terça-feira, agosto 16, 2011

Os cogumelos








parasitas? Venenosos? Oportunistas?
Incongruências de cidades,
das árvores e traços nos muros que por aí restam, teimosos.
E dos cogumelos.

Com os vícios das humidades, nos buracos de sombra, se disfarçam
e alimentam.
E como passam os anos: as paredes e as pessoas envelhecem, já não nos contam promessas.

sexta-feira, agosto 12, 2011

Defesa






Gentes que se contam pelos dedos da mão.
Que me foram ficando.
É bom.
Sem diálogo há encontro: nem sei como se explica!
Da escola: eu leio, tu lês, eles pensam, nós comunicamos.

E afinal quem me disse que as pedras redondas nos espigueiros eram "uma defesa" contra os ratos para não subirem a buscar o grão?
Coisas simples e básicas como trocas de sorrisos e abraços.
Metáforas como gosto.

Boas noites, queridos companheiros.

quarta-feira, agosto 10, 2011

(ainda) Londres (de agora) no pensamento





Ao ler o comentário da Lizzie que subscrevo sem restrições:
porque a abundância and the lack of values
guerra, as guerras...
E pensando que os milhões de famintos na Somália não se organizam em bandos
e não precisam de telemóveis,
muito menos de roupas de marca para substituir os farrapos que vemos

apenas pão/água/leite ...
e assim por aí fora.
Lembrei um livro sobre o "outro lado" da guerra.
As noções de sobrevivência da sociedade de então: apenas - sobreviver.

(espero não incorrer em nenhuma violação de direitos fundamentais e democráticos etc ... as imagens são do livro mostrado e pretendem representar, por mim, a diferença visível entre "os coitadinhos" de hoje, os das pilhagens).

Contudo, a calma sob a cidade II



Se a minha vida é um pretexto
(a remendar redes)
se as fotografias o são
se as palavras escondem o que mostram
se surgem as imagens e o pensamento rebenta a rede
se eu não sou quem sou
ou se é apenas um pretexto
de fuga

(por vezes, fugir do cardume é o melhor remédio, peixes!
Vá-se lá saber o que faz a raia,
bailarina entalada no meio das cavalas)

Com Londres no pensamento










...convoco a organização, os mercados, a liberdade, os museus, os verdes,
a multiplicidade de raças e credos que aí conviviam, trabalhavam, estudavam,

anos 70, anos 90, início de 2000
por todo o lado.
Custa-me pensar que o neoliberalismo desenfreado, a democracia de fachada,
tenha levado
a que pessoas, ali com acesso a um melhor nível de vida que nas suas terras de origem, não se tivessem integrado ou sido integradas,
e se revoltem e roubem e destruam
bens comuns
.

Não é romantismo: é desencanto: por não se assegurarem os direitos e liberdades.
Fundamentais.
Londres da minh'alma... tão longe te (me)vais ficando.



segunda-feira, agosto 08, 2011

Contudo, a cidade calma I






E pensamos nós que poderemos reter o sol
ou as palavras,
o pensamento
ou a felicidade.
Quando esta é apenas a safra, pequena ou grande, de um dia,
uma vida,
de labor,
uma esperança de melhores dias.

Ou noite.

quinta-feira, agosto 04, 2011

Aniversário

(foto de M.)



Falo de luzes que nos foram iluminando durante estes 5 anos.
Pequenas e brilhantes, as luzes. Reflectidas.

As que perdemos e que ganhamos.
As que se foram e nos ficaram.

Como pontes.
Brindo com pétalas de rosa.

domingo, julho 31, 2011

Magias




...que me encantavam (e ainda!)
Como conservar momentos e sorrisos. Como espelhar/espalhar memórias.
Ainda existem, os mágicos do "passarinho"; e sempre lhes falo, interessada pela sua arte, sempre os animo.
Tirando uma fotografia "à la minuta", uma fotografia de tocar com as mãos.
Este Senhor de olhos com riso, já tira fotografias desde os anos 50.

(não saberá dum menino magro que tantas vezes pisou aquelas pedras,
cinzentas, severas, como o queriam a ele?)

domingo, julho 24, 2011

Sapatos antigos

Das ingenuidades.
Para assim estar ou ter estado,
precisava das sabrinas,
sem moda nenhuma. Porque bailavam no chão.


Dos meus sapatos velhos de corda e tecido.
Fitas em tornozelos finos.
Estáveis e jovens.

(esta, também, mania de portas, batentes, fechaduras, velhos, mudos - recorrentes.
ah... já sei, lembrei-me: tínhamos um vago batente verde na porta da rua.
O homem da casa que reinava entre as mulheres, nunca batia com ele; batia com a mão aberta ou o fechado punho grosso; um sobressalto. Pelo som, breve, forte ou abafado sabíamos, as três parcas, da disposição esperada)


Estender dedos de árvore pelo solo e pelo ar
- não ver nem ouvir os bichos e fantasmas que nos inventam

Resistir coluna-alma-de-abóbada-maior
mesmo roída pelo tempo

Andar de poiso em poiso como um pássaro procura um vago equilíbrio
no vento
na ondulação

quarta-feira, julho 13, 2011

Sentir que





...venho às vezes aqui procurar
vestígios verdes, portas apenas encostadas, espaços de cor,
traves.

terça-feira, julho 12, 2011

Caminhos





E lá vamos
nos fios de água,
andando com as aves.
***
Sabem elas sempre o momento de voar.
De voltar.
***
Grata aos amigos que encontram uma verdade de asas nos meus,
tão simples, afectos.

Bom é aprender; e sentir que somos entendidos quando escasseiam as palavras no espanto.