terça-feira, outubro 02, 2018

Cacela-a-Velha

Desde que ouvi falar dela e tive o prazer de a visitar. Lugar improvável neste Algarve de muita construção, só mesmo gente especial se daria ao trabalho de defender e preservar aquele espaço abençoado. Há meses, precisamente em 3 de Julho, li que no afã de "limpar" os terrenos, tinham limpo uma parte importante do espaço considerado "reserva natural da Ria Formosa". Quem foi, quem não foi, que ordem, de quem...? de instituto para instituição, ficam as perguntas no ar. Tudo fica assim, esquecido, violentado, e as árvores autóctones, o jardim com a flora silvestre que ali existia, foi (quase?) completamente arrasado. 
Como o vi, agora:


Não tenho tempo aqui, para procurar fotografias antigas que tenho a certeza de ter, deste mesmo local. De memória as lembrei.
Além do que se vai sabendo e do afluxo turístico - que tanto desenvolve como degrada - , Cacela Velha e as suas histórias de encantar, encadeadas no tempo tão antigo, exerce em mim um fascínio que sinto "alto". Aqui a deixo, ilustrada este ano, com os meus olhos surpresos, também com a notícia que tinha lido das escavações que ali se vão fazendo, e de mouros e cristãos soterrados no tempo.


 Quando a vislumbro no caminho, modesta na paisagem da terra, orgulhosa em frente à ria,



tudo me serve para a "decorar" em imagens que me alimentam o Inverno do Norte!









E, podendo ou estando aberto o lugar "das ostras", de banco corrido e preços a subir, sendo "pitoresco", ali se pára e pensa como as pequenas coisas simples da vida são tão "fermosas e não seguras"!

Para acabar com as simples ervas e flores do caminho, numa lembrança de férias em AR e MAR


Ah...belo lugar onde se me aportou a alma, estes anos!

terça-feira, setembro 18, 2018

Sabonetes do Brasil

Do Brasil não sei nada. Ou melhor, de hoje sei da vergonha.
De ontem, todos os escritores e artistas brasileiros que tanto lia e ouvia e cantava. 
De antigamente, muitas referências: desde a fuga dos nossos reis, - um rei frouxo D. João VI e uma rainha amalucada e megalómana D. Carlota Joaquina - e mais de 15.000 almas entre nobreza, clero e criados, e o afundamento ou perda das coisas preciosas/livros únicos da nossa história, que daqui levaram ou deixaram à sorte.
Todas as coisas têm uma origem e...uma consequência.
Quando recordo factos históricos e procuro referências, fico espantada!
Da adolescência, relembro que todos os conhecidos ou familiares destes tinham alguém emigrado nos Brasis. Alguns mandavam fotografias de praias, avenidas e chapéus brancos, ou se vinham a Portugal, traziam tecidos coloridos e histórias de pasmar.
Dos que cá estavam e mandavam lembranças portuguesas pelos navios de Leixões (azeite, chouriços, bacalhau...), há-de fazer-se outro apontamento, um dia.
Isto (tudo) a propósito duma oferta de sabonetes.


Transcrevo os dizeres da caixinha onde me chegaram por mãos amigas (espanholas) de passagem no Brasil, sabonetes com nomes preciosos como Odor de Rosas, Amazonian, Toque de Lavanda, Raiz do Oriente... E como o mundo dá voltas e voltas:

"Em 1930, os primos portugueses Antônio e Maria Santiago fundaram em Belém - no coração da Amazônia - a Perfumaria Phebo. A marca se inspirou na riqueza das águas da cidade, na arquitectura da Belle Époque e na riqueza das especiarias para criar fragâncias marcantes e originais, que elevaram a Phebo ao topo das empresas mais respeitadas da perfumaria brasileira."
Com este apontamento me vou, levando um deles para abluções em lugares quentes,

 tocando as teclas das pedras velhas.

domingo, agosto 26, 2018

Grades

Dei com esta pasta de "grades" em escolhas dentro de escolhas, círculos dentro de círculos. A que "grades" me referia eu, em 2010? Deverei já ter publicado algumas, algures. Mas onde? Não sei, e certamente escolhi estas Grades, da minha velha máquina HP, com o mesmo sentido com que as junto e publico agora. São anos, se-gredos, de-gredos, de-grades, como as fui sentindo (e sinto), 2008/09/10.


As "grades" que me abriram portas no pensamento, palácio árabe, escavações romanas
uma quinta perdida no sul de Espanha

As "grades" das ruas antigas atrás de ruas novas,  de Lisboa
"Grades" velhas e abandonadas, num lugar perto de Mafra, onde procurei poiso e repouso
O nevoeiro da Ponte, entre "grades"

As "grades" de um passeio a pé

e as das casas, preciosas nas suas formas de renda


"grades" de brincar e espreitar, com a piada dos óculos à janela
as "grades" que nos impõem os grandes grupos económicos e bancos, por esse mundo além


A beleza das "grades" enferrujadas e esquecidas



A "grade" que se escolhe e pode ser um refúgio temporário


A sumptuosidade dos palácios

o debruçar sobre as "grades" milenares onde um rio corre há séculos,
tudo são recordações de andarilhar, nem muito longe, apenas notando que ultrapasso as "grades" quando passeio e olho e penso: fora das grades de  alumínio e vidro das minhas janelas habituais.
Visto que aqui abro a "grade" da memória.

sexta-feira, agosto 10, 2018

Os lugares, os fogos

Quando os jovens rapazes conheceram o Algarve nos anos 60, era a "tropa" que os mudava para lugares o mais longe possível das famílias. Aqui em casa fala-se de Évora, de Tavira desses tempos, como se de outro mundo se tratasse. O Algarve - ir para, em férias - foi para nós, do Norte, uma conquista enorme. Temos algumas recordações, de raros passeios com amigos que na altura tinham carro e posses, de caminhos em terra, de alguns horizontes sem prédios ou aldeamentos. Anos 70. Depois disso, só em 1982, como família e porque havia uma criança e praia garantida: quinze dias eram uma revolução, a viagem uma jornada épica.
Porque lembrei Monchique.
O sorriso do pastor, 1995


Passagem pela Vila de Monchique, 2012

Subida à serra

entre nevoeiros como vagas mágoas à solta, nas curvas do caminho, logo sol a seguir



No alto da Fóia





O último grande fogo na zona toda foi no Verão de 2003. Todas estas fotos são sequência, da serra em 2012. Um eucalipto, para ser vendido e rentável, demora 10 anos a crescer; um pinheiro, 30/35 anos. As conclusões são fáceis de tirar: "dinheiro vivo e fácil".
Os ministros, e só contando a partir de 2000... esses são uma porra(da) deles, cor partidária de acordo com a governação que conhecemos: eram nomes à solta, da Agricultura, do Ambiente, do Mar, das Pescas, do Ordenamento do Território.
 
A Terra, a serra, as habitações, mais uma vez ficaram em cinzas.