quinta-feira, setembro 11, 2008

Das prateleiras




Pensar ainda na minha pintura preferida.
Um dia farei um quadro com os tecidos-trapos que não couberam nas fotografias.
Um dia escrevo o livro.
Um dia solto o grito.

Há mais uma caixa com eles, os recortes de tecido: estes são dum tempo de "criança em casa", com florzinhas e retalhos do passado, lençóis, vestidos.
E não sei porquê, procurei as minhas miniaturas: as que me disseram "não vejas, não ouças, não fales". Conselhos que não sendo por doenças, custam imenso a seguir. No entanto, guardo os sentidos por vezes: em prateleiras imaginárias com imaginárias pessoas.
Tenho as respostas e as perguntas na cabeça, por mais que os macaquinhos acenem das prateleiras do tempo. Pena não ter um sótão!

18 comentários:

M. disse...

One of the objects in the shelf speaks english, I think...

M. disse...

Um sótão! Depois ficavas com macaquinhos no sótão. :-))

Hands of Time disse...

Eu também tenho uns projectos, ainda tenho de os por em prática! E tem haver com pintura!!!

bettips disse...

Se uma pessoa chamada "violeta" (nome de cor querida) aqui passar...saiba que não dá ligação para parte nenhuma, nos seus comentários atrás. Com pena minha, que as palavras são preciosas e certeiras!
Obrigada, Violeta!

Hands of Time disse...

a minha escrita é familiar? como assim? :D

Teresa Durães disse...

o sotão das memórias? mergulhar em nós mesmo

(acabada de chegar)

heretico disse...

sugiro (se me permites)que, em vez do sótão, lhes ar...

verás que é um alivio.

ou grita. que é outra forma de liberdade...

beijo

Justine disse...

Fizeste-me lembrar o velho Manuel da Fonseca: "domingo que vem vou fazer as coisas mais belas que um homem pode fazer na vida"
Um dia farás tudo o que queres fazer, porque tens as respostas e as perguntas na tua cabeça...
Beijo

Patanisca disse...

Um dia vou

Filomena Barata disse...

não, seria um belo sotão, cheio de coias a reaproveitar sempre ... e, se um dia, elas estivessem a mais também me dispuria a emprestar a vassorinha com que tento limpar o que, por vezes, vai enchendo demasiado o meu.
belos os teus tecidos B.

Filomena Barata disse...

como te admiro minha alga ...

mdsol disse...

Claro que vais fazer...e ca estaremos para aplaudir o resultado. Não esquecendo o fundamental: o teu przer por tê-las feito!
:)

Madalena disse...

Com essa do não olhes nunca conegui concordar. :D

Adorei a frase de "m" sobre os "macaquinhos no sótão."

Bjs.
BFS

mena m. disse...

As memórias plantamo-nas num jardim, onde por vezes nos passeamos...

E que tal um quilt com todos eses recortes de tecido-trapos?

Multiolhares disse...

Tantas recordações, emoções que podem sair
Da caixinha guardada no sótão da mente
bjs

legivel disse...

... o sótão lembra-me a minha negra infância. "Não comes a sopa de massa vais para o sótão!" ou "não fazes os trabalhos de casa, sótão contigo!" Porque a sopa que mais se fazia lá em casa era de massa e eu estava-me nas tintas para os deveres escolares, pois quem me queria ver era a ler "livros com bonecos" como dizia a minha avó Casimira, o meu pai obrigava-me a subir para o sótão por um escadote que depois retirava para eu não poder sair de lá. Por vezes, quando me aborrecia demasiado, chamava o cão Benfica, ele ficava muito quieto e eu saltava lá de cima para o seu lombo, amortecendo assim a queda. Um bela noite, estava tudo em silêncio e eu de castigo no sótão, chamei o Benfica e quando pensei que estava a saltar para o dorso do animal, estava às cavalitas do meu pai, que por sinal era adepto do Sporting e nem miou... quando me deu uma tareia de criar bicho que só terminou quando o meu avô Guilhermino se meteu pelo meio "Tu assim matas o rapaz, Adolfo!" ainda me lembro destas palavras como se fosse hoje. Ao que o meu pai respondeu "Não quero matá-lo. Só quero dar cabo dele!"
Como calculas, a minha infância passou-se em boa medida, no sótão. De tal modo que comecei a ganhar uma cor baça de desenterrado e por via de um defeito do maxilar superior, quatro dentes não se conseguiam acomodar no interior da boca, os meus colegas de escola chamavam-me a "alegria do cemitério".
O que tu me vieste recordar...


beijinhos e sorrisos.

bettips disse...

Como é doce e risível o brincar do meu amigo, desbobinando adolfos e guilherminos que são nomes que já nem se usam...!
Grata A. pelo sorriso na noite!
Bjs e abraços a sule do Tejo... (ai era Benfica! bem me parecia que não era de confiar...)

Alien8 disse...

"Um dia", espero cá estar para ver o resultado :)