarda-chuva contra o sol. "Atravessada" me ficou a conversa que tive com quem, com meia dúzia de cabras, se faz à vida.

Este é o país real, sobrevivente à força. Não há nenhum banqueiro ou deputado, nenhum presidente de junta, de câmara ou de país, que o represente.
Serão os que não votam? Os quase 40% que se abstêm de usar a força deste reino?

Assim vi e penso.