domingo, outubro 13, 2019

Convento da Cartuxa

A propósito das notícias que apanhei por acaso esta semana: os últimos monges que deixaram o Mosteiro da Cartuxa, Santa Maria Scala Coeli (Santa Maria da Escada para o Céu), foram transferidos para um convento em Barcelona. Como, digamos, comemoração religiosa, foi dado ao público assistir a uma missa e percorrer todo aquele espaço de clausura, a igreja, os jardins: pude vê-los na tv.
(também foi há dias que aconteceu, não seria impossível passar lá, de quase caminho, mas não posso acorrer a tudo o que me interessa, mesmo perto, mesmo sendo, relativamente, poucas coisas)
O Mosteiro da Cartuxa, em Évora, foi mandado edificar em 1587, pelo arcebispo D. Teotónio, da Casa (real) de Bragança. Os monges desta congregação, dedicavam-se a uma vida solitária e de oração. Depois de várias vicissitudes no séc. XIX, as ruínas e o espaço foram comprados pela família Eugénio de Almeida, recuperado o belo edifício e reinstalados os monges em 1960.
Andou-se por ali. Fomos recebidos por um (único) frade de 82 vivos anos "que falava" e muito. Que nos explicou as normas do mosteiro, o que cultivavam, como viviam.
O sítio é... realmente, divino!

Parte do Aqueduto da Água de Prata, construído para abastecer Évora, 1537...



Fiquei desapontada comigo mesma: muitas vezes penso nas fotografias, nas imagens, nos lugares, muitos aspectos, na memória deles. E julgo tê-las, às fotos. Neste caso, são apenas estas...
Deixo a parte da Fundação, na sua vertente vinícola, para outras "coisassoltas".



terça-feira, setembro 24, 2019

Apontamentos de Alentejo III - Pisões 2

A continuar, imaginando as salas e quartos, no luxo do chão em desenhos laboriosos, de pormenores geométricos e figuras de animais






Vestígios de frescos pintados na parede




A piscina enorme
Os desenhos do tempo



Uma "lagareta" para moer azeitonas e fazer azeite?
Tanto para ver e aprender...



segunda-feira, setembro 23, 2019

Apontamentos de Alentejo II - Pisões 1

Uma enorme curiosidade pelos vestígios da História. Aproveitando "passar", fixo a atenção em lugares que apenas imaginava poder visitar. Leio referências, procuro formas de acesso.
Aconteceu assim em vários lugares - a que, provavelmente voltarei em "coisas-mais-soltas" - e este era, ou parecia, difícil. Visita com marcação, no meio dos montes, sem acesso de carro normal.
Torneados que foram os obstáculos, agradecendo ao jeep e ao guia que arranjamos, a bela viagem pela
Villa Romana de Pisões e o caminho para ela, pretexto para o campo alentejano interior
Albufeira dos Cinco Reis





Aspecto que teria a área ocupada, numa maquete exposta no Centro de Interpretação.

Casa senhorial agrícola, com mais de 40 divisões, do período romano entre séc.I a.C e o séc. IV d.C. A estação arqueológica ainda em escavações, foi descoberta por acaso em 1967, ao realizarem trabalhos no campo. Tudo o resto se pode procurar na ligação da Câmara de Beja. Mas vê-la, andar pelas ruas entre as construções, é emocionante!

Uma menção especial à Ara Votiva que ali foi encontrada onde se lê o nome de um dos seus proprietários: "Catulus, um servo de Gaius Atilius Condus, dedica à divindade Salus". Salus sendo a deusa da Felicidade, a ara é datada de meados do séc. I d.C.

 As termas com o aspecto de todo o sistema de água que as fazia funcionar




sábado, setembro 21, 2019

Apontamentos de Alentejo I

Por aí abaixo, pelo mapa abaixo, norte/sul, sempre tentada a parar nesse Alentejo "da minh'alma". Que por tantos motivos me é querido: lutas, gentes, paisagens, comidas, solidões.
É-me como um espaço de mar, em terra.
Vestígios tão antigos de outras idades do Homem, romanos e mouros nas suas tradições, costumes tão diversos do Norte, modos de falar, de estar, de cantar.
A coragem.
Tudo o que vejo, caiado de branco, avivado a cores, azul, amarelo. Tudo o que li e o que imagino ter-se vivido nessa terra de grandes agrários e pequeno pão. Todas as torres cónicas que se vislumbram entre as construções de igrejas cristãs. Todos os caminhos desertos. Todos os nomes com "al" que nos prendem ao passado.
Agora, observando o que mudou. Com um certo aperto no coração pelo cultivo intensivo e que esgota a terra, pela desordem dos investimentos estrangeiros. Tentando perceber se há equilíbrio, se alguém se preocupa com ele, o futuro.
Ah... mas tudo isso que vejo e penso me levaria a outros campos de tantas batalhas: o da ditadura, o do 25 de Abril, os oportunistas.
Apontamentos desta emoção de Setembro

























Ir-se-á, com a candura espantada do olhar, mais longe.