quarta-feira, novembro 28, 2007

O Som da "Voz" I










Esta foi representaçã/negação da "Voz" com que estive há semanas no PPP.
O peso dos pensamentos - tem dias - desceu-me sobre as pálpebras, cortinas velhas e descaídas.

Foi a analogia com o que escrevi sobre Gaudi no post anterior: 40 anos de vida activa, em que arquitectou mudanças na cidade. Na mentalidade, diria eu, que assim me parece. Apesar de tantas sacrossantas religiosidades.

Lembrei o nosso tempo sem voz. Quarenta e mais.
Religião-Estado que servia ao Eunuco-Mor e ao seu colega de carteira, para restringir, esconder, espezinhar a arte e o pensamento, tacanho orgulhoso e solitário, com as suas botas feitas por medida.
Um país tão lindo, uma História tão solenemente anunciada de mundos novos ao mundo!

Estes são aspectos do "ex-jardim do ultramar", ou seja o Jardim-Museu Agrícola Tropical (fundado em 1906).

Onde estátuas em recuperação ou cheias de teias de aranha, falam baixinho para as ervas. Ou palmeiras, ou coqueiros, ou famílias botânicas "ficus"... abandono... meio-abandono, obras, como parece tudo andar em Portugal.

Temos ainda que encontrar o Som da Voz por entre a barulheira ensurdecedora dos tecelões ocasionais que, nem por mérito nem por decreto, merecem o lugar de responsabilidade social que a História lhes concedeu.

9 comentários:

ângela marques disse...

fabuloso texto!

Justine disse...

Texto excelente, a retratar na perfeição esse tempo castrante da nossa história.
E Eunuco-Mor é bem achado!

Teresa David disse...

ALÉM DAS IMAGENS CONSEGUI VISUALIZAR NO TEXTO QUE TÃO BEM RETRATASTE, AQUELES TEMPOS EM QUE ERA ADOLESCENTE, E BASTANTE FALADORA, EM QUE ME ESTAVAM SEMPRE A MANDAR CALAR QUANDO FAZIA PERGUNTAS INCOMODAS!
BJS
TD

Ruela disse...

to be or not
at Neo Artes...



for you ;)

Ruela disse...

Reparei que também não tens rótulos colados...eu não tenho porque também não gosto e como tenho que desmarcar-me sempre...quebro as correntes :)
Não entro nessa porque é ilusório...o melhor isto o melhor aquilo são tretas...mas pronto cada um é que sabe.
O que tenho feito é um trabalho que está praticamente a chegar ao fim...tenho caricaturado aqueles blogues que me chamaram à atenção desde que entrei nestas andanças.
Cada um ao seu jeito é especial, tentei traduzir um pouco do ser de cada um.
São trabalhos isolados que vão formar um todo...
Fica bem.

M. disse...

Muito bem!

Ruela disse...

claro é para ti...clica em cima, copia e guarda, depois é como costumas fazer...
Escreve um poema ou texto alusivo à imagem, que eu terei o maior gosto em publicar também no meu blogue e não só...

jlf disse...

Este ex-jardim do ultramar, "onde estátuas em recuperação ou cheias de teias de aranha, falam baixinho para as ervas" não é por acaso o do - ou a ele pegado - antigo Hospital de Medicina Tropical, hoje, creio que H Egas Moniz?

Há que lembrar "o nosso tempo sem voz. Quarenta e mais". Os jovens não acreditam, porque não compreendem que se possa viver à margem da liberdade que marca o tempo de hoje.

bettips disse...

Amigo jlf: não faço ideia nem sou de Lisboa. Indo ao motor de busca onde se encontra a nossa vida numerada e escarrapachada, no Jardim Museu Agrícola Tropical há referências sumárias... ou diria melhor, à balda, de várias curiosidades sobre árvores e nada sobre estátuas. Claro que não investiguei a fundo, mas no sítio "oficial". Em contrapartida
verifiquei a existência de um querido habilidoso destas coisas nossas - que suponho ser do Canadá - que se deu ao trabalho de fazer fotografias magníficas deste jardim e outros de Lisboa. Por outro lado, indo ao IPPAR sítio (e isto danou-me mesmo) há uns decretos da zona de "Belém", umas coisas "em vias de", umas referências "aos adjacentes" e uma bela fotografia da entrada do Palácio, "com um homem a passar levando uma saca de plástico verde na mão..." o que achei surrealista mas educativo.
Será o podador? Do palácio...
Sei que a trabalhar lá dentro dos jardins, vi um velhote a empurrar um carrinho de mão, ouvi uns trolhas a cantar e a assobiar, passeando-se dentro e fora sem grande ânimo, e uma senhora no intervalo do seu almoço; que por acaso durou bastante e não nos permitiu ir ao único pavilhão que me pareceu passível de ser visitado.
Eis a história vista pelos meus olhos rapaces.