quinta-feira, abril 05, 2007

Digo e desejo




que fiquem BEM, como gostem de estar.
Com quem. No lugar onde prefiram.


Façam força para isso.
Fazer vontades a vós próprios.
Boas vontades.
Girândolas de alegrias simples.
Como os olhos dos vossos amigos verdadeiros, onde quer que eles estejam.

Festas, assim a metro, só na casa dos retalhos.

Por isso, a cor no escuro.
Amêndoas que não tive em pequena, não as quero agora. Não me apetece querer.
Doces e duras. Supérfluo prazer de tão poucos sentidos. Mais o olhar come as páginas do livro. Avidamente.

(Fotos de MCP)

terça-feira, abril 03, 2007

...perdura ainda











...porque me faltaram as fotografias que tinha escolhido. E nem estas estão pela ordem que pensei. Artesanato eu faço, mesmo com o computador. Não há remédio nem mais aprendizagem.
O meu colaborador levantou-se pela primeira vez, há que anos, e nunca mais parou! Passa de fugida...Tenho um grande trabalho para criar um post; assim como se andasse no rio em cima de pedrinhas, escorrego.
Podia pôr uma palavra. Ou duas. Ou umas palavras por cada fotografia. Ou fotografias sem palavras. Um poema, pensamento.
Instintos meus, sonho meu...
...vai buscar quem mora longe, sonho meu...
Estas são algumas das fotografias desse correr a terra pelo Guadiana abaixo.
Reparo. Revivo. Reparto.

segunda-feira, abril 02, 2007

"Sonho" da semana passada...







Foi este o "Sonho" palavra/semana passada, no PPP.
Fotografia que jamais se repetirá. Hoje este espaço entre o menhir do Outeiro (6m de altura) e Monsaraz, é o leito do Alqueva. A barragem que era para dar "vida" - água? - ao Alentejo, conjecturada há décadas, cavalo de batalha duma esquerda vigilante e pouco actuante.
Hoje será para turismo, de "qualidade", de barcos, de motas de água, de BTT ou jeeps. Assim vão os anúncios para "inglês ver".
Porque se fala tão pouco naquilo que é raiz de nós, as culturas das terras. Desanimo. Desânimo. Tanto fogo fátuo.
Isto verde espaço, verde oliveira, nunca mais se repetirá. As minhas fotos são de 2001 e as recentes são das que andam por aí, nos cartazes do novo Alentejo (esquecido o outro?).
Monsaraz ao fundo, ervas tornadas algas, pedras da terra submersa na água.

O cromeleque do Xerez, história antiga, lagaretas, símbolos, pedras do lar, tudo foi retirado para ficar a salvo das águas: disseram; acredito que tenham encontrado um lugar mágico como este o era. (Porque as notícias que vejo é de cães danados, donos doidos, tráfico de mulheres e de influências - para mim igualmente sórdido - juízes distraídos a quem ninguém pede contas, politiqueiros).

O "novo Alqueva" e a vaca sagrada do turismo - for all?? querias... - a que chupam as tetas até ficar disforme, seca e em cimento, ervas só criadas em condomínios.

Lembrei um viaduto altíssimo a ser construído, nós cá em baixo, a olhar para cima, embasbacados, o caminho para a aldeia da Luz. Já fantasmas, os velhos a quem, timidamente, dissemos "boa tarde", velhos curvados e troncos torcidos para a terra como infinitas oliveiras. Pratas, bronzes e oiros do nosso querido Alentejo.
Nomes lindos como o povo desses lugares. Terena, Cabeça de Carneiro, Motrinos, Moura, Serpa, Margalhos, Bezerra Doida ...

Pulo do Lobo (onde o outro doutor, de económicas e encómios, se pensou introspectivo presidente de paróquia).

Uma descida pelo purgatório do calor e das pedras raiadas de alaranjado, arbustos vermelhos e selvagens, água vibrante e logo meiga. Amar ela.
Em cada bocado daquela terra, dançavam as fadas rindo e fugindo dos deuses.
Em cada bocado sagrado da nossa terra, onde se podem encontrar os sinais do princípio do Mundo.
Sinais que não podemos ignorar, apesar do silêncio ensurdecedor dos "senhores da guerra".



quarta-feira, março 28, 2007

Vida e Teatro














Ontem não consegui resistir ao chamamento da flor e às cores.


Era dia do Teatro! Os dias disto e daquilo têm uma vantagem particular: lembrar o que no quotidiano existe e esquecemos. Todos.


Noite em que vi novos e velhos actores. Alguns do tempo da "Voz", não havia televisão, o rádio trazia-nos os poetas da palavra dita. Vozes que guardo ainda no silêncio, uma língua musicada, forte, brava e doce. A nossa língua modulada e correcta, sem erros. Falava-se bem.



Estive num palco com 8 ou 9 anos, teatro amador de crianças. No liceu, as peças de Gil Vicente e "A Barca do Inferno". Se foram obrigatórias, ainda bem: os alforges míticos das crianças recolhem todas as migalhas de vida.

Percebo a paixão, a punção da máscara, o gosto de declamar, dizer e desdizer, mudar de pele.

Há uma menina que anda como se dançasse, que se move como se não pousasse os pés no chão, que paira naquele momento suspenso entre o salto e o solo. Faz caretas, imita os bichos, ri-se em catarata. Os olhares de gazela, de mulher, de criança. Adulta jovem.
Para ela, os cantos esculpidos dum teatro sério e bonito.

Escada que sobe a tua vida, ao fundo as flores do futuro e do teu contentamento.


O Rivoli: daria lucro no tempo das manhãs clássicas de domingo, onde o Maestro explicava a música, éramos todos novos e levávamos os filhos pela mão?

- Não me reconheçam, nem me procurem, estou nos bastidores -


Irregulares












Como o tempo, as estações do ano e os meus momentos.

Avisada gentilmente que atingi o 100º post, nada melhor que ir buscar as camélias do Senhor Paulino Curval, na sua Quinta de Vilar de Matos, aquele sítio encantado onde se passeia como no Paraíso.
As suas mãos de Arcanjo. O seu riso Santo. As arcadas das estufas como se Catedrais.

Ir e trazer as camélias e as magnólias, antes que o frio e o vento inopinados lhes levem as flores

Há anos, desenhava e pintava eu para a minha criança: uma magnólia na esquina da rua da escola, flores taças dum rosa vivo, rebentando para o passeio sem que ninguém as saudasse.

Desenhava e pintava o mapa de Portugal, com cachos de uva no Douro, presunto em Lamego, peixes no mar, pinhais em Leiria, barcos na Nazaré, trigo no Alentejo, sol no Algarve.

Naquela rua havia mais árvores, mais espaço, mais flores. Hoje há mais prédios, mais bancos que prometem a melhor taxa, todos.
Naquele mapa, havia rios e lugares, símbolos de vida, cultura.

Hoje, talvez tivesse que assinalar à minha criança os centros comerciais. Onde se esquecem as cores do ar e nos reflectimos em montras, quais lagos espelhos de bens supérfluos.

Nas lojas gourmet compro todos os produtos do mundo, nas feiras do fumeiro chegam-me os cheiros do campo.
Alegremente tabelados.
Metalizados, higienizados, cintilantes, normalizados.
Self service de sentimentos, prateleiras de desejos.
Esta é a centésima vez que me queixo da sociedade e me refugio em sonhos. Veladamente ou descarada.
Nada melhor que as flores para esconder a mágoa ou celebrar a outra vida que queria viver.















quarta-feira, março 21, 2007

Dias para relembrar




Dia Mundial da Poesia
Sentido mais como um "Estado de Alma"


"Toma o teu lugar na mesa, foste tu que a puseste.
A partir de hoje vestirá o vestido aquela que o coseu.
Hoje ao meio dia em ponto
Começa a idade de ouro.

Nós vamos inaugurá-la por sabermos que
Estais fartos de construir casas
Que jamais habitais. Queremos crer
Que doravante ireis comer o pão que cozeste.

Mãe, que o teu filho coma.
A guerra foi anulada. Pensamos que issso
Seria melhor para ti. Porque, dissemos com os nossos botões,
Adiar ainda mais a idade de ouro?
Nós não somos eternos."

"Poemas" de Bertolt Brecht
Selecção e estudo de Arnaldo Saraiva, Editorial Presença
(livro comprado em Maio de 1968)

Porque a Poesia também planta crianças da Paz.
(Sábado 17 de Março, Concentração pela Paz em várias cidades do Mundo
- Porto, Praça D. João I)


Aqui está



...a minha "sagração" da nova companhia que vamos ter 3 meses!!! Mesmo o frio sentido, não a faz esquecer de chegar. Descalça e brilhante.

Não flores agora. Depois.

Tenho clientes em carteira; ou seja, a minha "firma" de troca e venda de palavras, ternuras e enfeites, tem ainda as meninas magnólias e camélias na calha da brisa.

Saudação em postais dos princípios do século. Isto dá-me como febre, por vezes.

.....

DEI (depois de escrito isto): não esqueçam o museu de Odrinhas, já ali abaixo, o cheiro de Primavera deve ser estonteante, lá...

segunda-feira, março 19, 2007

Um regresso a Odrinhas












Sintra que sempre murmura uma harpa de encantamento. Serra sagrada com o seu horizonte e os seus milénios de história, onde antepassados vindos da Europa e do Mediterrâneo convergiam em diversos saberes e religiões.

O Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas e a adjacente Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra. As minhas palavras vivas em 6 de Julho do ano passado,
sobre este lugar especial. Em pleno meio rural.
Centenas de monumentos funerários, vestígios de cidade romana, desenhos que nos habituamos a ver nos livros e ali - no "Livro de Pedra" - podemos tocar. Aprender a ler ..."filho de, família de ..."; uma dedicatória a uma escrava, numa das lápides, fez-me sorrir de puro deleite.
Os sarcófagos etruscos, trazidos por Sir Francis Cook para ornamento da sua Quinta da Regaleira, ali estão, dignos. Estátuas soerguidas em leito de pedra, olham-nos do fundo do tempo na sua cripta de penumbra.
Fora do Museu, o espaço tem uma aura divinal no ar, nas cores do musgo e pequenas flores do monte, os nossos passos cautelosos por cima de passos antigos. Um pátio com reminiscências árabes, o lago, uma amoreira plantada na "Ágora", convocam-nos para uma reunião de culturas.

A lápide na parede refere que, em 1955, a vontade do povo desse lugar foi conservar o seu núcleo museológico, ali mesmo, onde se deu o encontro com o Passado, mais tarde transformado em Museu.
Nesses anos pardacentos, uma atitude cívica era resistência, era revolucionária.
No Palavra Puxa Palavra, a minha ideia de civismo vai para estas gentes.
E tenho o prazer de rever as horas dessa visita, com as minhas fotografias, com a minha compreensão da História. Com gosto também de ter visto que crianças fazem desenhos, que grupos se organizam para fruição daquele espaço, o auditório se abre à Palavra.

Conheço museus, não muitos, alguns. Este tem uma ligação ao lugar que transcende a estrada que nos conduz até lá: de repente, um oásis de saber. É nosso.