.jpg)
Foi este o "Sonho" palavra/semana passada, no PPP.
Fotografia que jamais se repetirá. Hoje este espaço entre o menhir do Outeiro (6m de altura) e Monsaraz, é o leito do Alqueva. A barragem que era para dar "vida" - água? - ao Alentejo, conjecturada há décadas, cavalo de batalha duma esquerda vigilante e pouco actuante.
Hoje será para turismo, de "qualidade", de barcos, de motas de água, de BTT ou jeeps. Assim vão os anúncios para "inglês ver".
Porque se fala tão pouco naquilo que é raiz de nós, as culturas das terras. Desanimo. Desânimo. Tanto fogo fátuo.
Isto verde espaço, verde oliveira, nunca mais se repetirá. As minhas fotos são de 2001 e as recentes são das que andam por aí, nos cartazes do novo Alentejo (esquecido o outro?).
Monsaraz ao fundo, ervas tornadas algas, pedras da terra submersa na água.
O cromeleque do Xerez, história antiga, lagaretas, símbolos, pedras do lar, tudo foi retirado para ficar a salvo das águas: disseram; acredito que tenham encontrado um lugar mágico como este o era. (Porque as notícias que vejo é de cães danados, donos doidos, tráfico de mulheres e de influências - para mim igualmente sórdido - juízes distraídos a quem ninguém pede contas, politiqueiros).
O "novo Alqueva" e a vaca sagrada do turismo - for all?? querias... - a que chupam as tetas até ficar disforme, seca e em cimento, ervas só criadas em condomínios.
Lembrei um viaduto altíssimo a ser construído, nós cá em baixo, a olhar para cima, embasbacados, o caminho para a aldeia da Luz. Já fantasmas, os velhos a quem, timidamente, dissemos "boa tarde", velhos curvados e troncos torcidos para a terra como infinitas oliveiras. Pratas, bronzes e oiros do nosso querido Alentejo.
Nomes lindos como o povo desses lugares. Terena, Cabeça de Carneiro, Motrinos, Moura, Serpa, Margalhos, Bezerra Doida ...
Pulo do Lobo (onde o outro doutor, de económicas e encómios, se pensou introspectivo presidente de paróquia).
Uma descida pelo purgatório do calor e das pedras raiadas de alaranjado, arbustos vermelhos e selvagens, água vibrante e logo meiga. Amar ela.
Em cada bocado daquela terra, dançavam as fadas rindo e fugindo dos deuses.
Em cada bocado sagrado da nossa terra, onde se podem encontrar os sinais do princípio do Mundo.
Sinais que não podemos ignorar, apesar do silêncio ensurdecedor dos "senhores da guerra".