sexta-feira, julho 20, 2018

Emaranhado

Não só (as)pessoas me espantam, eu espanto-me a mim mesma, com associações que faço, ou surgem, de memórias tão diversas como:
- ter 17 anos
- ir a caminho do inverso
- ter 60 e tal em tempo de jardins

- ter 6 e o zero que falta ser tão cheio! Que sonhava/ou que sonho, eu?

Jardins em Ponte de Lima, ano 2007


Gardénias iguais às que conheci, cheirei e descobri por mãos de arte, nos anos 60. Fui-as esquecendo. Estes arbustos estavam já nos "jardins" há 11 anos, 2007.
Em 2011, em 2015, havia camélias,

não sei porque não as fui ver, as gardénias, há coisas que (me)passam, pedras cobertas pela corrente de águas. Ponte de Lima tem o Lethes ali mesmo à beira: do esquecimento se diz, das pelejas entre Celtas e Turdulos e, mais tarde, avançando 136 a.C., do caminho dos Romanos pela península fora.
Ponte de Lima é um lugar encantador, onde muito se conservam os verdes, árvores, prados e flores.
Voltando ao presente, um pequeno passo hesitante atrás no passado: Alhariz e uma caminhada em 2010. Desfio as imagens de memória, os risos e o espantoso passeio, que mereceriam muito mais que esta referência.

O Festival deste ano, "O Clima nos Jardins", tem propostas interessantes, algumas muito criativas e mais por terem sido imaginadas e feitas por crianças. Sobre a diversidade e sobre o perigo de poluição/destruição que paira sobre o meio ambiente. Imagino as conversas dos mais pequenos e a produção dos trabalhos durante o ano. Ficam apenas alguns/poucos registos de tanto que se viu.






É um conto de fadas e mãos pequeninas!
E cá vem, a ponte, a do Lima:







Como estão pujantes as ramagens em cercadura!!!
... e as gardénias, afinal o que me fez começar esta deambulação/efabulação - sim, que tudo isto são fábulas e rábulas - pelas décadas.

sábado, julho 07, 2018

O Museu - o que faltou - de Aljustrel

Com a mudança de residência, por algum tempo de férias - esta visita a Aljustrel foi no caminho para Sul - , esqueci-me do resto das fotos do Museu Municipal, mineiro e não só.
(o resto, os caminhos e povoações à volta que se foram descobrindo, ficarão nas "minhascoisassoltas" onde me entendo melhor, escolhendo, dando luz, desfiando a memória e as imagens, sem muitas considerações: só o gostar delas).
Sempre me encantaram as escavações (já me perdia de olhos-criança no Atlas de 1956??? de João Soares), a sabedoria e o ensinamento que me trazem as pedras e os artefactos antigos. A imaginação das pessoas tanto tempo antes de nós. Escrevi-o não sei onde, e se calhar já o disse mais que uma vez: 

"vivemos em cima do pó dos outros".

Foi de novo um prazer ver pedras e outras antiguidades trazidas à luz de hoje: Idade do Bronze (Atlântica) 1300 a -700 a.C.! E por vezes quanto me custa contar para trás...






A elegância, o movimento,

a forma da travessa, tão moderna quanto "hoje"!





Tantas vezes me comovem estas pedras tumulares.


terça-feira, maio 29, 2018

Ervidel, considerações de Alentejo

Reparei que:
pelas vezes que nos últimos anos rumamos ao Sotavento Algarvio, todo o mapa do Alentejo  se transformou e reviu nas cores que tantas vezes recordava. Antes da net, nas revistas, nos livros.
Uma vez, há mais de 30 anos, dois carros pequenos, por aí abaixo, por planuras secas e amarelas, desoladas, casais e filhos, perderam-se entre Évora/Montemor. As crianças precisavam dormir e os carros... arrefecer. Foi tão difícil encontrar um hotel, uma residencial... acabamos numa pensão manhosa, onde no dia segunte, na "salle de bains", tomamos todos banho de mangueirada.
Vir de férias é "uma espécie de pretexto" para parar no caminho. Lá de cima não dá jeito vir ficar uns dias ao Alentejo mas, passando nele, aproveita-se. Um nome, uma referência de escavações, um mito, um rio ou lago ou barragem: temos visto coisas maravilhosas e tão fora dos destinos turísticos que nenhuma brochura ou circuito no Alqueva nos daria.
Tivemos a sorte de ver os campos, Monsaraz, Aldeia da Luz e tantos lugares que agora estão debaixo de água, uns pequenos anos antes do Grande Lago.
Ultimamente, verificamos as boas diferenças que deram vida às populações e reverteram as paisagens desertas em campos de cultivo. Mas não podemos deixar que a amargura nos tome quando vemos as monoculturas desenfreadas, de oliveiras, de vinhas, de árvores de fruto, que são plantadas milimetricamente, apenas para dar lucro em meia dúzia de anos: a terra cansa-se de tanta artimanha para fazer crescer,  rápidos e impolutos, os lucros do capital investido.
Isto a propósito do caminho para Ervidel, onde se parou desta vez.
A casa onde nos hospedámos, era uma antiga estalagem de gente que mercadejava por estes lugares. Recuperada com gosto, no meio da aldeia mas bastante básica e fria, excepto no esforço do casal que tentou acolher-nos bem.




É quase comovente, o azul que é um esforço novo e o "velho azul" de outro século!









Num pequeno café de aldeia, fomos servidos de jantar como príncipes, sopa de sabor caseiro e pratos feitos especialmente para nós. Mimosos e abertos no receber, estes alentejanos sem grandes parangonas de gente ricaça.



Os traços de arte a que se atreveram as freguesias ignoradas. Por curiosidade, que não fotografei, abri um ponto onde se encontravam livros para as pessoas lerem/levarem, e vi uma escolha óptima, se pensarmos que tão longe se está dos centos de decisão.



O fim do dia, entre os limoeiros, alguns ainda com flores cheirosas.