domingo, março 22, 2020

Os tempos que temos

Pelos vistos, diz-me o contador big eye-big foot, ando pelo face-coisa há 9 ou 10 anos. E, volta e meia, "ele" lembra-me. Eu vejo a família, os amigos do PPP, pequenas e exclusivas ligações, de amigos de amigos que me interessam. Apenas de quem e com quem sinto afinidade. Praças públicas para discutir nem pensar, foi tempo, longo tempo.
Faço um quadro de todos estes anos, das terras onde andam as pessoas, onde viajam, o que lêem, o que pensam.
Essa é uma janela entreaberta para um mundo onde não estou!
Hoje, li no jornal uma notícia sobre Beringel, como sobrevivem e se ajudam os velhos, nesta época pesada para todos e mais para "nós". E como se passou  lá, é perto de Beja, fui aos meus arquivos de fotos. Apareceu-me, nem de propósito, o cabritinho a esticar as pernas, tínhamos parado à face da estrada, a falar com o pastor

O sol, o horizonte, os bichos e a calma.
Ocasiões de tanta diferença, agora que a cabeça aparece cheia interrogações, e toda a gente, todos os jornais, todas as notícias, se espalham como serpentes, se contorcem no pior da confusão,
fico-me a lembrar, a ajuizar.
Sem sair para passear há quase??? há mais, de um mês. Voluntária-a-mente, ao ouvir as primeiras notícias.
Duas semanas depois, era o caos e a confusão.
A mão, o dedo, são muito antigos, romanos: que já nessa altura havia calamidades e advertências.



quarta-feira, março 11, 2020

A Exposição de Camélias deste ano

Fica a lembrança da 25ª edição da exposição deste ano. Se prefiro vê-las pelos jardins - e quanto mais ao natural, melhor! - aprecio os contrastes e as espécies que se desenrolam perante os olhos. Nos jardins há também todo um caminho de pétalas que gosto de percorrer.
Das exposições ficam as cabeças coloridas que dizem "olhem para mim que sou tão bonita e diferente!", "Chamo-me ... e venho de tão longe...!"
Estas são as mais expressivas, as outras solto-as em outro espaço meu.
Nestes dias de medos e más notícias, fujo deliberadamente para elas.
Por esta margem, por este rio acima e abaixo

A nobreza dos edifícios, abandonadas as quinas, as coroas.
À espera de mais um bar, um hipermercado, um "qualquer coisa" para entreter e ganhar...
E num inesperado ângulo, uma varanda, uma laranjeira acesa, acena.

As flores são caminhos de luz: acho perfeita a ideia.












Sem palavras. São todas diferentes.
Lendo-lhes os nomes e quem as cultiva, aprendo mais sobre esta forma de ver, de reproduzir, de coleccionar. Da história que liga estas árvores ao solo e à cidade, há mais de 400 anos.


segunda-feira, março 02, 2020

Em 2007, ideias sobre uma exposição

Encontrei nos meus papeis particulares. Passaram 13 anos e tendo em conta os alarmes que sobram, cá e pelo mundo, tudo me parece igual. A quem dirigi estas palavras? Num fundo de um poço as sinto e vejo. Algumas delas, pessoas, serão algumas de hoje? Eu sou.
Foi seguindo exposições em Museus, no CCB e na Gulbenkian e, na altura, escrevendo contra os pruridos da comunicação social que se alargaram à sociedade em geral.


Minhas queridas: d'accord mais... como se dizia antigamente "do mal o menos", quando se partia uma perna em vez de partir as duas! Uns compram terras, jóias, acções, caimões. Outros compram "isso" e mais aquilo ...onde também há coisas boas e bonitas (e valiosas). O dinheiro é a mola real e se não fosse Berardo, era Telles de Menezes ou Martins de Lyma ou Corrêa da Cunha. Confesso que passei meses a discordar assim e assado, como o dizeis e pensais vós, e depois convenci-me a mim mesma: estão cá, vou espreitar.
O pobre estadito nem do Tiepolo sabia, que haja um cowboy a lançar laços ao gado nas pampas do deserto do país.
As condições...sei lá, nem percebo como a Bolsa e todos com os braços no ar, nem a Brisa, nem a Prisa, nem a Cofina, nem a Mediacoisa, nem a campanha com os moços giros a clamar portugal! we wait for you, nem os lucros dos bancos, nem as concessões, nem quanto custa uma cama de doente-cidadão em hospital, nem as propriedades abandonadas à especulação, nem o património vendido ou a cair de podre...
O que sei é dos rabinhos que mudam para cadeiras ainda mornas de rabos conhecidos! Hamsters em roda livre de favores.
Eu não percebo como, nem porquê, há muito homem invisível contorcionista por aí.
E from Russia with Love, sempre é melhor um empréstimo cá na família residente. Daqui a 10 anos, os nossos filhos terão mudado o ministério e may be se possa "alugar" por mais uma geração ...ou se descobrirmos petróleo em Barrancos se bata a nota na mesa!
É claro que não tenho procuração; nem simpatia pelo separatismo e verbosidade ilhéus e muito menos pela vaidade (não só dele, convenhamos!). Mas adoro ver a luta de tigres Opas, ao longe: tu banco/eu chefe de minorias, tu cobres/eu descubro, tu accionas/eu conto meias verdades... Gosto de quem não se cala podendo falar de sua justiça, já o disse não sei quando nem onde.
E gosto muito de gatos, mesmo quando mostram as garras e espetam os bigodes...
***
E assim vai o mundinho nesta primeira década do milénio! O melhor mesmo era terem ido ver "de graça" e apreciar, graciosamente e com o devido distanciamento da cousa; falo a sério, agora!
Beijinhos, muito grata pela vossa insigne colaboração neste lado em que, afinal, estamos juntas.Cogito que se ele aceitasse as propostas dos franceses que lhe cantaram "le fadô", a gente via irem-se os anéis e os dedos. 


Cá está o cisne de 2020! Olhando para trás e treze anos passados, solto, ainda assim, as asas. Entretanto, vi todos os lugares onde Joe Berardo colecciona as suas excentricidades, a arte e os vinhos que produz: Quinta da Bacalhôa, Quinta dos Loridos e Aliança Underground Museum


 As cores e os reflexos

Lembrei "Quadros de uma Exposição" de Mussorgsky a partir de um verso retirado da "wiki" e da sua "Promenade":
"Lead me from tortured dreams
Childhood themes of nights alone,
Wipe away endless years,
Childhood tears as dry as stone."
Nas cores e corredores
 nas solidões acorrentadas de Helena Almeida

 na crueza na infância de Paula Rego
 e a graça de Salvador Dali e o seu "Telefone-Lagosta"

Nos ângulos de vida, alguma luz.

sexta-feira, fevereiro 28, 2020

Os possíveis vislumbres

Por esta altura, há anos, já teria espreitado os outros e tantos lugares de camélias.
Quintas, ruas, esquinas: vislumbres e deslumbres. Sei de lugares de casas onde, há mais de 20 anos, colhia uma flor debruçada entre muros. Sei por onde devo passear entre elas. Ofereciam-me camélias. Conheço-as de longe e em muitos sítios diferentes.
Várias pessoas que sei terem camélias nos quintais e não me parece que "as vejam". Eu imagino-as lá, sem as ver.
Lugares especiais delas, visitadas através das décadas, além dos jardins onde (se) acenam a mim: Quinta da Aveleda, Casa Tait, Palácio de Cristal, Celorico de Basto, Quinta Vilar de Matos, Quinta Vilar de Allen, Jardim Botânico/casa Andresen de Sophia, quinta Monte de Esqueiros. Exposições no Porto em vários anos, conhecidos daqui e dali que encontrei por acaso e têm esse entretimento... e outras tantas pistas que não tive oportunidade nem tempo de seguir. Não sabendo o nome das espécies delas, trato-as simplesmente por tu.
São, por agora, estas as camélias possíveis: Parque da Quinta do Covelo e na companhia da criança que ainda sinto e vejo, comigo, em mim.










Se há maneira de me convidar a sair, nestes tempos interiores, iria apenas para vê-las!

sábado, fevereiro 15, 2020

Um mês passado

Que o mundo era redondo, sabemos desde tempos muito antigos. Mas lembrei-me de Galileu
"Eppur si muove",
a propósito de uma etiqueta de bacalhau!
Rezava assim, nesta Terra que gira e confunde todos, nas epidemias, nas guerras,
nos mares e bichos, pessoas, tristezas, tragédias, alegrias:

"Gladus morhua, Atlântico Nordeste - mar da Noruega, Spitsbergen e Ilha dos Ursos. Arte da pesca redes de emalhar e redes semelhantes"

No fim do mundo! Fui ver os locais e logo vi coisas que não sabia. Falam do sol da meia noite e da longa noite polar, coisas inimagináveis para os mediterrâneos.
O bacalhau da nossa tradição portuguesa.

Aqui trabalhado "à chefe" e como tal cheio de arrebiques: mas estava bom e o lugar à beira rio melhor

Este acima sendo "acolitado", como dizem os novos mestres da cozinha, com presunto, o de baixo com  brôa de cá

Este é bacalhau numa açorda alentejana
Há um de que a minha menina tem memória mas de que não encontro agora a fotografia.
***
Ah! é recente e encontrei-a hoje, a foto: sempre que posso faço para ela "bacalau", como dizia ainda mal sabia falar!

A segurança que nos dá o bacalhau!
Hoje vou fazê-lo num arroz simples. Quiçá exemplar anónimo vindo da Ilha dos Ursos.
Se houver ursos e ilha porque tudo está em mudança com as alterações climatéricas. Assustador para esta minha geração.


terça-feira, janeiro 14, 2020

Desde 2006

Os conhecimentos daqui, de um mundo apenas de imagens e palavras escritas: lugar surdo-mudo.
Raramente sou capaz de os apagar, aos blogs que aqui permanecem ao lado, muitos deles inactivos há alguns anos. Porque 2020-2006=14 anos por aqui, a olhar-me e a olhar as pessoas, é muito tempo.
Na adolescência ou na velhice. Os anos entre elas (14-60) escorregam devagar, de tantas ocupações, trabalho, filhos, amigos, saídas, doenças.
Viraria o meu número de anos ao contrário, sim. E faria a maior parte das coisas de diferentes maneira. Não pretendo "achar" que não me arrependo de nada, pelo contrário: repensar é refazer.

Vozes sem voz que enchem o meu silêncio como os pássaros enchem o espaço.
Da nascente à foz.



Por eles, blogs e escritos, vou a outros, ligados que são pelos meus gostos.
Reparo uma vez mais que são geralmente lugares de árvores, de plantas, de viagens, de jornalismo independente, de notícias de livros, música, literatura. Fios a que me deixo agarrar, pessoas atrás dos nomes que se calhar nem nunca me visitaram nem traço deixaram. São as minhas referências nestes anos últimos.
Ainda não foi desta vez que "os arrumei".



quarta-feira, janeiro 01, 2020

1º dia de 2020

Não sei que me parecia a mim própria não ter desejos neste ano novo, que flutua em números como cisnes 2 2 2...
Desejar que o tempo se abrilhante, que as mentes dos que me rodeiam se esclareçam, que se resista com saúde e com (menos) sobressaltos.
Esta rua de curva, estas nuvens de chuva, estas gaivotas de tempestade. Esta figura de anjo com asas.
Que o sol
que a vida
que a fraternidade
a temperança
muitas palavras esquecidas.
"um ano ditoso" como dizia um postal de uma avó, em 1924.
Porque não se usa o termo, ele me parece mais genuíno - em vez de tudo de bom...