sábado, novembro 10, 2007

"Encore pour" Viena I









O entusiasmo recordativo a que alguns amigos me transportaram!
Neste caso o meu incognoscível amigo "perdido" fez-me voltar.
Entre o barroco, a aridez de campos vestidos de urze e pedra ou os montes desertos que ele diz preferir (e que eu adoro palmilhar), encontramos pão, esplanadas de cafés, chocolates e vinhos a coincidir com alguns dos nossos gostos.
Aqui lhos deixo como os vi.
De linhas rectas e curvas é feito o nosso sentir.
Saberemos alguma vez a forma de, dedicada e delicadamente, apreciarmos o que cada um tem para dar?
Penso que aqui a exercitamos: a forma de gostar e aceitar, encontrando pontos de união.
Desvendando ideias.
Ou declinar gostos que não são os nossos.

3 comentários:

jlf disse...

Boa reportagem.
Descendo às entranhas dos lugares visitados que, com "linhas rectas e curvas" completam "o nosso sentir".

Perdido disse...

Estranhei ver-me aqui comentado do lado de fora dos comentários e deliciei-me pelo facto de a curvatura das rectas ter virado moda. Perplexei-me por ser atributado de incognoscível. Mas passado já este deslavar da alma vamos ao que interessa.

O exercício a que te referes (ou será mesmo uma exercitação?) muito tenho pensado nele por duas ordens de razão:

1. É incontornável a dialética do dar e do receber, do gostar mais e do gostar menos, e é-o de uma forma dictatorialmente disciplinada. Este "meio" de comunicação, que, na nossa aldeia, anda para aí pelos dois anos de vida, exige-o: tem uma estrutura hierárquica e assíncrona em cada nó de uma rede complexíssima.

2. O reverso da medalha é a ausência de linguagem corporal que, na vida real, comanda toda a nossa humana comunicação. A palavra chega a ter pouca ou muito importância pelo ênfase e o ritmo que se põe na voz. E o mesmo sucede com as fotografias. Aqui a palavra e a imagem têm um domínio que supera o da vida real: são como a massa arremessada na pá do pedreiro contra o muro de alvenaria - lá ficam e assentam ... ou caem.

Por isso o exercício tem que ser muito bem exercitado. Mas, perguntas, saberemos alguma vez...? Não sei, apreciar é atribuir um preço, não é? Eu acho que é muito complicado, esforçoso e demorado. Não se pode amandar um preço para o ar, só para ver se pega. Isso pode tornar-se ofensivo, quer peças demais, quer peças de menos. É preciso beber muito chá de menta e saber negociar. E olhar olhos nos olhos. Aqui é muito difícil, falta a menta , faltam os olhos.

Recordar, porém, é de graça. É como sonhar: quando alguém recorda, todos os outros recordam. O quê só cada um o sabe.

M. disse...

São tão importantes aqueles pequenos-almoços tomados nestes espaços íntimos como as ruas. Ó Bettips, como tu estás a tocar-me!