

Sempre de clausuras várias somos feitos.
Das casas, das emoções, dos sentidos presos.
Pelo desencanto, do cansaço.
De grades ou pelas conveniências.
Tempo verbal que nunca chegou a expressar-se claramente mas foi/é usado: enclausurar, conservar dentro; pode ser uma mão nos olhos, uma ferrugem do tempo.
Quando se corta o caminho, quando se evita a palavra, quando se prefere o ruído ao silêncio.
E a parede é somente uma parede áspera, sem espera.
quinta-feira, março 03, 2011
Clausuras
As flores do meu (des)contentamento
Ofereci uma japoneira - cameleira -, esta, há muitos anos.
Julgo que as camélias podem crescer selvagens em lugares onde ninguém vai,
como pessoas,
mas alguma vez plantadas e olhadas com amor -
com desvelo de as ver crescer.
Tenho saudades dos tons.
Dos sons.
E olho esta árvore sobressaltada com a sua solidão.
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
25 dum Fevereiro



Além de aniversários, parabéns e isso tudo que se diz, e se supõe verdadeiro e feliz,
há as datas que nos ocorrem, sempre - e nem no serem sempre são boas.
Hoje é dia de Londres e de pensar na minha Amiga, recordar-lhe o riso e a lágrima, pensar no lapso, na ausência de pensar.
Toma lá uma flor que não vês, tu que uma vez disseste "nunca ninguém me deu flores" e te rias com e para elas, às portas do metro.
Fazes-me falta há que tempos.
Nunca mais houve uma pureza, de intenções e outras, nem uma compreensão como as tuas.
Bem sei que me repito; mas nas outras fotografias a tua, a nossa, alegria enche por demais a identidade que fomos.
Inverno
Chego-me,
chega-se-me a esta altura
e só me apetece ver como resistem ainda as rainhas do inverno,
uma saudade de camélias
Que dos troncos secos surgem as primeiras folhas da estação
já breve.
Se umas se despedem de ontem, as outras nos acenam o amanhã.
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Dança
Como a pensei esta semana no PPP.
Pas de deux
e os minutos que andei à volta do "Lago dos Cisnes"
para lhes sentir a frescura, a elegância, a música dos seus gestos.
Para certas harmonias têm os meus olhos uma paciência santificada.
Mesmo com olhos desfocados pela impaciência de os reter.
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
10 Minutos de Céu
... esperando a Primavera, promessas
nos troncos
nas pessoas
harpas nos ramos já tocadas pelo futuro de folhas
troncos lúcidos
ignorantes gentes
da seiva
e de tantas mudanças de que o universo se compõe
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Um quadro da tarde
(o lugar existe
o sol põe-se lá ao fim da rua)
assim
estaria bem, eu dentro da paisagem.
Longe de lugares e mais perto da terra.
(volto sempre, em pensamento, onde gosto, a quem)
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
11 anos
Vi hoje os espinhos de tantas rosas, de tantos maios.
As luzes são ao longe.
De um lado os canhões, do outro, poentes sem escolha.
(um preso sem culpa que é solto, poderá sentir-se alegre, sim, poderá!
mas nunca esquecerá uma hora, uma noite, de prisão. Nunca.)
Eu estou noutro lugar, só.
Lugar iluminado a meu gosto - entre oliveiras
e brisas de (muito)pensar
e pedras de andar (gastas)
e (inúteis) papéis de rasgar
- coisas, enfim, tão (re)conhecidamente minhas.
sábado, fevereiro 05, 2011
Uma semana adiante
(2 fotos de "J."- M.J.)
Tinha pedido à Amiga
que surpreendesse os "pedantes" quando eles se abrissem.
Esqueci-me de lhe dizer que lhes pusesse um espelho à frente!
Chama-se florir, florescer, partilhar.
Ainda com as gotas do seu banho nocturno, ei-los que nos saúdam.
Teimosos na alegria.
sábado, janeiro 29, 2011
Mudanças ao minuto
como pessoas ao vento
como sentimentos
como idiomáticas
enigmáticas
interpretações de nós
O céu em 3 minutos, tão próximo do meu estar.
A propósito deste tão belo haiku, no desafio de M. no PPP, em que dezasseis pensares desafiaram os céus da poesia:
a aurora dentro de uma asa
a manhã descendo pelo vento
Emanuel Jorge Botelho
21 Haiku com Asas
(Terceiro Livro Emanuel Jorge Botelho - Urbano) in
21 Haiku com Asas, Urbano e Cabras, Galeria 111