domingo, janeiro 07, 2018

Setembro 2006 - Janeiro 2018

Alguns continuam, com teimas e agrado.
Gosto de ver estas datas, 2017-2006  = 11 anos x 11 meses X 50 semanas mais ou menos. Isto é a minha matemática caseira e, tal como fazia com os números que me aborreciam depois dos 12 anos..., nem sei se a equação está bem formulada e muito menos vejo o número final!
Neste início do ano, a L. que tem um belo e jovem espírito, escolheu "Ao jeito de cartilha" a sílaba "Mu".
A minha menina pequenina faz mu-mu quando se fala em vacas ou bois!!! E foi o que lembrei... além de:
Mudéjar - a Ermida de Santo André, à entrada de Beja


Mulheres:
(dizendo sobre elas que são pilares, sacrifícios, horizontes, profundidades - and vanity)


Outras escolhas: muros, que sempre as pedras me prendem o olhar e perdem o pensamento




Esse, início do ano de 2018.
Na companhia de amizades pouco prováveis, dada (ou como diria ALAntunes "derivado") a minha descrença e solidão.


terça-feira, janeiro 02, 2018

Do fim do ano 2017

Foi o que (se) me (passou) lembrou, neste período de compras escusadas, comidas apressadas e demasiadas, gente aparentemente contente ou profundamente feliz. Voltar à simplicidade, às memórias que agora me parecem ENORMES.
O que escrevi há dois dias: em palavras, a uma amiga. E o que recebi, em imagens, de um amigo.
A lua brilha aqui em frente para mim, para nós, as que reflectimos um pouco do sol que nos coube.


No pensamento ou na palavra, na imagem ou na escrita.
Desta janela onde houve uma árvore que me dizia, contava, "das estações do ano".
A chaminé antiga... é do mesmo tempo, 40 anos, serão mais, mas creio que não irá durar muito: com as traseiras cegas, é daqui, dos reflexos possíveis, que vejo o adeus do Sol e o olá da Lua.


 
 Fotos de FM. no sítio deles, dos próprios quadros. Com gostos e vidas tão diferentes, desencontros, arranjamos um ponto de equilíbrio e de respeito por ideias diversas. Décadas de conhecimento e há (apenas) 18 anos que andamos a trabalhar firmemente nessa MEMÓRIA que temos em comum.



Do ácer negundo 2006

2008
2009

2013
Apesar da tua ausência, "minha árvore", ficas-me na ideia como o conto que contava ao meu filho "A Gaivota Remota ... que queria ir para o campo".


terça-feira, dezembro 05, 2017

PPP Novembro

O meu (bastante) escape semanal, encontro de café, de tertúlia, de sorrisos.
Em Novembro, pela Jawaa, fomos desafiados por imagens, letras e palavras bonitas. Na última semana, "Fotografando as palavras dos outros", o poema de Alda Lara era precioso, como uma canção no cair da noite em África.
Suponho, pela cadência e a nostalgia que se desprende como um odor, ao ler as as palavras:

Testamento
À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro
Deixo os meus brincos, lavrados 
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura
Sonhando algures uma lenda
Deixo o meu vestido branco
O meu vestido de noiva
Todo tecido de renda.
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer
São para os homens humildes
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada
Esses, que são de esperança
Desesperada mas firme,
Deixo-tos a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora
Com passos feitos de lua
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua.

As propostas dadas por cada um foram, mais uma vez, apropriadas e cheias de poesia, coloridas por risos, livros, rendas, brumas e luas.
Como muitas vezes faço - oportunidades de rever as décadas... - procuro as minhas alternativas, casando e justapondo frases e imagens.
A primeira, de rendas e brincos:


Algumas por cá ficaram, esperando outras luzes:











 

terça-feira, novembro 14, 2017

Pinturas - Modigliani

A propósito da notícia da próxima exposição na Tate Modern (e com que vontade lá iria...), fui lembrando os anos em que a pintura tinha, para mim, referências numa estética própria, de descoberta da juventude.
Há mais de 50 anos??? uma das minhas amigas-de-coração e de como os traços dela nos faziam falar em Modigliani, levadas pela semelhança que o namorado A. lhe encontrava. E sim, os traços dela lembravam as mulheres angulosas e misteriosas do pintor.
Amedeo Modigliani (1884-1920)

e naturalmente a minha companheira de adolescência, foi-me recordada de cada vez que vi estes quadros:

Na Courtauld Gallery, Londres, "Female Nude" - 1916


Na bela colecção de Paul Guillaume, na "L'Orangerie", Paris, "Fille rousse"


"Femme au ruban de velours", 1915

"Le jeune apprenti"
e o próprio "Paul Guillaume", 1915
Daqui e dali me vêm as lembranças.
Não seguindo (não tendo seguido) o caminho principal - e de novo me assalta a necessidade estética que tão agudamente senti pelos 15/20 anos... -, só há poucas décadas me dei conta da infinitude/finitude. E também muito das coincidências.


quarta-feira, outubro 25, 2017

PPP Outubro 3

Numa antecipação (vou aos montes, outra vez! despedir-me das pedras e vinhas que vão adormecendo no Outono) ao "Fotografando as palavras dos outros" de 26.10, sobre um belo poema de Manuel António Pina, "Todas as palavras" poesia reunida,  2011:
A sugestão de J. e um poeta que nos fugiu, tão novo, para as estrelas:

"Toma, este é o meu corpo, o que sobe as escadas
em direcção à tua escuridão, deixando-me,
ou a alguma coisa menos tangível,
no seu lugar.
Também elas envelheceram, as escadas,
também como eu, desabitadas.
Anoiteceu, ao longe afastam-se passos, provavelmente os meus,
e, à nossa volta, os nossos corpos desvanecem-se como terras estrangeiras."

As minhas propostas, (re)escolhendo as que ficaram "no tinteiro"






Terras estrangeiras... desvanecidas no tempo.



 

quarta-feira, outubro 18, 2017

PPP Outubro 2

Aqui, as reticências "Caso tu..." a iniciar o texto e foto que escolhi


"Caso tu tenhas dúvidas sobre o que deves comer, escolhe o que é uso nas terras onde estás: chegam-te as lapas frescas, com sabor a ilhas e a mar. E nunca mais te esqueces!"

Outras sugestões com outros textos que (não) cheguei a inventar:
Bucho e Maranho na Sertã

Pézinhos de coentrada em Castelo de Vide

E "caso tu..." não saibas onde estás, tens sempre os pontos cardeais para te orientar

ou sinal na porta onde deves entrar

E caso tu tenhas dúvidas sobre o Outono...

...ou onde te sentar e descansar, verificando o redondo da Terra...