sábado, setembro 21, 2019

Apontamentos de Alentejo I

Por aí abaixo, pelo mapa abaixo, norte/sul, sempre tentada a parar nesse Alentejo "da minh'alma". Que por tantos motivos me é querido: lutas, gentes, paisagens, comidas, solidões.
É-me como um espaço de mar, em terra.
Vestígios tão antigos de outras idades do Homem, romanos e mouros nas suas tradições, costumes tão diversos do Norte, modos de falar, de estar, de cantar.
A coragem.
Tudo o que vejo, caiado de branco, avivado a cores, azul, amarelo. Tudo o que li e o que imagino ter-se vivido nessa terra de grandes agrários e pequeno pão. Todas as torres cónicas que se vislumbram entre as construções de igrejas cristãs. Todos os caminhos desertos. Todos os nomes com "al" que nos prendem ao passado.
Agora, observando o que mudou. Com um certo aperto no coração pelo cultivo intensivo e que esgota a terra, pela desordem dos investimentos estrangeiros. Tentando perceber se há equilíbrio, se alguém se preocupa com ele, o futuro.
Ah... mas tudo isso que vejo e penso me levaria a outros campos de tantas batalhas: o da ditadura, o do 25 de Abril, os oportunistas.
Apontamentos desta emoção de Setembro

























Ir-se-á, com a candura espantada do olhar, mais longe.



quarta-feira, setembro 11, 2019

Sermões

Hoje é 11 de Setembro, Allende, uma tentativa de homens bons para uma sociedade mais justa, as Torres de NY, onde morreram pessoas sem saberem como nem porquê. Algo em comum.
O Outono e as vozes avançam porque no emaranhado do negócio e da democracia muitos têm muito a dizer, outros assobiam para o lado, outros "se safam". Em cardume, camuflados, bocas de comentário.








"(…) A primeira coisa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande."

Sermão de Santo António aos Peixes, dito em 1654, na cidade de S. Luís do Maranhão, Brasil.
O tempo passa e as palavras são iguais.

domingo, setembro 08, 2019

Repetindo "transparências"

Porque ir à Gulbenkian é sempre uma festa para os sentidos, todos.
Porque da primeira vez que lá entrei no início dos anos 70 pensei e disse, muito provavelmente o repeti: "mas isto é como lá fora"!
Porque já visitei o museu inúmeras vezes, e uma vez mais.
Porque espero lá voltar, tenho saudades de ver, uma a uma, aquelas caixinhas trabalhadas, os tecidos, os vidros; e o Rodin, o Millet, o Monet e o Manet, o Rubens, o Ghirlandaio, o Turner, e... tudo.
Porque gosto de espreitar os jardins em todas as estações.
Exposição do Mundo Islâmico, imperdível, sobre as sombras e as transparências, sobre artes antigas, sobre religiões que tanto se degladiam e tanto têm em comum...
sobretudo, o olhar o mundo
o estimar que tanta coisa permaneça preservada por mãos delicadas
para nosso espanto,
para nosso encanto.







Resolvi acrescentar a proveniência e a idade da peça opaca que tem a cor da nata do leite antigo que eu conhecia: fascinante!








Quando olhar a cor das folhas ao sol, vidro verde ou cor de sangue, quando as oliveiras me virem com os seus pequenos olhos de azeitonas, quando alentejar nos muitos  longos campos e a visão tremer com o calor ao longe, quando for ao encontro da Natureza e ela me encontrar,
lembrarei a transparência.
E o mundo parecerá mais belo e seguro,
mais confortável.

quinta-feira, agosto 22, 2019

Tempos vários

Descuidando algumas "coizas" porque solto outras.
Reflicto sobre as artes e as transparências.


nos caminhos


nos azuis


no "diabo com viola" que resiste, bem guardado agora. Rosa Ramalho, anos 60.
Tento domesticá-los, aos diabos, às assombrações.
Breve virá o tempos das distâncias.