terça-feira, dezembro 11, 2007

Deusa no parque



Sorria de cegos olhos, virada para o poente.

Minerva, filha de Júpiter.
Deusa da sabedoria, das artes e da guerra.
Quanto ao último dos seus atributos, será dispensável nestes tempos de enorme cólera.
Porque não são os deuses que estão loucos: são os homens.
Os mandantes, de pantufas e aquecimento - ou arrefecimento - central.
Com casas, carros e servos.
Despejam opiniões certificadas, inventam armas, divergem de consensos equilibrados.
Poder que lhes deve servir de afrodisíaco para a impotência de se comportarem como seres humanos.
Simplesmente: como seres humanos.

Minerva sorria pensando que por sorte lhe coubera ser patrona dos engenheiros.
Imagino que lhe apeteça deixar cair o mundo e a ave.
Guardará o livro e os outros elementos do saber.
O segredo de fazer nascer do nada uma oliveira florida em Dezembro.

10 comentários:

rui disse...

Olá Bettips

Palavras tocadas pelo mais valioso dom de Minerva, a sabedoria, onde denuncias horríveis esgares da humanidade.
Mas existe a esperança de florescer uma oliveira (a paz)!

Beijinho

O Profeta disse...

Minerva...não terá esta Deusa te passado os seus dons?

Doce beijo

Justine disse...

nnmlctBelíssimo texto, tanto na forma como - importantíssimo - no conteúdo.

jlf disse...

Sensatas considerações.
Ponte muito bem feita. Tens razão: "loucos são os homens. Os mandantes, de pantufas e aquecimento - ou arrefecimento - central.Com casas, carros e servos.
Despejam opiniões certificadas, inventam armas, divergem de consensos equilibrados"...

Gostei!

Sofro, antecipadamente, o futuro dos meus filhos e dos meus netos...
E o do fim dos meus dias!

Quando será Dezembro?
Quando nascerá a oliveira florida?

Ah! Como eu gostava de poder ter esperança!

velha gaiteira disse...

Minerva ... a guerra

Bettips eu não gosto de guerra
não gosto da Minerva

mas as tuas fotog são lindas!

nnannarella disse...

Ah Minerva, Minerva... a sabedoria que nasce da cabeça dos homens, já de elmo armada, lança, míssil e tudo ...:)

E porém, a oliveira dá-nos uma certa tranquilidade, esperando que não seja apenas uma ironia dos deuses para tapar o pior. Fantástica lembrança a tua do Giardino dei Finzi-Contini... Também ali nem a seráfica beleza da Dominique, nem a doçura das árvores, nem as alegrias e as inocências fariam pensar de que...
Um beijo.

M. disse...

Adorei!

Jardineira aprendiz disse...

Eu não acredito nisso, mas talvez tenha um dia a guerra servido para preservar a sabedoria?? Ou a honra, ou a coragem? Eu não acredito nisso, mas porque razão então a guerra teria direito a uma deusa protectora?

(Acerca dos tais, os mandantes - 'Podeis dar-nos a morte, a mais vil, isso podeis- e é tão pouco!' - achei lindo este poema)

ângela marques disse...

adoro o que escreves e como.

SGC disse...

Bettips,
Belíssimas fotos!*