sábado, junho 22, 2013

Lua com efeitos secundários

Dizem que a lua,
a Lua aliás, pequeno satélite da terra,
aliás da única Terra em que vivemos,
é tão brilhante, especialmente hoje, que só daqui a 18 anos será igual a esta.

De menina de colo e coro, de criança a adolescente, dezoito anos vivi à espera deles, do esplendor e crescimento, em anos que pareciam longos. Tempo de cerejas.

Tempos dobrados e desdobrados são.

Estes, até ao próximo brilho, são curtos.

domingo, junho 16, 2013

Pássaros pobres









Somos a gente que trabalhou e trabalha
e consome e se consome, neste país que é nosso.

Por todos os que sonharam Abril, o fizeram, o defenderam. Que o defendem, lutando por tudo o que é básico e nos roubam: pode ser um poeta, pode ser uma "operadora de caixa" de um supermercado, pode ser um professor ou um músico.
A mulher nova que nos serve, esperançada que as mesas se encham.
Uma velha mulher que espera para atravessar a estrada perigosa, sem que ninguém páre.

Podes ser TU.

Não seremos como o pobre pardal lutando por uma migalha.
Pedimos o doce completo: queremos comê-lo, ao ar.
E livres.

domingo, junho 09, 2013

Elvas, ó Elvas

Não resisto - em uma wi-fi free, ao lado de praia.
Nesse dia, em Elvas, não pudemos andar na cidade, nós cansados e (já)velhos, numa voltinha de "comboio histórico", porque estava ocupado toda a tarde com uma delegação oficial de qualquer coisa! Vimo-los passar, importantes e vestidos de passeio, sem pagar bilhete, suponho.








Havia 3 portas: uma para altos, outra para gordos, outra para baixos!
No governo, há portas para todos os "da corda". 4 mil e tal, dos mais recentes.






Vi ainda uma azáfama de gentes a pintar paredes, a lavar realidades sujas e velhas.
Vi muito, em Elvas, cidade de que nunca se fala.
Mas hoje, falarão. Os comemorantes dum vago dia de Camões. Ah...Grande Camões, que tanto terias a dizer dos poderes e da tua (e nossas) pensão de miséria!
Nas notícias, elas são ao contrário: "não havia manifestantes contra"...

Tachos e panelas para todos os gostos!
ELVAS, Badajoz à vista.

sábado, maio 25, 2013

Sem importância

... de maior, para o dia a dia das cidades e das notícias de tvs.





O Senhor I. é cunhado, ou familiar, de várias pessoas cá da terra. Empregou-se num campo de golf (dos 3 ou 4 que há por aqui, onde raramente se vê alguém!) e assim "arranjou um ordenado". Às 6 da manhã vai às suas cabras, ordenha-as, leva-as a comer nos campos à volta de casa. Logo que sai dos relvados, lá vai ele, de pastor pelos montes.





Ele ou outros, solitários da terra amada.
Todas têm nome:
Branquinha, Algarvia e a filha, a Ruiva, a Remexida e a filha, a Malvarisco, a Toalha e a irmã, a Rapariga, a Cavalinho, a Jardim, Carminha, Salpico - esta anda com dificuldade, manca, teve um "AVC", diz, mas ainda cria os filhos-borregos -, a Zézinha, Ramalhete, Esperta, o Lembrança - é um macho com a alcunha de "Bandido" pois, diz o Senhor I. "ah bandido, já vais com essa..." -, a Canário, Gazela, Vitorina, Pimenta, a Fanny (o ny é meu por causa das leituras "agustinas")...
Os cães guiam-nas ao assobio do dono, ou melhor, salta a pedra da funda das proibições. Todos parecem entender-se!
O Senhor I. tem cinquenta e muitos anos, ex-emigrante "na França, a salto".
Diz que não sabe viver sem elas, que lhe levam o tempo e muitas vezes, o dinheio para a forragem.
Mas afeiçoou-se-lhes.
Que termo belo: afeiçoar! Pessoas e bichos, pedras e terras, num gostar inexplicável, feito de sentimentos dos mais simples. Como dar o leite (das cabras) a uma vizinha que faz queijos. Ou oferecer "uma bebida aos senhores".
Como dar uma flor.
Ou uma palavra amiga.

A gente afeiçoa-se! Fica gravado.

sábado, maio 18, 2013

DE...




...como se faz uma romã em Maio, na serra.
Esperando Setembro e os bagos vermelhos. A ira de hoje amadurecerá na injustiça dos tempos.

Coisa simples, da flor ao fruto.

quarta-feira, maio 01, 2013

Lugares de desejo à espera

Começa o sol e inquieto-me.
Começa o tempo de sair e movo-me.






Vou-me de espaço aberto

parecendo nos primeiros dias um peixe fora de água.
Mesmo assim bebendo AZUL.

Mesa que fique nua, papeis que se cansem, deixar intervalo nas coisas comuns.
Dá-me para ver as abóbadas - as do céu também, ao vivo e sem horas.

Como somos o sítio que nos faz falta. 


Que viva a voz do PRIMEIRO DIA DE MAIO, 

tanto tempo me foi feriado emotivo!


quinta-feira, abril 25, 2013

Por Abril de 1974 - 39 anos depois




Para que seja caminho de Sul que somos. 

Solares como sabemos ser.
Crescendo como o entendimento de uma criança, voltada ao mar e à claridade, à Liberdade.
Vinte e Cinco de Abril Sempre.

domingo, abril 21, 2013

Douro, em outro lugar formoso























Voltei, um acaso de juntar gente que se conhece, num lugar que foi da vida de alguns.

Há 20 e tal anos que não ia ali, torneando os montes, até chegar ao lado de lá que se avista:
5 ou que importa? 9 km de curvas e uma grande vontade de ir ou chegar eu que detesto curvas e me enjoo
eu assim eu assado eu estonteada de sol eu corria os olhos um tanto vesga de tonturas e contudo
eu tão feliz de vinhas.
Estas já quentes, as terras, videiras algemadas que se libertam em folhas alegres.

Tomara que um sonho me sonhasse
e eu pudesse ajudar a (re)construir um desejo. Resguardar um sítio.

Ouço o riso do rio e todos os seus pequenos afluentes, veios de continuidade dessa terra tão particular: nessas encostas, desde os Romanos que se faz vinho, havemos de resistir!!!

Nota importante por este ilustre POVO e contra estes governos agachados às cordas e às "tranches":
Portugal é um dos países no mundo com maior número de monumentos classificados como Património Mundial: 14 locais e regiões.