Cuido-me mas não arrumo. Limpo apenas o que está, vou-me governando no
razoável. Tenho pena dos meus últimos anos serem assim com tantas
restrições. Especialmente não estar com o meu filho e família, pouca mas
inestimável, e sem poder ir "para a Natureza" Há quase 2 meses que não
saio a pé de casa mas mantenho-me informada. Filmes, séries também, inglesas sempre, europeias às vezes. Sei que há gente que morreu, que morre, que trabalha em
condições precárias e perigosas. Sempre. Hoje vêem-se mais. É uma
doença a (con)dizer com a "democracia" e os filmes de terror. Lembro-me
de caridade e esperança. Fé tenho pouca. Oxalá é a palavra em que mais
penso. Notícias de doenças são terríveis, cada um lida à sua maneira.
Uma "rapariga da minha idade" morreu no dia 2 de Março. Viver a prazo é
doloroso. Luís Sepúlveda deve tê-lo sabido na pele e nos ossos, e
naquela cabeça digna.
A morte não serve a ninguém e este medo só esboroa o que tínhamos antes. Este lugar estranho em que se tornou o mundo, estas redes, cruzam-nos a esperança e a alegria de viver com interrogações de "como".
***
Um comentário dos milhares que por aqui e ali deixo.
Confinamentos.
Quantos quilómetros de minutos faltarão para ver de novo o Alentejo?
4 comentários:
Abril floresce
ninguém sabe, bettips, quantos quilómetros de minuto faltam para rever os lugares de que tem saudade.E menos sabemos se vale a pena esperar por tanta coisa que falta. Mas é forçoso que pensemos que sim. Ou endoidamos:).
Um texto muito belo, que poderia ser a descrição do que também sinto neste momento.
Vamos inventar as pequenas alegrias, amiga? aquelas que nos chegam nas páginas de um livro, numa flor que ontem ainda não estava ali, num raio de sol a entrar pela janela. Não chega? pois não, mas ajuda a esperar pelo abraço ao filho, pelo encontro com os lugares amados e com os amigos do coração.
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