sexta-feira, dezembro 29, 2006

Bateram-me à porta




















Sim, várias vezes, daquelas pessoas a quem a gente não pode "mandar dizer que não está".
Doces toques. Esperançosos. Setas de índios amigos - e eu Touro Sentado!
Ontem estive horas a ouvir a música de uma amiga "de virtudes" (que aqui não há defeitos).
Há décadas que não ouvia o concerto de Aranjuez cantado. Cantado pela voz melodiosa de Richard Anthony (só para mais de 45 anos!), um rapaz francês do meu tempo. E só de cantar em francês a gente gostava: c'était le temps de l'amour, le temps des copains et de l'aventure... (aprendi mais francês e inglês a cantar e a apontar as letras, a descobrir o que a censura "arredondava" nos filmes, do que nas aulas respectivas - a verdade é que ainda não sabia inglês e já cantava, de ouvido, "The Green Leaves of Summer"...).
Foi um dos "noc, noc" na portada fechada, janela/face crua do Inverno.
Respondi assim ou mais ou menos:

"Não estou de férias - estou muito de molho, em banho-maria, entre dois fogos (eu/sim, eu/não), no cabo do medo, às vezes. No cabo do mundo que imagino. Na península de Kamchatka, na ilha da Páscoa, fugindo ao Natal e cortejo... Somos quase da mesma idade, não do riso. Há manias, eu tenho a mania de gostar de coisas sugeridas, onde descubro mil pistas familiares, da matilha, da manada, do bando, do cardume.
Fazemos uma rodinha "bom barqueiro, bom barqueiro, deixai-me passar ..."
Quem sabe se a gente se vê, ou escreve, ou vislumbra, ou ajuda? Quem sabe se a gente se sabe?"
...e fartei-me de ouvir "Mon amour...où le vent nous améne, mon amour" (a gatinha julgava que era disco riscado, portanto dormia).
E cantei, até... (aí a Kitty olhou-me estranhamente: a dona passou-se de vez com o Natal, as tralhas, as conversas de toucador).

Hoje, tlim, tlim. Olha quem ela é!!! Mensagens, saudades, sorrisos de Gioconda (enigmáticos), acenos e muitas, muitas, mesmo muitas, ideias repartidas. Ou seja, de repente reparo em tantas trivialidades semelhantes, ou quer dizer: gente que tem opiniões que eu partilho. Mesmo sobre coisas ou sítios que não conheço, estou de acordo, pronto!

Confesso que vou a posts anteriores. Quando alguém cujas palavras, fotos, poemas, me atrai. Passo pela casa, silenciosa, com pés de algodão, e penso "aqui gosto de estar". Quando comento, normalmente a observação sai-me de jacto, da vontade, da simpatia/empatia, da sensação solidária de dores e alegrias acumuladas. Pelo coração e a estética. Quando me dá para comentar, vou por aí fora, paro aqui e ali, dando algo de mim, muito sincero, que é o meu pensamento não forçado.
Há um amigo raiano. Penso nele porque acarinha a terra onde vive. Mostra-a e disserta sobre a solidão do interior. Há mais de um ano, tive o gosto de andar por ali. Inesperadamente, descobri mais um canto de sonho deste país que poucos merecem ou conhecem (refiro-me aos poderes instalados, à Lisboa centralista, aos pirosos de soalhos em jotobá e jacuzzi que o empreiteiro lhes impingiu). Atenção que eu gosto de coisas boas e bonitas mas se me dessem a escolher entre um pomar com casa de caseiro e um loft nas Amoreiras ...eu ia para o monte!

Deixo então as extensões pinceladas pelo sol. Um sol diferente do litoral, um sol-terra, mais perto de nós. Os fosséis marinhos que descobrimos em pedras milenares. Duas senhoras que não sabiam a idade ao certo e com quem me sentei a falar de namorados e vidas duras. Casas viradas ao pôr do sol, descendo pelo monte como meninas alegres, entre figueiras bravas e muros baixos.
Será um passeio que ainda darei mais vezes, por aqui. Infelizmente, não tinha máquina digital e quase tirei um rolo por dia...
A seguir falar-vos-ei do "amor", outra vez. Porque vi pastores, gente humilde com cântaros à cabeça. As suas saudações eram alegres e os seus risos brilhavam tanto como estrelas ou diamantes. Parecia amor pela vida.

6 comentários:

Teresa David disse...

Belo texto e fotos que emanam paz embora não consiga localizá-las, mas parecem-me ser do Norte. Estarei certa?
Cheguei de Amesterdão e deixei por lá mtas saudades dessa cidade que adoro, por isso, comecei hoje a postar imagens e sentires sobre ela, que poderás espreitar se te der a curiosidade.
Fica para já com os meus desejos de um óptimo novo Ano e um abraço
TD

A. disse...

Bateram-me à porta com palavras doces.


«Quem és?
Dou-te a mão, não sei porquê...»

Não sei dizer quem...mas aceito as coisas lindas que me dão.

Como agradecer...?

Dou-te a mão...e sei porquê.
Obrigada Bettips.


Um abraço muito grande.
(...sou a ana.)

segurademim disse...

... gosto que me batam à porta

atendo sempre



Feliz ANO NOVO

beijo :)

Bandida disse...

oú sont les temps de l'amour ...?


magnífica a tua cor. cores.








B.
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Kalinka disse...

Hoje vim estar um pouco contigo, apeteceu-me!!!

Vamo-nos encontrando pelo mundo da blogosfera, assim o espero, em 2007

Para ti e todos os que aqui vierem em Paz, os votos de um Ano Novo muito Feliz, com apenas 3 coisas essenciais à Vida - Saúde, Paz e Amor, o resto virá por acréscimo.

Que todos os teus desejos se realizem e que o Ano de 2007 te cubra de sucesso, que o amor te embale e a paz te encontre sempre com um sorriso nos lábios e muita felicidade no peito.

Deixo mil beijinhos.
Obrigado pela tua amizade.

paper life disse...

O Prazer que é reencontrar novas imagens, palavras cheis, histórias semelhantes na memória!

Bom Regresso, este.

:)

Bjs