segunda-feira, maio 20, 2019

Lugares comuns ou de hábito

Os três da vida airada.


Eu, com o tempo parado, ao ar e em frente. Azuis de infinito, prazeres modestos e de grandeza. Contraditórios que se observam mutuamente.

E azul-mar-olho de gato.

segunda-feira, maio 06, 2019

Agora falando ausências e presências

Os nossos escritórios nunca foram (tão)agradáveis e divertidos! E tantas vezes se andou com a língua de fora, sem riso nenhum. 


E, também por isso, me sinto como "Alice no País das Maravilhas" quando a oportunidade de (me) desalienar, do sítio, das coisas chatas, surge.

O gato de Cheshire que aparecia/desaparecia e deixava o sorriso é fascinante!

Arrumar sapatos e calçar chinelos abertos, sempre me pareceu coisa agradável.
Olhar a noite de frente

Quanto mais achando horizonte
 só limitado pela linha dele.


domingo, maio 05, 2019

Oliveiras do Alentejo

*Não conheço "bea" a não ser de passagem por um blogue com árvores e dias. Agradeço a atenção que me dispensa e o que (se dá ao trabalho de) escreve. Concordâncias à parte, visto que "apenas" somos pessoas no etéreo, digo que as árvores fizeram sempre parte da minha natureza. Tenho de memória, a configuração das árvores luxuriantes que rodeavam os jardins dos ricos e que eu via à distância. Com 3/4 anos as recordo exactamente como eram. Do Largo de Carlos Alberto, em tempo de escola primária, relembro as enormes tílias, retiradas "por causa dos carros".
Aliás, foi contra o cimento sistemático que invadiu as mentes portugas, que me insurgi e fiz a primeira intervenção aqui, na internet, sobre o movimento da conservação com jardins na Avenida dos Aliados, e sobre a recuperação do edifício do Bolhão.
Mais de 40 anos, esteve "a minha árvore" na rua, um ácer negundo, ao alcance da mão. Como me ocorria pensar, era por ela que sabia das estações do ano.
Tal dia estava frio mas sol, e era Novembro:

X dia era Primavera


Foi podada uma única vez, foi arrancada há poucos anos apesar de estar viva e de saúde. Substituída por japoneiras pequenas e, agora, por CIMENTO. De ambos os cortes, escrevi para a "câmara", sem nenhum resultado visível.

*Conheço Isabel, a sua interioridade, o seu gosto por livros e plantas, visito-a às vezes. Gosto sempre da sua delicadeza de maneiras!

*Deste país, tenho o desgosto da falta de gosto.
Os milhares de fotografias, até antes da digital, são as linhas por onde me inscrevo, sempre: pormenores e gente amada, horizontes de mar, pedras, natureza, campos e montanhas, árvores, museus. Faltam a música e os livros que foram minha companhia.

*Este lugar não é um diário, nem palco de representação, é livro de apontamentos, conforme ideias me surgem, enganchadas umas nas outras, como as cerejas.



*As fotografias de oliveiras do Alentejo que aqui tinha digitalizadas, têm mais de 20 anos. Sei que muitas foram vendidas como pitéu decorativo para outros sítios e que pouco se falou nisso. Sei que muitas foram arrancadas em tempo de "cavacos" e outros, au fur et à mesure da UE. Vejo desenrolarem-se na paisagem, especialmente a sul, as milhares de plantações intensivas que esgotam a terra.
Das velhas oliveiras do Alentejo, estimo que as que estiveram e estão, permaneçam. Das outras árvores que resistem, longa vida lhes desejo.
Tal como pessoas.




sábado, maio 04, 2019

Pensar árvores ou, até, raízes 1

No andar, por aqui e ali. A propósito de uma série inglesa (e muito londrina), que vejo e que me chama a atenção para diversas curiosidades e hábitos da minha segunda cidade do coração, descobri o Rio Fleet.
Com um curso e porto importantes, assinalados desde os Romanos, é um rio subterrâneo, o maior que atravessa Londres, de norte a sul. Mil e uma referências a este "river" de que só conhecia a Fleet Street, a dos jornalistas.
É claro que me vieram à mente os lugares onde estive ou passei, sem saber do rio, of course! Camden Town, Holburn, King's Cross...
Os pequenos cursos de água que dão origem ao Fleet River nascem em Highgate e Hampstead Heath, onde existem à vista alguns reservatórios ou lagoas, cujas águas depois são entubadas. Desagua no Tamisa, junto à ponte de Blackfriars. Lembranças que logo se misturam com as fotografias, cujas legendas desconhecia...
Das pontes:

Algures por ali desagua o Fleet sob a Ponte de Blackfriars
Pilares da antiga ponte ferroviária



Das árvores:





Como esculturas, para mim vivas,
tal como parece saber o esquilo






De Hampstead o que imagino ser o pequeno curso de água

 e um dos lagos
The Sham Bridge
Na entrada do parque, uma lembrança. D.H. Lawrence era autor obrigatório no curso de inglês e, por ele, conheci os Etruscos com muitos e mais pormenores.


Todas estas lagoas têm nome... mas são tantas e percorrer o parque era imperativo, assim como ir à Kenwood House. Todo o lugar é maravilhoso e foi a propósito do River Fleet que tudo isto me veio à memória.

sexta-feira, maio 03, 2019

Pensar árvores ou, até, raízes

Só muito de quando em vez - ou num repente, em presença de algo muiiito desagradável e inexorável! - revejo os meus gostos ou afectos. Aqui no bettips passaram mais de 10 anos até me convencer - no andamento de outras conversas - que havia pessoas/coisas tão diferentes de mim/das minhas, que o melhor era passar à frente.
Neste caso, apagar alguns nomes de blogues de gente que conheci, até pessoalmente, mas que já nada me dizem, nem nada me ensinam. E verdade é que de amigos presentes passo a outros que me interessam, esporadicamente, que aqui nem constam. O gosto pela Natureza e Artes variadas, as humanas também.
("a paz, o pão, habitação, saúde, educação - só há liberdade a sério...", cantava Sérgio Godinho).
O gosto de conhecer outros mundos e vivências ainda me provoca "uma maré" de ondas várias. Por esses caminhos me espraio e me escrevo.
Esta imagem fez-me pensar nisso, nos que se vão:

Amigos ou conhecidos, mas no sentido de se desvanecerem e se confundirem com o passado. Não os esqueço, nem porque ou como os conheci, simplesmente se confundiram com as raízes e se cobriram de musgo.
***
A árvore é um freixo, plantado por Thomas Hardy, em 1865, então arquitecto e que, eventualmente, teve esta ideia poética: juntar as velhas lápides e plantar uma árvore. Chamam-lhe "The Hardy Tree".
Situa-se em St Pancras Old Church e decorre dos trabalhos efectuados à época para deslocar um velho cemitério da passagem do caminho de ferro.
E de umas coisas se vai às outras!


quarta-feira, maio 01, 2019

VIVA O 1º MAIO

Ficou amarrada aos nossos corações, a LIBERDADE.
Alguns dias depois do 25 Abril 74, tínhamos a certeza, com tanta gente unida no mesmo ideal.

Que viva e comemore o 1º de Maio!
De tantas (pequenas) conquistas se foi conseguindo, inenarráveis: só em 1976 seriam concedidos e oficialmente pagos, 3 meses de licença maternal após o nascimento de um filho.
Há uma lista das garantias e direitos, que se foram firmando passo a passo. E tanta gente mais nova desconhece quais e como foram aplicados.
Recordo que "no privado", a ditadura dos patrões, donos de empresas e chefes menores, nunca acabou, a liberdade foi contornada por mil e um artifícios.


quinta-feira, abril 25, 2019

VIVA

Homenagens trazem-me (quase sempre) um sabor de coisas passadas/falecidas.
Não gosto muito delas. Nem de surpresas. São caminhos na minha cabeça.
Com a certeza que, se foram os militares a rebelar-se em 1974, foi a imensa massa humana, do povo farto de, que lhes deu força para ir mais além. Basta reler a história.
Pelo que LEMBRO A LIBERDADE.
Fotografias actuais (2014), tiradas a fotografias de uma exposição de rua, na Praça de Londres, Lisboa. Com reflexos: gosto delas porque reflectem o que penso. Com árvores, com céus, com perfis de prédios, com crianças a passar.


















Os autores delas são conhecidos. Mas há muitas, muitas outras, tantas que é pena não se juntarem num livro da Revolução dos Cravos.