quinta-feira, junho 10, 2021

Maio no PPP com Justine

Com a prosa um pouco emperrada de tantos horizontes e ideias, deixo recordadas as minhas respostas  e escolhas das efemérides evocadas pela amiga "do quarteto" para o PPP. Porque são, realmente, efemérides de Maio, o verde e o maduro mês das flores.

De repente, vibrou-me no pensamento o caminho em terra que tinha de fazer na minha adolescência, 1km, de casa até chegar à camioneta que me traria para o liceu: as sebes enchiam-se de rosas, de cheiros pequenos, bravas, que ninguém plantou. E estou a vê-las, nesses Maios de manhãs claras e vôos altos.

Anos 70 e anos 80, exercícios de Liberdade



A cidadania, as convicções, a natureza...


E a música/poesia,

alguns dos discos de vinyl que nos falam com ternura de tempos passados: Giacometti, Manuel Freire e Adriano: "Para que nunca mais".


domingo, maio 23, 2021

Em Maio comem-se as cerejas ao borralho

... mas tenta-se sair ao encontro da Natureza que despertou. Com todos os cuidados possíveis, alegram-se os olhos e os sorrisos acontecem. Ah... estão aqui, estão cá, os azuis, os verdes, o pequeno vento fresco da manhã clara e o forte vento da tarde brilhante. Assinalamos o crescimento das árvores, a grande paisagem esconde-se. Espalham-se as sementes e os pólens, reconhecem-se os lugares e cumprimentam-se as pessoas que de ano a ano vemos. Somos felizes por poder voltar aos lugares onde fomos felizes.










E o encanto de sempre. Porque se sente como um privilégio poder retornar aos lugares queridos. Mesmo com tantas contingências e temores, a terra floresce, os pássaros voam, o mar está ali, a claridade ah... a claridade do Sul! Encher o coração de sentimentos, de cores e sons. 

Duros foram os 7 meses de avanços e recuos, de vazios. Dizia eu um dia destes uma verdade que vou percebendo melhor: o vir para cá não é apenas a chegada, é a festa de passar as paisagens além dos rios, de cheirar os cheiros, de reconhecer a terra e o vasto Alentejo. Tão bom.

 

 


sábado, maio 01, 2021

Abril de coisas comuns, no PPP 2

As minhas escolhas semanais de fotos/temas, como sempre, são inúmeras. Preterindo umas, preferindo outras, sem razões que não sejam as do instante em que as olho.

Dia 15 – Ir ao jardim, tudo à beira Douro, à beira mar




“Passeio Alegre” recordando Eugénio de Andrade

Chegaram tarde à minha vida 

As palmeiras. Em Marraquexe vi uma

Que Ulisses teria comparado

A Nausicaa, mas só no jardim do Passeio Alegre

Comecei a amá-las. São altas

Como os marinheiros de Homero.

Diante do mar desafiam os ventos

Vindos do norte e do sul,

Do leste e do oeste,

para as dobrar pela cintura.

Invulneráveis – assim nuas.

(“Rente ao Dizer” 1992)

 Dia 22 – Andar na cidade


Já me custa até o esforço das palavras. Nas ruas vazias.

Mas o túnel pode ser passado... e o meu maior desejo é poder brincar fora de portas!



 
Dia 29 - Visitar um museu



Como disse A. no seu desafio anterior, tal qual eu me senti ao escolher as minhas propostas deste Abril: “fora de pé”, “lenha para me queimar”, sei lá… coisas que a gente faz sem querer. O certo é que me surgiram milhares de sugestões, jardins, cidades, museus, tudo aquilo que eu gosto de ver, fotografar e tratar. Decisões cheias de porquês.

Esta uma foto conhecida mas sempre misteriosa, do relógio e da vista de Paris, a partir do interior do Museu d’Orsay. Estação ferroviária do ano 1900, foi centro de acolhimento de prisioneiros e deportados, em 1945. O Museu só foi inaugurado em 1986.

***

E deixo todas as que me surgiram na ocasião dos "museus" e as minhas relevâncias do instante em que andei a escolher:

Foz Côa, em 2003, quando se visitou e nem havia museu, uma caminhada e lugares inesquecíveis




Acima e abaixo, fotos no "estrangeiro":




 
As meninas que fomos, "as três graças" que éramos




Gestos de ternura, que são os melhores que podemos ter!


sábado, abril 10, 2021

Abril de coisas comuns, no PPP

Lugares de que temos saudades ou sentimos a falta

Numa época conturbada, restritiva, que nos obriga a tanta ginástica física e mental, achei que nos faria bem a todos pensar/partilhar estas coisas simples. À vontade dos companheiros semanais, daquilo que nos puxa palavra e fotografia, deixo apenas sugestões, esperando esforçada-a-mente que tudo volte a alguma normalidade, lá para a última semana! 

De que mês? não sabemos.

Dia 1 – Passear ao ar livre? Que liberdade passada, como gosto e tantos momentos, cada um, único

Não só  o passear ao ar livre mas poder juntar-me com as pessoas de quem gosto. Este um lugar entre muitos que poderia ter escolhido mas que tem para mim um significado especial: é longe, é (sempre) bonito e na companhia de uma menina que descobriu “areia preta”, à qual achou muita graça!

 

Um dia destes, por acaso e numa loja vulgar, encontrou-se um bolo de mel de Safara! E deu-me logo vontade de ir (re)visitar essa terrazinha do Alentejo. Tão cuidadosa com o seu património.




E, depois na memória, surgem os encantamentos de lugares tão longe e tão nítidos! Onde jardins são montras e se passeia pelo devaneio de tanto colorido.

Dia 8 – Comer fora de casa

Gosto de comer fora de casa. Gosto mais quando a comida é boa, mais ainda se o lugar tem paisagem. Já me aconteceu fazer refeições em tascos, virada para a parede e, contudo, o que comi e com quem, nunca esqueci, pelo agradável que foi! Também comer uma simples sandes e beber uma cerveja, com o horizonte todo pela frente, é um prazer enorme. Juntando as duas coisas, comida boa e paisagem, apenas acrescento as companhias que nesta ocasião nos são tão imprescindíveis.

Com mar.

Com rio.


Décadas sem Lisboa, décadas com Lisboa.