Ora, mãos à obra que aqui vou deixando ficar: ainda não publiquei as minhas sugestões do mês passado, escolhas que ficaram "no tinteiro"
Dia 4 - Fotografando as palavras
dos outros, um poema que a Mena nos deu a conhecer aqui copiado, por ser muito belo.
Ave
Marés e instantes de prata despertam as
gaivotas.
No mar espremeram frutos, que têm sabor
a noite.
Brancas de tanto conterem o vento nas plumas
encontram nas manhãs a escrita das ondas.
Sem pontos.
É no amor verde da água que o desvario se
prolonga.
Sem metáforas.
Sem as correntes da rima cativa, sou ave.
Lília Tavares em Casa De Conchas,
2022

Esperando a eterna
equivalência das marés, as gaivotas são como os poetas no fluxo das
palavras que lhes surgem. Como alimento.
As figurinhas são de uma história inventada há mais de 40 anos para o menino. Agora em aguarela para a "menina".
De gaivotas e mares, estou conversada! Devo ter centenas senão milhares destes lugares e coisas que me entusiasmam.
Dia 11 – Jornal de Parede
As
inscrições nas cidades e vielas, surpreendentes.E ainda o jornal, o desenho num jardim, em férias dos anos 80.
Dia 18 - "Se eu pudesse"
Muitas ideias me surgiram num
ápice, todas centradas nos meus sonhos e desejos: acções, lugares, pessoas.
Resolvi-me por uma irrealidade:
acabar com as guerras e fazer desaparecer os que as promovem.
Não vos passo imagens do que
vocês vêm e nos entra pelos olhos e ouvidos, em tudo o que chamam, na
generalidade, os inúmeros meios de comunicação. Recupero uma foto antiga,
inícios do ano 2000, já aqui utilizada há muitos anos, como amostra do que
digo: escombros e silêncio.
Dia 25 – Natal
Escolhi o Natal sintético que vi numa montra: velas em pose de frutos.A minha disposição para esta
palavra é quase nenhuma, exceptuando a alegria que me dá a família chegada. No
resto, só encontro comércio exagerado, de todas as cores e feitios. Por isso
respondo com a simplicidade de uma montra enfeitada de romãs, a fingir. Hei-de
comprar uma verdadeira, é fruta coroada, rainha da época.