terça-feira, setembro 10, 2013

Vidas

Aqui postas em música que redobram nos meus ouvidos.



Hard days' night.
Ma vie.
The house of the rising sun.
As músicas e as letras (con)tinham as nossas. Vidas.

sábado, setembro 07, 2013

A comoção das coisas inúteis



... que se conhecem há tantos anos!
Comunica-se ao olhar: afinal são estas as recordações que me estão vivas: a cómoda de gavetas de segredo - os poucos "ouros", cartas do avô Antero do outro século escritas a verde, os lencinhos, os sabonetes Patti, um frasco de perfume "Madeiras do Oriente", as meias de vidro - e o único guarda-vestidos: das coisas que amo, nada de importância: de importância, só o que amo.

Restos/rastos de memórias. No guarda-vestidos de vidros verdes da minha avó, um gavetão, pesadíssimo para a minha pouca idade: tinha dentro uma boneca "de Espanha", maior que eu, nunca para brincar, as coisinhas cor de rosa do baptizado, de seda e acolchoadas, oferecidas pela madrinha rica, uma bolsinha de contas verdes e roxas, aro de tartaruga; em cima (e eu de banco sobre um banco, esticada), postais da Grande Guerra, uma escrivaninha portátil pequena, com tinteiros e porta curva de correr, pó e embrulhos-embrulhados de passado.
Nada tinha valor: e tudo era valorizado porque exíguo: o lugar, os pertences, as recordações.

 Vou-me agora à procura de fontes.


Que há uma casa só minha que trago comigo, em forma e som de coração,


tal qual Vitrúvio a teria escolhido.

quarta-feira, agosto 21, 2013

A casa como-vida


"Temos para com os campos a obrigação de que as nossas casas não sejam inferiores ao terreno virgem que elas substituíram. Devemos aos vermes e às árvores que os edifícios com que os cobrimos se ergam como promessas das mais elevadas e das mais inteligentes formas de felicidade."

(respigado da "Visão" de 8.8.13 sobre o livro de Alain de Botton "A Arquitectura da Felicidade")

Sempre sonhei com uma casa de estar: cave para as memórias, ao rés-do-chão a vida em comum, lugar com terra e árvores para pousar pés, e dobrar as costas às ervas e às flores, cozinha grande para ler e conversar e receber - e também comer -, uma mansarda para os sonhos, virada ao mar. E, sendo  este o meu país, de frente para as tardes do pôr do sol, o nascente a amanhecer nos quartos.
Acho, de mim para mim, que seria uma das formas da felicidade.
Assim me (a)pareceu este encadear de foto/pensamento com o pasmo desta construção.

terça-feira, agosto 06, 2013

Imenso


Que fazer com isto tudo, à volta e em volta?

Muito penso, muito olho, tanto sinto, pouco digo e faço. 
Cresce-me a revolta como nunca (a onda da Nazaré, dizem? Será mais um maremoto surdo).

Mas que beleza, tão refúgio, a da paisagem que se sonha!

domingo, julho 21, 2013

Lesmas do mar e outros

Eu que há tantos anos procurava que me germinassem , não ideias mas práticas,

(que raio de cultura grassa, inculta)
algum fundo de mar visionável, ou até um horizonte sem fundo,
algum sossego, se azul, se verde,
deslembrando-me para trás, e desdobrando-me hoje, na modéstia dos dias e dias económicos
(que se estão esquecendo que não tivemos subsídios de Natal - "onde isso vai, Gregório! limite-se a conduzir a parelha, sff!" - e que aguardamos uns trocos para férias sempre adiadas - e que:
e que vêm aí guilhotinas de unsmilmilhões a cortar não sei de onde, em quem onde, sendo os mesmos),
dizia: eu e outros como eu, espantados com tanto desplante.



Repentinamente os abutres, os vampiros e as lesmas do mar.
Não sei que diabo (foi da tv!) de correlação encontro: mas que antes queria estar em outro sítio, antes queria!

sábado, junho 22, 2013

Lua com efeitos secundários

Dizem que a lua,
a Lua aliás, pequeno satélite da terra,
aliás da única Terra em que vivemos,
é tão brilhante, especialmente hoje, que só daqui a 18 anos será igual a esta.

De menina de colo e coro, de criança a adolescente, dezoito anos vivi à espera deles, do esplendor e crescimento, em anos que pareciam longos. Tempo de cerejas.

Tempos dobrados e desdobrados são.

Estes, até ao próximo brilho, são curtos.

domingo, junho 16, 2013

Pássaros pobres









Somos a gente que trabalhou e trabalha
e consome e se consome, neste país que é nosso.

Por todos os que sonharam Abril, o fizeram, o defenderam. Que o defendem, lutando por tudo o que é básico e nos roubam: pode ser um poeta, pode ser uma "operadora de caixa" de um supermercado, pode ser um professor ou um músico.
A mulher nova que nos serve, esperançada que as mesas se encham.
Uma velha mulher que espera para atravessar a estrada perigosa, sem que ninguém páre.

Podes ser TU.

Não seremos como o pobre pardal lutando por uma migalha.
Pedimos o doce completo: queremos comê-lo, ao ar.
E livres.

domingo, junho 09, 2013

Elvas, ó Elvas

Não resisto - em uma wi-fi free, ao lado de praia.
Nesse dia, em Elvas, não pudemos andar na cidade, nós cansados e (já)velhos, numa voltinha de "comboio histórico", porque estava ocupado toda a tarde com uma delegação oficial de qualquer coisa! Vimo-los passar, importantes e vestidos de passeio, sem pagar bilhete, suponho.








Havia 3 portas: uma para altos, outra para gordos, outra para baixos!
No governo, há portas para todos os "da corda". 4 mil e tal, dos mais recentes.






Vi ainda uma azáfama de gentes a pintar paredes, a lavar realidades sujas e velhas.
Vi muito, em Elvas, cidade de que nunca se fala.
Mas hoje, falarão. Os comemorantes dum vago dia de Camões. Ah...Grande Camões, que tanto terias a dizer dos poderes e da tua (e nossas) pensão de miséria!
Nas notícias, elas são ao contrário: "não havia manifestantes contra"...

Tachos e panelas para todos os gostos!
ELVAS, Badajoz à vista.

sábado, maio 25, 2013

Sem importância

... de maior, para o dia a dia das cidades e das notícias de tvs.





O Senhor I. é cunhado, ou familiar, de várias pessoas cá da terra. Empregou-se num campo de golf (dos 3 ou 4 que há por aqui, onde raramente se vê alguém!) e assim "arranjou um ordenado". Às 6 da manhã vai às suas cabras, ordenha-as, leva-as a comer nos campos à volta de casa. Logo que sai dos relvados, lá vai ele, de pastor pelos montes.





Ele ou outros, solitários da terra amada.
Todas têm nome:
Branquinha, Algarvia e a filha, a Ruiva, a Remexida e a filha, a Malvarisco, a Toalha e a irmã, a Rapariga, a Cavalinho, a Jardim, Carminha, Salpico - esta anda com dificuldade, manca, teve um "AVC", diz, mas ainda cria os filhos-borregos -, a Zézinha, Ramalhete, Esperta, o Lembrança - é um macho com a alcunha de "Bandido" pois, diz o Senhor I. "ah bandido, já vais com essa..." -, a Canário, Gazela, Vitorina, Pimenta, a Fanny (o ny é meu por causa das leituras "agustinas")...
Os cães guiam-nas ao assobio do dono, ou melhor, salta a pedra da funda das proibições. Todos parecem entender-se!
O Senhor I. tem cinquenta e muitos anos, ex-emigrante "na França, a salto".
Diz que não sabe viver sem elas, que lhe levam o tempo e muitas vezes, o dinheio para a forragem.
Mas afeiçoou-se-lhes.
Que termo belo: afeiçoar! Pessoas e bichos, pedras e terras, num gostar inexplicável, feito de sentimentos dos mais simples. Como dar o leite (das cabras) a uma vizinha que faz queijos. Ou oferecer "uma bebida aos senhores".
Como dar uma flor.
Ou uma palavra amiga.

A gente afeiçoa-se! Fica gravado.

sábado, maio 18, 2013

DE...




...como se faz uma romã em Maio, na serra.
Esperando Setembro e os bagos vermelhos. A ira de hoje amadurecerá na injustiça dos tempos.

Coisa simples, da flor ao fruto.

quarta-feira, maio 01, 2013

Lugares de desejo à espera

Começa o sol e inquieto-me.
Começa o tempo de sair e movo-me.






Vou-me de espaço aberto

parecendo nos primeiros dias um peixe fora de água.
Mesmo assim bebendo AZUL.

Mesa que fique nua, papeis que se cansem, deixar intervalo nas coisas comuns.
Dá-me para ver as abóbadas - as do céu também, ao vivo e sem horas.

Como somos o sítio que nos faz falta. 


Que viva a voz do PRIMEIRO DIA DE MAIO, 

tanto tempo me foi feriado emotivo!