terça-feira, março 27, 2018

Hoje é dia de Borboleta

Avistei uma borboleta pela primeira vez este ano.
Uma menina, uma feminina, cujo nome me vôa. Desenhei em papel e recortei duas, em Março.
O que há de específico neste dia-borboleta?
Unicamente ter visto uma, branca e efémera como a tarde,
entre as paredes severas e cegas dos prédios.
Uma borboleta branca descobriu um vaso de plantas.
E deu-me um riso.










(entre tantas fotografias há-de haver borboletas que eu sei... não as encontrei: falo então de coisas brancas ou breves ou delicadas)
***
Encontrei agora algumas...

A minha "menina-borboleta".

sexta-feira, março 02, 2018

Os sons dos Sinos

Imagino que tenha isto escrito algures, por aqui ou ali.
Tantos papéis, tantos cadernos, tantas notas. Tantas vezes sem datas, perdidos entre pedras, ou caixas ou recantos ou estantes.
É uma citação que só conheci completa muito mais tarde. Quando li "Por quem os sinos dobram", livro de 1940, de Ernest Hemingway, o futuro era longe.



(não conhecia José Saramago e as suas palavras)

Os relógios marcavam as horas, as mesmas

Aflorava as ruínas como antigas,
os homens como velhos,
no turbilhão dos dias,

na solidão dos pensamentos,





"No man is an island, entire or itself; every man is a piece of the continent, a part of the main. If a clod be washed away by the sea, Europe is the less, as well as if a promontory were, as well as if a manor of thy friend's or of thine own were: anyman death diminishes me, because I am involved in mankind, and therefore never send to know for whom the bell tolls; it tolls for thee."

John Donne (1572-1631)

Chove muito. As estradas e as ruas cheias de gente que trabalha, vai ou vem. Esse tempo que já não é o meu, quanta chuva, quanto calor, quantas horas.
Os tempos alterados.
Por quem os sinos dobram.

 

domingo, fevereiro 25, 2018

Fruto no Palavra Puxa Palavra

O desafio de dia 22 era ilustrar "Fotografando as palavras de outros".
O texto de Carlos de Oliveira, Trabalho Poético, Assírio e Alvim, Novembro 2003, tão belo como ele era,
mestre tão pouco lembrado.


"Fruto: Por um desvio semântico qualquer, que os filólogos ainda não estudaram, passámos a chamar manhã à infância das aves. De facto envelhecem quando a tarde cai e é por isso que ao anoitecer as árvores nos surgem tão carregadas de tempo."

Com árvores e poesia desta, era difícil escolher...









Como "uma abelha na chuva" por vezes me sinto, colhendo os pingos da beleza que se espalha, levando o pólen, fabricando o favo. Fazendo mel das palavras e dos pensamentos, o que é tão raro.
Me sinto, ou sento, como nestas tardes de Sul.
Incomparáveis.

terça-feira, fevereiro 20, 2018

PPP Fevereiro

A brincar, com reticências... entre fotografias,





meninos e meninas do futuro, o que eles inventam e nós nos perguntamos, se é paciência se é curiosidade, como aprendem,

o tempo vivo da juventude
os mares onde, apenas, flutuamos nas marés,

tempos revoltos 


 Quadriculamos a vida até ao fim, como a brincar...

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

Camélias e Sophia de Melo Breyner Andersen

"Quando eu morrer
voltarei para buscar
os instantes que não vivi
junto do mar."
Sophia dá-me o pretexto: de quem me diz mais ou menos esta frase e se refere a mim (mar-como-eu); e das camélias que fui ver na sua antiga quinta do Campo Alegre, hoje Jardim Botânico. Considerações sobre o jardim, o barulho na auto-estrada que cortou a quinta... nem vale a pena.
Dizia o meu pai, que era mauzinho mas meio filósofo e autodidacta:
"As coisas são como são e não como elas se nos apresentam".

As camélias possíveis, até agora, deste ano trabalhoso:











Camélia pensativa, encostada à árvore...

A Camélia com o nome da poetisa:



O que me maravilha, além da diversidade delas: o posicionamento!





Promessas no Inverno




Lugares afectuosos como "alguns" tenho.