quarta-feira, julho 02, 2008

Tardes com Árvores III








Acabamos o tempo na Feira do Livro, com a apresentação do livro "À Sombra de Árvores com História", depois do passeio pela "Rota das Árvores Monumentais"
Em girândola de risos e palavras soltas.
***
Onde árvores e poetas, flores e dunas, ervas e citações, tinham um lugar.
Cativo, como o Pequeno Príncipe tinha os amigos com quem criava laços.
É esse o lugar do "Dias Com Árvores".
***
"...
- Onde estão os homens? repetiu enfim o principezinho. A gente está um pouco só no deserto.
- Entre os homens também, disse a serpente."
"...
Tombou devagarinho como uma árvore tomba."

(citações do livro "O Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry)

Tardes com Árvores II






... pelos vistos o meu lugar ficou "desprotegido" e há pouco, apareceram-me prémios e parasitas, num ápice. 4 ou 5...
Do que há bastante por aí!
Apesar de tantos esquemas de segurança - e avisos e mais avisos, a amigos que passam e repassam mensagens, com todos os nomes e contactos explicados!
Nem dito directo entendem: este é um lugar de apontamentos e "correntes de dizes tu, direi eu" são coisas de lixo, pura e simplesmente.
Muito mais privado é o meu e-mail; e não, não vou aumentar "coisas", nem ganhar o quinquagésimo prémio dos blogs, nem receber a flor da virtude, nem o arquinho e balão da amizade. Também não preciso de ponteiros apontados que me limitam - ainda mais - a vida. E a lotaria já a ganhei em não ter morrido, por acaso.
Gosto de quem gosto e falo a quem quero.

Eu só desejo um canto sossegado, de belas ideias e boas virtudes. Que as más andam à solta! Opiniões, notícias, sim, venham elas dos próprios!
Deixo todas as boas intenções para os eleitos.

Aqui, continuava eu a falar por imagens, dos meus queridos "Dias com Árvores".

Tardes com Árvores I








A partir dum Verão qualquer, encontrei um grupo: que se preocupava com plantas, flores, árvores, cidades sem elas.
Era o tempo da calçada tradicional da Av. dos Aliados ser retirada, levando canteiros e jardins; e a propósito dessa avenida - incaracterizada agora - os conheci.

Nas raízes deles descobri - e explorei - este mundo virtual, de trocas afectivas, de alertas, outros olhares de simplicidade, sem negócios à vista.
Três pessoas quase anónimas, imensas: a Maria, o Paulo, a Manuela.
Publicaram dois livros sobre o amor - das árvores, da cidade, do Porto. E desde 30 de Junho de 2004 que nos dão os seus diversos olhares pela Natureza.

Ontem percebi que o tempo de visitar o correio das notícias no "Dias Com Árvores" (http://dias-com-arvores.blogspot.com/) ia acabar.
Fiquei com uma pena imensa. Que nem se explica. Até agora, vinte e tal pessoas lamentaram: uma gota de água de gente num oceano de conhecimentos.
A tarde que há um ano reuniu algumas dezenas de pessoas, a pé num caminho de alegres saberes, pela Cordoaria e Palácio, ficou registada.
Deixá-la-ei aqui como agradecimento a esses Amigos: pela sua generosidade militante, pelo autêntico serviço comunitário que nos prestaram.

Todo o tempo é finito: quereríamos que o que é bom durasse mais.
Ou se multiplicasse.
Quem ainda nos levará, pela mão que pensa, à inocência das coisas da terra?

sábado, junho 21, 2008

Dia de Solstício






Há coisas que se juntam como as marés vivas nas praias: trazem o abandono das algas.
E lixo escusado.
Levantam-se as gaivotas-lembranças-alvoroçadas.
***
Tenho pena de perder o tempo do dia mais longo do ano sem ser entre as ervas e descalça.
Nem o mar perto.
Nem as minhas pedras.
Justamente, corpos de madeira esculpidos e esquecidos.

quinta-feira, junho 12, 2008

Para adormecer (disto, mais futebol/petróleo)








"Marchavam agora alegremente, ouvindo cantar os passarinhos e admirando as maravilhosas flores que cobriam o campo, como um tapete. Havia-as de todas as cores - brancas, azúis, amarelas - misturadas com grandes maciços de papoilas encarnadas, de uma cor tão viva que Dorothy quase não as podia fitar.
- Não acham que são lindas? - perguntou a pequenita, aspirando o aroma fortíssimo das flores.
- Acho! - respondeu o Espantalho Errante - Quando tiver cérebro hei-de apreciá-las muito, com certeza.
- Se eu tivesse coração, era natural que gostasse muito delas - declarou o Lenhador de Lata.
- Cá por mim, sempre gostei de flores - disse o Leão Medroso - Mas na floresta não são tão belas como estas.
Havia cada vez mais papoilas.
A certa altura encontraram-se num campo inteiramente coberto delas.
Ora, toda a gente sabe que estas flores, em grande quantidade, exalam um perfume tão intenso que faz adormecer quem o aspirar. E, se não a retiram dali, essa pessoa arrisca-se a nunca mais acordar ...Por isso lhe chamam também dormideiras."

"O Feiticeiro de Oz" de L. Frank Baum, tradução de Maria Lamas (1946)
E não sei se bandeiras se papoilas me resultam no pensamento: certo é que prefiro adormecer nas flores.

sexta-feira, maio 30, 2008

(A)penas




Não existem as palavras:
(emu)decência
distanci(l)amento
longin(gen)(q)uamente
Palavras inventadas onde me encontrarei sem dicionário que chegue.

Não há nada de novo à face da terra??? quem teria dito???
Sentido. Muitos, cada vez mais.
Dizemos em segredo, sussurramos desencantos, quando podemos; e a quem.
Tomamos as palavras dos sábios e dos poetas para o alívio de sentir que alguém entende(u).

terça-feira, maio 27, 2008

Sem medida


Tenho tido no meu mail, diálogos como eu os imagino soltos: "ao postigo do quintal".

Alguma confusão entre amigos
conhecidos
encontrados
de peito de coração de intimidade de vizinhança de gostos
ou desgostos
de palavra.

A Ana Ramon, da Paixão dos Sentidos, que eu não conheço, a não ser há meses e meses de nos lermos esporadicamente mas sempre com agrado, deixou um comentário no meu lugar. Fez-me sorrir; passou-me pelos olhos uma fotografia tão real e tão imaginária como a frase.
Metáforas e imagens de que me alimento; muitas vezes bem, outras vezes indigestas.
Eis o que me escreveu, tão simplesmente:
"Os amigos têm destas coisas: encantam-nos o olhar e quantas e quantas vezes o alargam, rasgando-o, obrigando-nos a ver mais longe e mais preciso."

Senti exactamente "como a paisagem mais longe"que me apareceu, nas suas cores antigas, ao mesmo tempo que a lia.

Para mim e ainda, porto de abrigo e beleza, esta.
Tudo o mais não me são letras
mas tretas.

sábado, maio 24, 2008

Apontamento



O meu amigo FM vê o Danúbio.
De longe, capta-lhe a magia nostálgica e manda-me um aceno.
A minha amiga FB lê Alvaro Lapa.
De longe, capta-lhe o amor à pedra e manda-me a explicação.
"...Estranha-se a pedra porque está ali onde a olhamos e ela vê-nos à sua maneira com indiferença máxima pelo nosso andar. Andamos-lhe em volta, não a ignoramos nem conhecemos, nem a domesticamos, só podemos admirá-la. Virá-la para dentro. Para o tempo. Que ela mostra. É um relógio de um ponteiro que marca séculos se os contarmos e tudo o que neles acontece. Um soldado morto vive numa pedra e só nasce debaixo do travesseiro. É um sonho de pedra pequena e muita guerra vista em volta. Com muito tempo. Ninguém as retirava do seu moledo lá por Sagres".

(Alvaro Lapa - Impressões da Lusitânia, cit. in Algarve, noventa séculos entre a serra e o Mar).
Parecendo sem coincidência com o que sinto, apontamentos intemporais.

sexta-feira, maio 23, 2008

Miróbriga IV


Um estranho na paisagem.
E lembrando meu indefectível amigo Joel Costa num dos seus programas "Questões de Moral" (Ant.2) precisamente em Setembro de 2007 : "Os olhos e os ouvidos do nosso passado" deixaram-me assim, na verdade de um animal entre ruínas, espaço para o riso!

Hipódromo (planta e lugar)

Forum e Templo

Vista a partir da ponte romana




As termas romanas e a ponte ao fundo.
Ocre imponente.
Os corações e suores dos que lhe dedicaram os dias.

Miróbriga III








A influência dos romanos neste povoado de provável origem celta, a partir do sec. II A.C. tornou-o num centro urbano importante e ditou a sua expansão, adivinhada pela imponência das ruínas já exploradas e postas a descoberto.

O Forum e as Termas, a larga calçada romana de grandes lajes, os frescos pintados de algumas casas, as vias de acesso e até um sistema de esgotos e canalizações de água, os sinais dos templos dedicados aos deuses (Vénus e Esculápio), as casas que se reconhecem serem de comerciantes e habitantes, vestígios de sepulturas ...tudo isto se encontra ao alcance dos nossos pés e olhos, numa admirável paisagem citadina onde passeamos com vagar e admiração.
Ciprestes, oliveiras e sobreiros, os socalcos verdes acompanham-nos pelas ruas de silêncio.
Saímos para um sol brilhante, agradecidos aos arqueólogos, patronos, curiosos e amigos da Cultura - essa senhora humilde e sem idade que é, ainda e no meu entender, o vínculo humano mais abrangente e sincero entre gerações e povos.

Qualquer enciclopédia ou publicação dirá muito mais: estes são os pequenos apontamentos que estruturam a minha memória dos sítios, retirados do que vi e da leitura do Roteiro de Arqueologia Portuguesa, "Miróbriga - Ruínas Romanas", de Maria Filomena Barata, Maio 2001.