quarta-feira, setembro 08, 2021

Céu profundo no Alentejo

Já não sei onde escrevi... a alguém ou algures. Era comovente chegar ao jardim da "gloriosa casa", à noite, e sentir, sentir mesmo, as estrelas precipitadas no céu, como poeira luzente. Com um brilho de sedução, sobre veludo muito escuro. Algumas constelações conhecidas e que se conseguem identificar. Júpiter chegava para o jantar. A Via Láctea a atravessar o horizonte.

Pensando nas teorias da relatividade (Einstein 1905) e nas distâncias em anos-luz que nos separam dos astros, sem me envolver muito em matemáticas e teorias, imagino que todos os meus amigos, todos os acontecimentos em que estivemos juntos, estão ainda a percorrer o espaço. E seria possível dar a mão à minha avó, brincar com A., passear com L., falar a F.

Porque a luz (a que se dão os acontecimentos) viaja a 299.792.458 metros por segundo... Chegar a eles antes da morte. 

Olhai por mim, olhai por nós.


2 comentários:

bea disse...

O céu alentejano é puro e de incomparável nitidez. Assiste-nos imperturbado, o que quer que sejamos nada lhe diz.

Rosa dos Ventos disse...

O céu dos grandes espaços vazios dá-me sempre uma sensação de insignificância!

Abraço