domingo, dezembro 02, 2007

Perseverança






E cheguei à palavra do PPP, uma âncora onde me propunha chegar estes dias.
"Perseverança".
Que me há-de levar, juntamente com a teimosia, ao ano que vem.

Ocasiões em que penso aproveitar e permanecer na quietude dos dias, simples folhas de calendário; e são fulgores e fugazes como clarões.
Esquinas vivas onde o olhar se arredonda a cada obstáculo que surge.
Daí deter-me nos recantos persistentes algures por aí.
Nas cidades que parecem só fachadas e negócios, procura-se o fio condutor da "Utopia" de que Tinta Permanente falava.
No lusco-fusco da cidade.

Abençoados. Os belos e delicados.
Lugares, pessoas.
Os que resistem.

sábado, dezembro 01, 2007

Jardim V


...falta uma, a amarela-sol.
Os sons-sol.

Jardim de flores IV










...como deve ser o jardim de todos.
"multidisciplinar"... como uma comissão de inquérito; e rio-me para dentro das metáforas que me ocorrem.

De melros e pardais. De rosas e lírios selvagens. De plantas aromáticas e ervas sem dono.
De recantos e miragens, azulejos, escadas, árvores altíssimas que quase se penteiam nas nuvens.
Águas, pedras.
Sem dono.
(sendo uma completa leiga, só aflorada pelo estudo mas arrebatada pela beleza, algumas das informações foram recolhidas no lugar do jardim na "rede pública").

Jardim de aves à solta III









Os pequenos animais que por lá se passeavam nada incomodados.
As estufas - algumas abandonadas ou pelo menos com aspecto decadente - por onde espreitei, sonhando vidro e ferro forjado.

Quando li - em casa e por uma descrição um tanto sumária do lugar - a quantidade de espécies (da rota dos Descobrimentos) que por lá se cuidam, decidi que hei-de voltar. Com uma memória de mil fotos e uma máquina com rolos, não vá a primeira bloquear.
Hei-de captar tudo o que me apetecer, ervas e letreiros, a "Arvore de Buda" (debaixo da qual, no ano de 531 A.C. ele se pôs a meditar, em Bodh-Jaya; durante essa noite atingiu o grau supremo de iluminação que o tornou em Buda), caminhos e recantos, estátuas e estatuetas...
Um lugar valioso pelo que preservou da nossa História, das deambulações portuguesas por esse mundo. Estimo bem que seja vigiado e cuidado, estusiasmado a permanecer selvagem q.b. mas sobretudo apreciado: as árvores têm mais do que uma vida, mais do que a nossa vida inteira, as árvores são as nossas pontes entre chão e céu.

E eu gosto tanto de as tocar, como se lá dentro a seiva fosse do meu sangue.

Voltar ao Jardim II









Descobri nas minhas andanças pelas informações - e é que não comprei o livrito, desta vez, e já me arrependi ! - que este jardim já foi:
ex-Colónias
ex-Ultramar
ex-Tropical (encontrei-o como Jardim Museu Agrícola Tropical que é o que diz o bilhete de ingresso que custou um euro e meio e nem temos direito a milho para os pombos, patos, pavões, cisnes...)
...e agora se inclui nos adjacentes ao Palácio de Belém, num decreto "ou assim" do IPPAR como Património e classificado: Jardim Botânico Tropical

Tenho aspectos de irresistível beleza dessas horas de passeio.
Muitas das árvores estão devidamente identificados e são raras até no lugar donde vieram!

quinta-feira, novembro 29, 2007

Clareira para que se receba PRESENTE, com a devida vénia e sorriso

Este é um espaço ou clareira num jardim a que voltarei.

Porque
"alguém que nos admire um pouco: a nós mesmos/nós a eles."

Há gente
Há gente que a gente
Há gente que a gente nem conhece
Há gente que a gente nem conhece mas ama
Partes de gente
Mesmo que não toda,
por desconhecida,
ama a parte que lhe toca ver
admira o que se lhe apresenta ao sentir
dos vizinhos da alma
nos arredores da arte
em arrabaldes de ideias síncronas
longe

E porque hoje recebi um presente. Um "to be or not to be, this is still my question" .
(eu que gosto de dar e pouco de receber pelo desacerto no que gosto)

ESTE PRESENTE QUE AMEI!
Enviado por ruela: http://neoartes.blogspot.com/ para bettips.
Assim, simplesmente assim.
Reflexos, apenas.

quarta-feira, novembro 28, 2007

O Som da "Voz" I










Esta foi representaçã/negação da "Voz" com que estive há semanas no PPP.
O peso dos pensamentos - tem dias - desceu-me sobre as pálpebras, cortinas velhas e descaídas.

Foi a analogia com o que escrevi sobre Gaudi no post anterior: 40 anos de vida activa, em que arquitectou mudanças na cidade. Na mentalidade, diria eu, que assim me parece. Apesar de tantas sacrossantas religiosidades.

Lembrei o nosso tempo sem voz. Quarenta e mais.
Religião-Estado que servia ao Eunuco-Mor e ao seu colega de carteira, para restringir, esconder, espezinhar a arte e o pensamento, tacanho orgulhoso e solitário, com as suas botas feitas por medida.
Um país tão lindo, uma História tão solenemente anunciada de mundos novos ao mundo!

Estes são aspectos do "ex-jardim do ultramar", ou seja o Jardim-Museu Agrícola Tropical (fundado em 1906).

Onde estátuas em recuperação ou cheias de teias de aranha, falam baixinho para as ervas. Ou palmeiras, ou coqueiros, ou famílias botânicas "ficus"... abandono... meio-abandono, obras, como parece tudo andar em Portugal.

Temos ainda que encontrar o Som da Voz por entre a barulheira ensurdecedora dos tecelões ocasionais que, nem por mérito nem por decreto, merecem o lugar de responsabilidade social que a História lhes concedeu.

terça-feira, novembro 27, 2007

"Sombra" colorida II















O infindável fascínio por Gaudi e as suas sombras retorcidas.
Com os todos tons da luz colorida, os bichos que falam voz ou sussuram água, as cerâmicas que parecem acasos de puzzle, as curvas e vértices de pensamentos vegetais.

Vício antigo, exuberantemente satisfeito no Parque Güell, onde passear nos caminhos é descobrir mais e mais, às voltas sobre o si mesmo do encanto.
Como durante 40 anos, o pensamento duma pessoa transformou tantos lugares da cidade, um monte agreste em sítio mágico e o povoou de sonhos quase infantis.
Pedras e árvores com quem simpatizamos e a quem sorrimos.
As fadas e os duendes soltos na floresta.