Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Penafiel - anos 70 e após eles








Nesta terra passava-se sempre nas idas para o interior.
Isto há décadas, entre cebolas, cães e regueifas, tantos carros e gentes que (se)atravessavam.
E os forasteiros, novos que éramos, mortinhos por sair da confusão e chegar ao Porto, olhávamos de lado e ao longe.
Lá de cima, como um bolo da época, pesado e branco, o "Sameiro".
Romagens e romarias sempre me fizeram fugir a sete pés, ou rodas, excepto para ver as vistas e as artes.
Foi, nestes tempos de agora, que subi ao monte: e não há dúvida que encontrei motivos para parar e olhar, a paisagem, certa poesia de curvas, uma complacência de sinos, alguns reflexos de céu.
E ... nestas deambulações - igrejas, cenários verdes, casas de brasão e a bela Quinta da Aveleda - comecei a conhecer/gostar de mais um lugar: Penafiel!
(É que se me tivessem dito isto há anos, não acreditava. De como os lugares se transformam e a gente muda...)

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

AVÓ


Avó-tesouro.
O avental.

Tantas vezes a memória é tão ponteaguda!
Peço emprestadas as palavras a esse Senhor da Literatura.
(as minhas estão gastas de as pensar)

(mas hei-de voltar a essa tarde calorosa em Penafiel)

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Coisas teatrais

Depois do Norte e Centro,



a minha amiguinha está de malas aviadas
com os seus amigos de sala
e muita palavra
muitos sentidos

no CCB, a partir de hoje.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

"Estamagada"








Os pedidos e as justificações, os olás e os adeuses, não chegam a nenhuma parte que o olhar do espírito possa definir:
"cada um tem a sua vida", diz-se muito; demasiado acho eu.

E as pontes levam a um nevoeiro ainda mais denso
quando dentro dele vemos unicamente à nossa volta,
nada mais.

Brincando com palavras velhas, dir-se-ia que a força anímica anda "estamagada" de viver, no assim que é o presente.

Será simplesmente a nossa terra primordial que recua mais e mais
desorbitada
para um solstício de vida-inverno.

(sabemos que vem a primavera, virá o verão, etc e tal
mas...
quem estará aqui?)

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Pelo Douro ainda

Da inesperada flor

Da candura dos cordeiros ontem nascidos

Do veneno dos actos fortuitos
parecendo belos

Dos caminhos-pedra entre a despedida das vinhas

Sempre me chama um Outono mais variado
que o da cidade.
O cheiro, as cores.

O tempo encurta, os olhos alongam-se, fogem as palavras-letras.

(não visito amigos mas (re)conheço-os todos quando me passam à porta,
grata sou aos persistentes)

A chave desta ausência é mesmo
o pesado "caminho-pedra-palavra-letra"

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Aniversário de F.

As (pequenas) vitórias que tivemos,
decepadas

Os (grandes) sonhos que tivemos
juntas

O acaso que tanto nos junta
como separa


Apeteceu-me poesia neste aniversário de
amiga
antiga.
Felizmente vive
certamente rodeada das suas "coisinhas"
confortável de certezas tantas.

Que o seja e guarde apertado ao peito,
o seu mundo redondo.

Fica-me a mim
o tempo das violetas.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Sul com gatos

Só me apetece coisas de gatos, a (eu)ir por um muro adiante



Desconfiar



Enroscar e dormir

Ignorar


Virar focinho
Sobretudo sobreviver à traição
do pássaro no seu vôo
do rato no seu deslize

"fazer de conta" que se finge


Miar

Deve ser deste interregno entre rios "e margens de certa maneira".

(os gatos de férias lá,
aqui ficaram coleccionados para os amigos destes sábios bichos
- não lhes chamaria ministros nem doutores -

pessoas que a eles se prendem,
por cá)

Mil cores nos juntam





"Vestido amarelo vivo em conjunto com um branco
nos lembra muitas vezes que vemos o ouro do fruto e a brancura da flor
juntos na laranjeira".

O cálamo florido é amarelo, branco e verde.

Citação e ensinamento do livro:
"A História de Murasaki" de Liza Dalby

Mil anos nos separam






"Perdido na escura noite primaveril,
já sem paixão nem côr,
o nosso coração ainda se envolve
na fragância da flor"

No fascinante livro: "A História de Murasaki" de Liza Dalby

Sábado, Setembro 26, 2009

De-vagar e sem vagar







Neste momento...não é bem "sossego": é mais falta de tempo/disposição
para vos visitar a todos, como gosto, lendo e respondendo um a um como conheço,
figura de gente ou figura de sentimento.
Não me cabe na ideia "dar uma vista de olhos" e comentar à tôa a lugares humanos que semana a semana, ano a ano, descobri com gostos que gosto.

O Verão alargou-se, a árvore do meu lugar está hesitante deste Outono.
Vagueio em luz e pedras, também eu indecisa de largar reflexos.
Nestes momentos de poucos sons, ouço melhor as pedras e descubro caminhos e sinais.
O que não vejo em pessoas.

Fiquem conscientes de

abraços de sábado
(ou abraço, com o meu braço esquerdo, de domingo)

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Irresistível Horizonte




E vejo-me como os olhos dos pássaros, ao longe.
Em paisagem tão protegida quanto eu.

Quando voltar, não saberei o que mais saudade me fará
se espaço
se mar
se terra
mas certamente sentirei a nostalgia de um silêncio
cheio de sons do chão e do ar
sem vozes.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Horizonte




E, sempre, as pedras!

Um velho e incongruente sofá
numa imaginária janela
para o infinito quase.

...e há algures um "horizonte" à espera.

*****

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Outras terras, outras paragens


Num qualquer dia de semana que os brindes são ao viver
(cenas na TV do filme "Some like it hot")

Comer depressa a sobremesa do dia aberto



Procurar pássaros, mesmo os raros nem que os não veja


Janelas e paisagens para lado nenhum




Percorrer terras altas onde escorrer o olhar
até ao sal deixado nas terras baixas.
Ver a forma das nuvens e a imensa ausência delas.

("tomar ar" é coisa que não se consegue entre
prédios
carros
conversas sem nexo
mensagens
tecnologias
- e fobias -)

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

A Patuleia e a Maria da Fonte








Não sei se foram os rasgos televisivos destes dias; ou porque a minha doce avó dizia que "era uma patuleia" quando havia confusão entre vizinhas!

Ou as seguintes frases:
"inversão da tendência decrescente"
"abrandamento do ritmo de contracção"
"economia a ficar nivelada"
"nós somos, nós faremos"

e um grande ETC.

Chega de análises, previsões, opiniões - interessam-me as sínteses.
Cada vez mais o que se vê: o rico-rico, o pobre-pobre. Os do meio flutuam, entre a agoniada esperança e o desesperado medo do futuro.

Ruas e canais com muito movimento, notícias em fogo do outro lado do mundo quando vejo fumo no horizonte e da minha janela...

Se é difícil governar e pago para isso, mais difícil me parece ser governado, mal pago, manipulado, dirigido por gentes mentirosas e sem categoria moral.
Por máscaras e narizes torcidos. Palhaçadas.

Meter a justiça e o social na gaveta, exibindo-os quando dá jeito.

Sobre estes aspectos da perfídia - entre o que dizem e o que fazem - mais a opinião de um nobre "boy" sobre a semântica da "ética", M. A. Pina escreveu uma bela crónica, no JN de 28 Agosto. Um lembrete para as memórias curtas e os esqueletos nos armários (ou na despensa).

Sábado, Agosto 29, 2009

Este Lugar Colorido

Sopa de pedra:
eu que tanto gosto delas, as pedras!
E sopas.


Alimento de corpo para satisfação da alma!

"Para nascer, Portugal:
para morrer, o mundo"
Padre António Vieira (painel de azulejos comemorativo dos 400 anos do seu nascimento, junto ao local onde nasceu)


Andar no apressado cinzento
ou parar só, olhando


Atentos aos sinais, às paredes, às janelas e portas,
ao respirar delas.


Atentos aos tons laranja
à terra azul
vestida de todas as cores.





Para WOLKENGEDANKEN

Este é um lugar de cultivo.
E como falaste nos tons "Laranja", planto aqui o que pensei e me sugeriste pensar.

Como que se aprende, ou lembra, andando por aqui em pontes.
Em pontas.

Deslaçadas que são as convivências comuns.
(porque o dia a dia afoga o que é simples? a troca de ideias?
a cortesia? a empatia?)

Ano antigo



..." o viajante apenas vai formulando ideias que nascem do que vê,
e isso é o que fazem todos
se andarem com atenção a si próprios."

José Saramago em "Viagem a Portugal"

Terça-feira, Agosto 18, 2009

"Louisiana on my mind"










Organizar sentimentos felizes. Entre flores ou risos.

Com todas as faces na alegria dum dia perfeito.

A perfeição que nos transmitiram e nos fez Bem!

Verde






...que te quero Verde.
Esperança em contos de fadas e histórias com final feliz.

Assim deve ser uma festa de juntar/casar.
Velas de luz ardendo em tempo real, para todos.

Pés na terra


Caminho só de pétalas.

Seja a Vida um Sol.





A Festa.

Com os pés bem assentes na margem do Douro de tantos passados comuns.

Domingo, Agosto 09, 2009

Terra II








(o PPP leva-me pela mão! a palavra era "Terra"...)

Foi desta forma que o mapa se começou a fazer no meu espírito, um vivo mapa: de ruas, ilhas, colorações, formas.
E nunca mais deixei de gostar de ver o Planisphério ao vivo, lá de cima.
Em tantas, ou algumas, viagens que fiz de avião, o que mais me interessa são as formas das nuvens, o caminho dos rios, o profundo dos mares, quase tocar as montanhas, a neve, as estradas, os rectângulos de terra, as casinhas de brincar - Lilliput - o espantoso da paisagem recortada.
Pois... se se vir uma pessoínha inquieta com a máquina flash flash ...
sou eu,
a completar o meu mapa infantil.

Terra I










Aprendi a Terra - plana e imensa.
Essa foi sempre a "terra" que eu amei, a plana, a imensa.
A passível de abraçar, abarcar.

As lágrimas não me deixaram ver o chão que uma vez abandonei: era fim do dia, recordo a luz dum Agosto qualquer, o sol encandeava o pequeno lugar do avião onde.
Mas lembro-me, ao aproximar e sobrevoar Londres - a cidade dos meus amores - dum esplendor vermelho no céu e muitas, muitas luzes por baixo: as estrelas tinham-se mudado!

Essa ingenuidade dos vinte anos: de ter julgado o céu na terra.

Sábado, Agosto 08, 2009

Terra










Na verdade, um diálogo que mantenho desde muito pequena.
Havia um Planisphério lá pelas paredes de caliça velha, na casa - faltava muita coisa mas estava ali o Mundo à mão, da pequenita.
Aqueles nomes de sonho Kamchatka Nilo Gronelândia Sidney Terra do Fogo Veneza S. Francisco Alaska Volga Sahara - tantos sinais, uma cabeça de coelho, uma mancha de tinta, uma fita solta no cabelo, um dedo apontado, uma meia lua, um osso, um cacho de uvas.
Assim, sabia de cor (e salteado) entre os 2 ou 3 anos, todas as bandeiras do Mundo - dizem-me!
E eu, sem fechar os olhos, vejo-as alinhadas em símbolos antigos, cores.
Lembro-me de gostar da Turquia e do Canadá. A estrela, o crescente, a folha.
Seria já a memória fotográfica desta máquina interior que recria motivos vivos, sons, paisagens, cores, com uma exactidão - tantas vezes exasperante para poder viver neste mundo vário?

Quinta-feira, Julho 30, 2009

Os 3 Anos do Fotodicionário



Achamos que houve um conluio qualquer com o santo da meteorologia. E era dia de Santa Marta pelo que a esplanada vinha a calhar com a divindade e a colónia de zumbidores que aí veio reunir.



Resultado (de baixo para cima...): um odor de fruta fresca, azuis profundos, risos soltos, muitas palavras para troca!


Sabemos que houve uma união de esforços.
Acho que até nas mensagens pelos meios mais tradicionais, pombos correio e boca a boca.


A nossa secretária - ao que me disseram - trabalhou incansavelmente nos números, nos nomes,
na ementa
nos horários
e nos locais de encontro.
Os que estiveram: Zé Viajante, Luisa, Justine, M.J. Jara, Bettips, Agrades, M., Cristal, Teresa Silva, Mena M., Licínia, Arábica (ex-aequo por unanimidade) mais dois príncipes com sorte (de nos conhecerem, claro!)
Aos que ano passado sorriram connosco
Aos que não puderam estar mas são a memória deste divertimento
também o modo e a razão deste grupo

Saudações para Todos!
Parabéns Fotodicionário (também conhecido pelo nickname PPP)

Terça-feira, Julho 28, 2009

Quando peço emprestada


... a acalmia fora de mim.

Porque sobram gestos e palavras em todo o lado.
Fico-me a olhar o peixe preguiçoso que há-de morder o anzol. Há que escolher o barco, desenvencilhar as redes, enfiar o isco, ficar muito quieta na madrugada.

Lendo amigos em silêncio; e adivinhando atitudes que são esboços, apenas.
Advertir é uma palavra ameaçadora.

Etéreas são as acções "do que se pensa fazer".
Mas talvez seja a pressa do Agosto que me faz "ser" devagar.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Quando se pede emprestado




...aos poetas
a voz dos pensamentos
que se encontram extenuados
sendo um cardume
que sobe o rio,
contra corrente.

Da voz das coisas


"Só a rajada de vento
dá o som lírico
às pás do moinho.

Somente as coisas tocadas
pelo amor das outras
têm voz."

Fiama Hasse Pais Brandão - "As Fábulas"

Terça-feira, Junho 23, 2009

O pirilampo - Belgais










Há votos que nem se compram nem se cumprem.

Um ano passado, uma amiga dizia, comentando a propósito de Belgais:

"A serpente vai comer o pirilampo e ele pergunta "porquê". A resposta que recebe é "porque brilhas". Brilhar é um caminho perigoso." - LQ.
*****
Nunca choro por uma coisa só. Nunca soube gritar por uma coisa só. Chocante é o conjunto das pequenas e grandes pulhices que acontecem, aqui e ali, antes e durante. E certamente "depois".
Mas uma coordenada de que não abdico na minha vista, na minha vida: a Justiça, ou a justiça, a grande ou a pequena.
A (in)justiça de tratamento, a (in)justiça de sentimentos, a (in)justiça vesga.
Hoje e para lá de tantos opinantes e ruminantes que (mal)ouço e (mal)vejo, choro e grito por BELGAIS.

(baixinho, em condição de humildade, lamentando
os artistas
os pianistas
os jornalistas
os escritores
os divulgadores
os telefones
os microfones
os abaixo-assinados
os não-herdados
os democratas
os tecnocratas
as gravatas

os portugueses,
que se calam.)

E agora vou, dentro dos dias, fora de mim.