quinta-feira, fevereiro 18, 2021

Associações

Quando as faço, não me saem da cabeça. Até ganharem forma de letra e imagem.

"Parva sed apta", a inscrição na casa de Sir Richard Wallace, c. 1870, um milionário e coleccionador de arte inglês que viveu em Paris. A inscrição encantou-me, assim como saber da vida filantrópica deste homem: 

"pequena mas suficiente para mim".

A frase está escrita lá em cima, no frontão, os jardins são lindos. Qualquer semelhança é pura coincidência de gostos... 

Porque: "terra quanta vejas, casa em que caibas",

foi assim que olhei as minhas pequenas e modestas violetas, ao tímido sol da tarde, neste lugar de

"confinação-aflição".


quinta-feira, fevereiro 04, 2021

Uma escavação na memória

"The Dig"! Campos ingleses e escavações foi um amor à primeira vista. Assim acontece com muitas séries, actores e filmes ingleses. Onde há aqueles tons e sons muito próprios dessa terra - mesmo com as trapalhadas dos reis e ministros, de tão estreita largueza de ideias sobre os vários países; e sobre o continente europeu, agora com o Brexit - que eu aprecio tanto no silêncio dos meus sonhos.

E a partir das escavações em 1939, de Sutton Hoo, no Suffolk, o que aprendi. Lembrava vagamente ter visto no British Museum algo sobre esta exposição de vestígios arqueológicos. Mas como me acontece tantas vezes, do olhar, ao procurar e reconhecer, vai muito tempo e passam muitas imagens. 








Encontrei!!! Foi como se tivesse encontrado "alguém" conhecido que me tivesse sorrido e abraçado, neste tempo tão sombrio de afagos. 

Thank you forever, Mrs. Edith Pretty and Mr. Basil Brown. E ao Museu Britânico que visitei várias vezes, deixando uma librita de ajuda, na caixa de plástico transparente à saída.


quarta-feira, janeiro 20, 2021

As Eleições

Em 1969 foi o primeiro ano em que "se pôde" votar em eleições legislativas, na chamada abertura da "primavera marcelista", a tal que prometia renovação na continuidade. Com todas as contingências do regime fascista e repressivo, votaram 1.124.195 pessoas... uma aventura arrojada para quem conseguiu votar pela primeira vez! CDE, um grupo alargado de esquerda, a wiki contextualiza e diz: socialismo, comunismo, marxismo, anti-ditadura, anti-colonialismo. A campanha fez-se, de corridas e medos. E o regime ficou com "o historial de todos os do contra".

A União Nacional obteve 88% dos votos!!! A fraude era evidente. Não sei em quem votaram as mães dos soldados deslocados na guerra colonial.

Interessa-me pensar que desde aí sempre votamos. A origem do 25 de Abril assim nasceu, 5 anos anos antes de chegar o dia das surpresas... Olhando para trás, há coisas que me parecem hoje ainda uma continuidade. Caras do reviralho que se acomodaram em outras andanças. Os mesmos estribilhos desagregadores do que é essencial.

Muita gente no voto antecipado, muitos velhos e muitos jovens. Não sou paga para pensar mas era fácil prever que, um único sítio para votar numa cidade, iria provocar ajuntamentos que não se desejam nesta propagação insidiosa da doença do século. Depois de chegar, no espaço enorme dos pavilhões da votação, pareceu-me tudo bem organizado. Quase duas horas de espera e muitas centenas na fila, as máscaras, as tvs pressurosas a apanhar desajustamentos e protestos. Por ruas e paisagens onde nunca estive. Prédios muito feios e desertos. Escavações para mais. As gaivotas num alvoroço, pessoas nos muros a apreciar, um tempo luminoso e frio.

Apontamentos.







Ali perto, em meandros de ruas, a Lapa. Um lugar antigo de onde se via o mar. Ainda hoje o escolheria, um pequeno ninho acima da cidade.

 
 
                                                                          

domingo, janeiro 10, 2021

PPP no novo ano

Das poucas coisas que me agradaram neste início de ano: a proposta de T.S. para o mês de Janeiro no PPP.

Mas também me complicaram a mente, tipo nó sobre nó de tantas ideias, porque "Viagens na minha terra" é um tema tão vasto nas minhas fotografias e passeios... que vi-me e desejei-me para escolher, algo que fosse pouco comum.

O Parque Natural de Montesinho situa-se na Rota da Terra Fria Transmontana. Aí encravada, está a aldeia de Rio de Onor, uma das poucas aldeias comunitárias que ainda restam no país. Tendo a fronteira com Espanha a meio do aglomerado, os habitantes dos dois lados distinguem-se por serem uns "os de acima" e outros "os de abaixo". O Rio de Onor é afluente do Rio Sabor e nesta fotografia vê-se a Ponte Romana em toda a sua vetusta robustez e elegância.

Pelas andanças na Terra Fria. Uma Rota maravilhosa que se fez há mais de uma década. Passados uns anos, hoje sinto que "a terra fria" onde estou é mais fria do que a que se passeou... Donde deduzo ajuizadamente que as boas ocasiões nos levam a melhores disposições!





Isto por aqui já é o Gerês, verdes todos

e a sua estrada romana

E havia um ninho vazio em Março, as promessas das folhas estavam lá. Quisera Março que vem e poder espreitar os ninhos. Quando pensamos que afinal tudo isto que se está a passar é um "atraso de vida" e a gente põe-se a querer que os meses passem: contra nós mesmos, uma incongruência, porque se nos vai aumentando a idade e os penares...


quarta-feira, dezembro 30, 2020

2020 - Ano de (poucos) Encontros

Sobre este ano grave, muito se disse e diz. Desde Fevereiro. Nem festas. Muito o pensei, quase semana a semana em projectos. Sem fazer balanço, tempo de "soma e segue", que todos estão em interrogações e sofrimentos.

Esperamos que passe mas não sabemos. E esta intranquilidade, este espanto de não depender de nós mas de tantas outras condicionantes, deixa-nos perplexos e exaustos. 

Ontem trocamos horizontes, em fotografias. Lisboa/Porto. 


O PPP cumpriu-se, 11 meses de ideias x 4 semanas x 11 pessoas das escritas e fotografias que somos. 

Pensamos em grupo. É bom. Estas "notícias" animosas que vamos tendo uns dos outros são um conforto, são um fio desdobrado, precioso, de "palavra puxa palavra" ou "pensamento puxa pensamento". Dezembro foi mês dos numerais! 

O dois: adivinha-se a música, os "Barqueiros do Volga", "Kalinka", "As Danças Guerreiras do Príncipe Igor", tudo recordações de há muitas décadas

O três: os caminhos entre lagoas e passadiços, num Minho recôndito

O 100: mais de um século passado sobre "As Portas do Inferno", de Rodin, uma recordação de Paris

O 1000: os muitos mais Guerreiros de Xian e um passeio pelos Jardins Budda Eden

E aspectos dos Guerreiros de Terracota, na exposição da Alfândega do Porto. Uma simulação de imagens e explicações muito bem feitas e que tive o privilégio de ver com tempo.


E, sempre, as convergências da mente. Neste silêncio.


quarta-feira, dezembro 09, 2020

Variações de humor

Avança dentro de nós o Dezembro. Lá fora, persistem as luzes para alguns e as não-luzes para tantos.

Tentamos, muito, que os entes queridos e os amigos se apercebam que "estamos aqui", onde nos colocaram, onde nos obrigaram. Não só as vidas diferentes como as contingências deste momento grave para milhões de pessoas e famílias. Penso, para mim, que um bom presente de Natal, em havendo, seria poder estar com a gente que é minha ou próxima. 

"Somewhere, over the rainbow", 1939, do Feiticeiro de Oz, uma história bonita sobre a Ilusão e a Felicidade.

Se possível, aqui no livre ar do sul



A proposta de números 1, 2, 3, 100 e 1000 deste mês no PPP, fez-me ir atrás, num vaivém de cenas possíveis. 

1 - Um dia, um acontecimento, uma personagem. Fotografia manual, a preto e branco, pelos antigos métodos do “olha o passarinho”. Um gosto, além da paisagem, conversar com o senhor que ali está há dezenas de anos. Ou estava, que o tempo destrói as vidas e as vontades. Mas sempre lembrarei este momento, tenho a fotografia-feliz em prateleira da sala. 

A conversa com este "senhor da fotografia à la minuta" foi sobre o seu pai, que o ensinou e lhe deixou o gosto e os apetrechos. Feliz por gostarmos e lhe termos pedido para nos tirar uma, a rir, a olhar o boneco-pássaro e a imensa paisagem de Viana do Castelo e mais, mais adiante. 

Mas, como sempre, escolho muitas coisas, em momentos que são UM, momentos únicos (que são todos, uns melhores que outros). O tempo continua a ser tempo, atrás, hoje e à frente, até se acabar "o nosso tempo".

Duas pedras em diálogo

Três oliveiras, ou quatro?
Pelas 3h da tarde, sim, era de tarde, pelo sol e pelo relógio
Dois espigueiros e o terceiro em vislumbre
Dois para "O Beijo"
Três figuras de diferentes expressões

E, por último, os nenúfares, dois e um terceiro prometido, sempre lembrando Monet e a sua incansável busca de impressões pictóricas. Claude Monet pintou cerca de 250 quadros das flores da água.

Adoro o lugar, a cor, a minha fotografia que assim calhou.