domingo, novembro 15, 2020

Década de 80 e 90 - Estói (estivemos/estou/estamos)

As propostas do PPP são como (as) pessoas: ideias particulares, ideias fixas, ideias aos molhos. Desta vez, o desafio de ilustrar décadas passadas. Não foi coisa que fosse fácil, eu tropeçando no que, a partir de então, iria definir a vida futura. Nas obrigatórias, e a isso obrigadas, diferenças de comportamento. Não sou pessoa de dizer "que não mudava nada" mas, em lugar público, alguma beleza escolhi.

A gente em tempo de férias, com amigos e filhos. Se reparar em cada um, ou uma, como se espanta a mente com a dispersão das vidas que em tempos foram convergentes!

A década do século passado, foi marcada pelas férias com a nossa criança e amigos. Sempre em grupo o fizemos. Foi a época do Algarve, o meu filho dizia, ainda muito pequeno, chegando a S. Marcos da Serra: “Cheira a Algarve”, e cheirava! a alfarrobeiras, a amendoeiras, a laranjais, a estevas, a campos do Sul. Era uma viagem de um dia inteiro, a autoestrada acabava ali adiante, na Vila da Feira. Portanto, ir para o Algarve era uma enorme distância e canseira. Em alguns anos não íamos para tão longe, passávamos alguns dias em S. Pedro de Moel, no Pinhal da Gelfa, em  Vigo e Samil.

Lembro desta vez, o Palácio de Estói. Estava fechado ao público. Não sei por que artes, conseguimos que o guarda que tomava conta do espaço nos deixasse percorrê-lo, aos jardins, às fontes e recantos. Um passeio inolvidável. Os meninos e menina divertiram-se, cantaram e correram pelas áleas ajardinadas, notando com curiosidade quando lhes fazíamos observar os pormenores dos azulejos, das estátuas, dos lagos, das árvores e plantas. Em tal profusão que parecia termos entrado no “Paraíso”.

Que sorte tivemos nós! Quem lá for agora, à Pousada, fica a saber que entrará num dos “Small Luxury Hotels of the World”.

***

A seguinte, é a ironia, década de 90. Grandes voltas e revoltas. Vejo os caminhos, já passados, as oportunidades, já gastas.

“Entre Palácios” chamarei a esta fotografia: de Buckingham Palace para Kensington Palace, através do Hyde Park. Sua Majestade disse, num discurso famoso à época: “1992 não é um ano para o qual vá olhar com prazer. Acabou por se tornar um annus horribilis.” Eu, que Real-mente nada tenho a ver com a vida dos aristocratas ou realezas, tenho de lhe dar razão. A década dos anos noventa foi um tempo de grandes mudanças e desafios, e a vida nunca mais voltou a ser igual. Valem-me as boas memórias que colho, como lembranças-flores fossem. 

À falta de querer ou poder falar de um "hoje" pardacento, domingo de nevoeiro e obrigatoriedade de ficar em casa, resta-me a luminosidade que em tempos tive, sem saber bem quão inestimável. 

Não direi como Proust "Em busca do tempo perdido" mas recordo-o com pouca melancolia. Foi tempo leviano. Inconsequente.


segunda-feira, novembro 02, 2020

PPP Seres da Floresta

Num repente e para não procurar "os meus seres" por esta floresta de fotografias... escolhi a mais próxima para a última semana do passatempo visual e de palavras:

Quando era (muito) pequena, passava tempos infinitos a reparar nos formigueiros. Muitas vezes coloquei uma gota, uma migalha, nos carreiros, para ver como contornavam o obstáculo, como carregavam um pedaço muito maior de que elas para os seus buraquinhos escondidos. Os meus olhos estavam tão perto do chão… Mais tarde, quando aprendi a fábula “A cigarra e a formiga”, passei a olhá-las de outro modo: cansativas, corredoras, egoístas, oportunistas, aos milhares, a pensarem no “seu formigueirinho”, a responderem à cigarra, enregelada e faminta, “Cantaste? Pois dança agora”! Ora eu, que tanto gosto do bom viver, dos sons e das músicas, acho um desaforo esta resposta. E tudo isto, não tendo nada a ver com coisa nenhuma que não seja o hábito de pensar, é o que me faz lembrar esta fotografia. Hoje, em que os meus olhos estão ao rasar dos troncos e a cigarra morre despedindo-se do sol do Verão, somente aprecio o ciclo desta infinita Natureza, sábia e resiliente. 

E de outros bichinhos encontrados, por acaso:  

 
 

 
 
Assim correu o mês de Outubro, na volta de lugares tão amplos e felizes,

para estes lugares que, quase sem transição, passaram para um "inverno" feio, desagradável. Não bastavam as ameaças das saúdes e das doenças.


sábado, outubro 24, 2020

As castanhas castanhas

E pelo mês adiante vamos, trocando belezas, reparos e amabilidades, diferentes pontos de vista. 

Fala-se a propósito de "castanhas" esta semana, é tempo delas. Muito tinha que contar deste lugar de tantos castanhos, amarelos e dourados - Galafura. 

Lá voltarei, às memórias, depoiszinho.

A maior parte das coisas de que gosto nem são das coisas que mais gosto, de comer, entenda-se, mas, e muito, o que elas representam. E estes sinais de Outono têm uma cor que condiz com elas, as castanhas. Se tivesse um castanheiro… havia de espreitar as semanas em que as flores se transformaram em frutos-ouriços, em que estes se abriram num riso, desprendendo-se dos ramos e caindo no chão. E dentro deles, um segredo bem guardado, sozinhas ou aos pares, a lustrosa cobertura das castanhas. Dentro delas, ainda uma pele mais clara, amarga  e bem agarrada para lhes chegar ao âmago. Nas minhas habituais conjecturas, penso como tantos sentimentos, ou palavras, nas pessoas se lhes assemelham.




Poderia ser em qualquer lado "com castanhas". Poderia... mas não é. É um lugar "de magias" do Douro, onde sempre encontro diferenças. Boas. Cogumelos, flores do chão, medronhos, vides e vinhas.

Este ano, a ver vamos. Sei que numa conta por alto já lá fomos uma dezena? de vezes, sozinhos ou com companhia, e levámos mais de uma dezena de pessoas, de vários quadrantes "mundiais"!