terça-feira, julho 16, 2019

O lugar das "coizas"

Com as palavras, os olhos e os passos das crianças, se aprende. Tanto.
As "coizas" que nos fazem parar e olhar e fruir. E como reparam em flores, nos figos caídos no chão, escorregam pelas esculturas, fazem dos bancos de jardim comboios que vão para longe... entra-se na bola de cristal onde tudo é invenção e riso.
O mundo do "faz de conta" ingénuo, o mundo inventado em desenhos.
Um peixe de papel.
Desconhecia a escultora. Há apenas um pequeno filme antigo, nas gravações da RTP, que me encantou, num período que diz tanto da minha vida!


Voltando ao lugar mais tarde vi (vimos, as duas) melhor o que pensámos perceber da Mulher em "Arabesco"
A dor

O caminho da solidão

O caminho da Ternura
ali impresso em gestos de bronze e carne
Sempre voltando ao lugar "das coizas"

sábado, junho 22, 2019

Lutegarda de Caires

Anda-me por aqui uma fotografia há que tempos, e deverão andar outras, de todos os anos que ultimamente lá se passa e se passeia - e lá (se) me apaixonou a cidade e as vistas.
Vila Real de Santo António, do outro lado, no fim do mapa. Mandada construir em 1774 pelo Marquês de Pombal, é uma beleza mansa, com as suas ruas perpendiculares e simétricas, a sua praça principal esbelta e guardando ainda o cariz dos edifícios primitivos.
(tenho tantas fotografias de VRSA que não dá para escolher, só mesmo à medida que forem surgindo, ou do que me for lembrando...)


No passado, dedicada à pesca e transformação de produtos dela derivados, ainda se vêem os belíssimos portais dos armazéns de pescado e as ruínas das enormes fábricas, bem como casas de fachada Arte Nova com pormenores muito bonitos. Agora, dedicada ao comércio de rua e turismo, enche-se de espanhóis que transportam - sempre - grandes sacos de compras.


A primeira vez que por lá andei e logo que tive acesso à wiki, fui procurar "quem" de uma das estátuas na marginal do Guadiana.


Lutegarda Guimarães de Caires (1879-1935) foi uma poetisa, mulher culta  e dedicada às causas sociais, nomeadamente em hospitais de crianças, direitos das mulheres e dos presos. Nasceu em Vila Real de Santo António, embora tivesse vivido a maior parte da sua vida em Lisboa. Um dos seus poemas está escrito na base da estátua e foi a sua transparência de palavras que me chamou a atenção:

"É que não há céu de tal 'spendor
nem rio azul tão belo e prateado,
como o Guadiana, o meu rio encantado
de mansas águas suspirando amor." 

Na verdade, através dos anos em que regularmente "a visito", reparo na degradação das palavras escritas e, tinha que ser!, nas pichagens estúpidas que por lá fizeram. Mas o entardecer, a noite, o vaivém das águas do rio, empresta uma magia muito singular à face austera desta mulher de quem nunca tinha ouvido falar.

domingo, junho 16, 2019

As fotografias: as pontes amigáveis

Quase 2000 mil pastas após, cheias de fotografias (fora as que já estão "arrumadas" ora em disco externo, ora em velhos CD/DVD), arranjando as férias e os acontecimentos,
encontrei um lote de fotos que escolhi e enviei em Março passado, a uma amiga da Polónia. Improvável conhecimento que temos as duas há anos, a propósito de Natureza e fotografia, viagens e momentos pessoais e belos. O nome é mais uma das coincidências que me encontram: nome igual à melhor amiga que tive, L. já veio a Portugal e sempre nos encontrámos,  4 ou 5 vezes.















Onde além das paisagens, cabem as comidas e os hábitos. No primeiro Natal em que nos escrevemos, trocamos aspectos de todas as iguarias dos nossos respectivos lugares. Tão interessante!


Quando lhe mando fotografias, tento dar-lhe vistas do mar, do que faço, do que vejo. E também fotos "de nós".
Em contrapartida - e a isso chamo uma amorosa partilha - recebo as suas pessoas e as suas viagens: no seu país, Polónia, em diferentes lugares, Barcelona, Rússia, Noruega, Suíça, Marrocos, Maiorca, Londres, República Dominicana, Cuba, Irlanda, Dinamarca, Vietname, Sardenha, Holanda, Grécia...
Fico mais rica de conhecimento, de imagens. L. faz e vê o que eu gostaria de fazer e ver: como não gostar?
Sem que o meu mundo de viagens "seja tão grande", nem parecido, sabemos o que apreciamos ambas: grandes horizontes ou pequenas coisas da terra.

terça-feira, junho 11, 2019

Passagem

Passam ventos, passam nuvens.




Passa o tempo. Como se fosse um passatempo. Não é.
Quase um mês, de longe me vejo perto.


segunda-feira, maio 20, 2019

Lugares comuns ou de hábito

Os três da vida airada.


Eu, com o tempo parado, ao ar e em frente. Azuis de infinito, prazeres modestos e de grandeza. Contraditórios que se observam mutuamente.

E azul-mar-olho de gato.

segunda-feira, maio 06, 2019

Agora falando ausências e presências

Os nossos escritórios nunca foram (tão)agradáveis e divertidos! E tantas vezes se andou com a língua de fora, sem riso nenhum. 


E, também por isso, me sinto como "Alice no País das Maravilhas" quando a oportunidade de (me) desalienar, do sítio, das coisas chatas, surge.

O gato de Cheshire que aparecia/desaparecia e deixava o sorriso é fascinante!

Arrumar sapatos e calçar chinelos abertos, sempre me pareceu coisa agradável.
Olhar a noite de frente

Quanto mais achando horizonte
 só limitado pela linha dele.


domingo, maio 05, 2019

Oliveiras do Alentejo

*Não conheço "bea" a não ser de passagem por um blogue com árvores e dias. Agradeço a atenção que me dispensa e o que (se dá ao trabalho de) escreve. Concordâncias à parte, visto que "apenas" somos pessoas no etéreo, digo que as árvores fizeram sempre parte da minha natureza. Tenho de memória, a configuração das árvores luxuriantes que rodeavam os jardins dos ricos e que eu via à distância. Com 3/4 anos as recordo exactamente como eram. Do Largo de Carlos Alberto, em tempo de escola primária, relembro as enormes tílias, retiradas "por causa dos carros".
Aliás, foi contra o cimento sistemático que invadiu as mentes portugas, que me insurgi e fiz a primeira intervenção aqui, na internet, sobre o movimento da conservação com jardins na Avenida dos Aliados, e sobre a recuperação do edifício do Bolhão.
Mais de 40 anos, esteve "a minha árvore" na rua, um ácer negundo, ao alcance da mão. Como me ocorria pensar, era por ela que sabia das estações do ano.
Tal dia estava frio mas sol, e era Novembro:

X dia era Primavera


Foi podada uma única vez, foi arrancada há poucos anos apesar de estar viva e de saúde. Substituída por japoneiras pequenas e, agora, por CIMENTO. De ambos os cortes, escrevi para a "câmara", sem nenhum resultado visível.

*Conheço Isabel, a sua interioridade, o seu gosto por livros e plantas, visito-a às vezes. Gosto sempre da sua delicadeza de maneiras!

*Deste país, tenho o desgosto da falta de gosto.
Os milhares de fotografias, até antes da digital, são as linhas por onde me inscrevo, sempre: pormenores e gente amada, horizontes de mar, pedras, natureza, campos e montanhas, árvores, museus. Faltam a música e os livros que foram minha companhia.

*Este lugar não é um diário, nem palco de representação, é livro de apontamentos, conforme ideias me surgem, enganchadas umas nas outras, como as cerejas.



*As fotografias de oliveiras do Alentejo que aqui tinha digitalizadas, têm mais de 20 anos. Sei que muitas foram vendidas como pitéu decorativo para outros sítios e que pouco se falou nisso. Sei que muitas foram arrancadas em tempo de "cavacos" e outros, au fur et à mesure da UE. Vejo desenrolarem-se na paisagem, especialmente a sul, as milhares de plantações intensivas que esgotam a terra.
Das velhas oliveiras do Alentejo, estimo que as que estiveram e estão, permaneçam. Das outras árvores que resistem, longa vida lhes desejo.
Tal como pessoas.




sábado, maio 04, 2019

Pensar árvores ou, até, raízes 1

No andar, por aqui e ali. A propósito de uma série inglesa (e muito londrina), que vejo e que me chama a atenção para diversas curiosidades e hábitos da minha segunda cidade do coração, descobri o Rio Fleet.
Com um curso e porto importantes, assinalados desde os Romanos, é um rio subterrâneo, o maior que atravessa Londres, de norte a sul. Mil e uma referências a este "river" de que só conhecia a Fleet Street, a dos jornalistas.
É claro que me vieram à mente os lugares onde estive ou passei, sem saber do rio, of course! Camden Town, Holburn, King's Cross...
Os pequenos cursos de água que dão origem ao Fleet River nascem em Highgate e Hampstead Heath, onde existem à vista alguns reservatórios ou lagoas, cujas águas depois são entubadas. Desagua no Tamisa, junto à ponte de Blackfriars. Lembranças que logo se misturam com as fotografias, cujas legendas desconhecia...
Das pontes:

Algures por ali desagua o Fleet sob a Ponte de Blackfriars
Pilares da antiga ponte ferroviária



Das árvores:





Como esculturas, para mim vivas,
tal como parece saber o esquilo






De Hampstead o que imagino ser o pequeno curso de água

 e um dos lagos
The Sham Bridge
Na entrada do parque, uma lembrança. D.H. Lawrence era autor obrigatório no curso de inglês e, por ele, conheci os Etruscos com muitos e mais pormenores.


Todas estas lagoas têm nome... mas são tantas e percorrer o parque era imperativo, assim como ir à Kenwood House. Todo o lugar é maravilhoso e foi a propósito do River Fleet que tudo isto me veio à memória.