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sexta-feira, dezembro 03, 2010

"José e Pilar" documentário de Miguel Gonçalves Mendes

Começou por se questionar escrevendo. Em algum canto modesto como este.

Recomeçou a vida, par a par com outra árvore. E duas árvores sempre se dão mais força.

(a palavra escrita na estátua é HONESTIDADE.
Poderia ser "Coerência", "Rectidão", "Integridade"... poderia ser uma palavra qualquer que resumisse um Homem Novo).

Seguiu construindo pedra a pedra, como os seus livros, a sua Montanha Mágica. Uma fragilidade aparente, as pedras dum vulcão de ideias.
Um melhor futuro para a Humanidade.

Irradiante como era o sol da sua Palavra.
***
E tirei-me das minhas tamanquinhas, a muito custo ...
depois de ter feito umas tantas perguntas e posto questões. Lá teve de ser: uma ida a um CC impessoal e igual a todos, uma coisa em recantos de secretismo, anúncios da moda global, no fundo de corredores e escadas enrolantes, cheiro de pipocas e cartazes de fancaria. Na penumbra, meia dúzia de pessoas, uma chorava.

Gostaria de ter visto este documentário entre amigos, muitos.
Saber assim, desacompanhada de calor humano, do dia a dia de um homem comum, tão nosso, fez-me ficar no silêncio, perto da emoção abafada.
(homem de quem as notícias foram/são poucas, neste país de gente miúda, documentário feito por um jovem teimoso, acompanhamento duma mulher persistente e lutadora)
Um documento indispensável e comovente. Não fiquei a saber mais sobre Saramago e Pilar: fiquei a conhecer a sua família alargada, a sua casa, os seus livros, a luz da janela, a sua humildade, a sua discreta alegria, as ondas de calor humano que o envolveram.
Duma imensa grandeza.