quinta-feira, novembro 07, 2013

Tempo difícil

... além de inquieto, como o sentia em Outubro.
Tenho andado um bocado retirada "dos palcos" espaciais, dos amigos.
Vou coleccionando "as minhas coisas soltas" com lembranças de férias e das pessoas que me vão desaparecendo.
A política actual é vergonhosa e ruinosa. Sinto uma dor, uma raiva: na verdade, sempre e activamente fui/sou contra ela. Atingem-me "os mercados", seja lá isso o que seja e o que me parece. Atingem-nos o direito ao presente e esmagam-nos o futuro. Na reforma, no aluguer, na luz, na saúde, na alface.

Não há claridade suficiente.

Não há medida que possa medir o vazio.

Nem música para os meus ouvidos.

Viver uma vida simples não é simples.
Tomara que os nossos medíocres tecnocratas/burocratas, a criadagem europeia, se sumissem por uma vez. E deixassem de nos amedrontar,
enquanto se amanham nas viagens e nos benefícios que vão acumulando.
A minha Vó dizia assim: que se amanhavam todos aqueles que viviam de habilidades para enganar os outros.

sábado, outubro 19, 2013

Tempo inquieto




De hoje, um olhar, para tudo isto que nos consome.

"Em Outubro sê prudente: guarda pão, guarda semente"
 
(Provérbio da Agenda Cultural da Câmara Municipal de Serpa)

sexta-feira, outubro 11, 2013

Feira - Centro Comercial ao ar livre





Tachos panelas potes alambiques
(o que estás a fazer? Colheres de pau para vender!)
Relógios very nice -  limas para arestas que nem nos passa pela cabeça existirem. Entre pessoas, governantes e afins.





Budas grandes e pequenos para escapar à inflação e infelicidade.


Pantufas para andar de surpresa em surpresa made em Portugal.
Bolinhos em juros  escandalosos de mercado
para adoçar o amargo de boca desta desgovernação desgovernada.


E tudo o mais que não entra nas estatísticas da economia daquelas "mentes brilhantes", pano de fundo e de fumo de todos os noticiários.



E, ó satisfação, um galo de Barcelos empoleirado num cravo entre balões coloridos.
Haja ESPERANÇA!


quarta-feira, setembro 25, 2013

Para quem (me)gosta













Para que se goze, olhando,
o bom e o belo que temos e somos,
para além dos mesquinhos comícios comerciantes que nos desfilam e enganam.
Porque a obra fica. Esquecem-se estes pequenos candidatos "de mentiras" que a vida passa.
Como por esta oliveira conservada, com mil anos a olhar a dança dos séculos. E viva.

(Herdade do Esporão, num dia deslumbrante)


quinta-feira, setembro 19, 2013

Sabores da terra e espaços

Cebolinho
Manjericão

Flores dos muros
e o azul com aves ao longe.
Esta terra tão grande e linda que somos!
Apesar das eleições e gente cegada, sem olhos para ver; cega e salgada; e na cégada complicada que isto é.
No pensar de discernir.




domingo, setembro 15, 2013

Vidas II









E debruço-me sobre - ainda e sempre - o falar das pedras, porque quem me conhece saberá lê-las.
Às mensagens dos meus sentimentos.
Repartir.

terça-feira, setembro 10, 2013

Vidas

Aqui postas em música que redobram nos meus ouvidos.



Hard days' night.
Ma vie.
The house of the rising sun.
As músicas e as letras (con)tinham as nossas. Vidas.

sábado, setembro 07, 2013

A comoção das coisas inúteis



... que se conhecem há tantos anos!
Comunica-se ao olhar: afinal são estas as recordações que me estão vivas: a cómoda de gavetas de segredo - os poucos "ouros", cartas do avô Antero do outro século escritas a verde, os lencinhos, os sabonetes Patti, um frasco de perfume "Madeiras do Oriente", as meias de vidro - e o único guarda-vestidos: das coisas que amo, nada de importância: de importância, só o que amo.

Restos/rastos de memórias. No guarda-vestidos de vidros verdes da minha avó, um gavetão, pesadíssimo para a minha pouca idade: tinha dentro uma boneca "de Espanha", maior que eu, nunca para brincar, as coisinhas cor de rosa do baptizado, de seda e acolchoadas, oferecidas pela madrinha rica, uma bolsinha de contas verdes e roxas, aro de tartaruga; em cima (e eu de banco sobre um banco, esticada), postais da Grande Guerra, uma escrivaninha portátil pequena, com tinteiros e porta curva de correr, pó e embrulhos-embrulhados de passado.
Nada tinha valor: e tudo era valorizado porque exíguo: o lugar, os pertences, as recordações.

 Vou-me agora à procura de fontes.


Que há uma casa só minha que trago comigo, em forma e som de coração,


tal qual Vitrúvio a teria escolhido.

quarta-feira, agosto 21, 2013

A casa como-vida


"Temos para com os campos a obrigação de que as nossas casas não sejam inferiores ao terreno virgem que elas substituíram. Devemos aos vermes e às árvores que os edifícios com que os cobrimos se ergam como promessas das mais elevadas e das mais inteligentes formas de felicidade."

(respigado da "Visão" de 8.8.13 sobre o livro de Alain de Botton "A Arquitectura da Felicidade")

Sempre sonhei com uma casa de estar: cave para as memórias, ao rés-do-chão a vida em comum, lugar com terra e árvores para pousar pés, e dobrar as costas às ervas e às flores, cozinha grande para ler e conversar e receber - e também comer -, uma mansarda para os sonhos, virada ao mar. E, sendo  este o meu país, de frente para as tardes do pôr do sol, o nascente a amanhecer nos quartos.
Acho, de mim para mim, que seria uma das formas da felicidade.
Assim me (a)pareceu este encadear de foto/pensamento com o pasmo desta construção.

terça-feira, agosto 06, 2013

Imenso


Que fazer com isto tudo, à volta e em volta?

Muito penso, muito olho, tanto sinto, pouco digo e faço. 
Cresce-me a revolta como nunca (a onda da Nazaré, dizem? Será mais um maremoto surdo).

Mas que beleza, tão refúgio, a da paisagem que se sonha!