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quarta-feira, abril 02, 2008

Acreditar








Sempre soube que havia fadas com varinhas de condão.
Muito pequena, fechava os olhos com força e desejava "livros": não sabia eu, ainda, que as fadas vivem de sentimentos e não de objectos concretos. Que a sua aura nasce à volta dos espíritos.
Deixei-me de desejos mas, no íntimo, reconhecia-as, fugazes passagens na minha vida.

Encontrei-as nas gentes e nos cantos daquele lugar: um gato, cores e flores, livros, fotografias, recortes, cantos com histórias vindimadas, pessoas que se riam, nas paredes, nas escadas. A alma do pão, do vinho e do azeite, a pedra e a madeira primordiais.

Uma casa com sol lá dentro.

E, durante muito tempo, a olhar o horizonte pensei que o arco íris tinha colocado uma das suas pontes coloridas (não a que nasce, a que pousa) precisamente no sítio daquele lar.